POLICLINICA DE BOTAFOGO: mudanças entre as edições
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<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">'''Resumo: '''A criação da Policlinica de Botafogo foi proposta pelo médico Luiz Pedro Barbosa, para ser uma instituição de caráter filantrópico, e de assistência médica à população pobre. Começou a funcionar, em 10 de junho de 1900, na sede da Sociedade Propagadora de Instrucção aos Operarios da Freguezia da Lagoa, estabelecida na Rua Bambina nº45, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Entre os primeiros chefes das clínicas estavam Lucas Antônio de Oliveira Catta-Preta, Joaquim Candido de Andrade, Carlos Fernandes Eiras, Oscar Frederico de Souza, Licínio Athanásio Cardoso, Henrique Guedes de Mello, Alfredo Porto, e Francisco Furquim Werneck de Almeida. Em 1922, iniciou a construção de uma nova sede, na Av. Pasteur nº 72, local onde se encontra atualmente, a qual foi inaugurada em 12 de abril de 1928.</span></span> | <span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">'''Resumo: '''A criação da Policlinica de Botafogo foi proposta pelo médico Luiz Pedro Barbosa, para ser uma instituição de caráter filantrópico, e de assistência médica à população pobre. Começou a funcionar, em 10 de junho de 1900, na sede da Sociedade Propagadora de Instrucção aos Operarios da Freguezia da Lagoa, estabelecida na Rua Bambina nº45, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Entre os primeiros chefes das clínicas estavam Lucas Antônio de Oliveira Catta-Preta, Joaquim Candido de Andrade, Carlos Fernandes Eiras, Oscar Frederico de Souza, Licínio Athanásio Cardoso, Henrique Guedes de Mello, Alfredo Porto, e Francisco Furquim Werneck de Almeida. Em 1922, iniciou a construção de uma nova sede, na Av. Pasteur nº 72, local onde se encontra atualmente, a qual foi inaugurada em 12 de abril de 1928.</span></span> | ||
Edição das 19h22min de 13 de setembro de 2026
Denominações: Policlínica de Botafogo (1900); Polyclinica de Botafogo
Resumo: A criação da Policlinica de Botafogo foi proposta pelo médico Luiz Pedro Barbosa, para ser uma instituição de caráter filantrópico, e de assistência médica à população pobre. Começou a funcionar, em 10 de junho de 1900, na sede da Sociedade Propagadora de Instrucção aos Operarios da Freguezia da Lagoa, estabelecida na Rua Bambina nº45, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Entre os primeiros chefes das clínicas estavam Lucas Antônio de Oliveira Catta-Preta, Joaquim Candido de Andrade, Carlos Fernandes Eiras, Oscar Frederico de Souza, Licínio Athanásio Cardoso, Henrique Guedes de Mello, Alfredo Porto, e Francisco Furquim Werneck de Almeida. Em 1922, iniciou a construção de uma nova sede, na Av. Pasteur nº 72, local onde se encontra atualmente, a qual foi inaugurada em 12 de abril de 1928.
Histórico
A Policlinica de Botafogo foi criada por iniciativa de Luiz Pedro Barbosa, médico formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, que havia frequentado os cursos na clínica de moléstias infantis, dirigida por Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo, na Policlinica Geral do Rio de Janeiro. Luiz Pedro Barbosa, então, congregou colegas seus nesta instituição, para pensar as bases de uma instituição beneficente e de caráter humanitário, semelhante a essa, mas cujos serviços prestados se limitariam à então paróquia da Lagoa. Os objetivos de Luiz Pedro Barbosa, que viria a ser o primeiro diretor da Policlinica de Botafogo, ao propor a criação desta instituição eram de “fazer o bem e concorrer para a troca de estudos medico-cirurgicos entre os profissionais de Botafogo” (POLICLINICA, 1899).
Em 27 de dezembro de 1899, o corpo clínico da recém-criada Policlinica de Botafogo encaminhou uma solicitação à Sociedade Propagadora de Instrucção aos Operarios da Lagôa, então presidida por José de Paiva Magalhães Calvet, e estabelecida na Rua Bambina nº45, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, no sentido de que esta disponibilizasse um pavimento de sua sede para a inauguração da policlínica. A Policlinica de Botafogo foi, então, inaugurada neste espaço, em 10 de junho de 1900.
Neste bairro, existiam vários estabelecimentos privados de assistência à saúde da população, como a “Casa de Saude do Dr. Peixoto”, dirigida por Antonio José Peixoto, a “Casa Imperial de Saude e Medicina Operatoria”, na Praia de Botafogo, que havia sido fundada por Louis-François Bonjean e Charles Joseph Frederic Carron Du Villlards, e a “Casa de Saude do Dr. Leal”, na Rua São Clemente, estabelecida por Lourenço da Silva Leal. Entre as instituições de atendimento assistencial gratuito à população, havia o “Hospicio de São João Baptista da Lagôa”, instalado na Rua da Passagem ns.107-109, tendo como responsável pela administração Salvador Pires de Carvalho Albuquerque, no qual também atuava Luiz Pedro Barbosa. Assim, era necessário fundar uma instituição, como a policlínica, de caráter assistencial e filantrópico, que pudesse prestar atendimentos e oferecer mais serviços à população pobre, como os serviços cirúrgicos (BARBOSA, 1908). Além disso, a instituição tinha, também, o objetivo de funcionar como um espaço experimental dos estudantes de medicina no exercício da assistência clínica e oferecer cursos de livre docência. Desta forma, tinha a mesma inspiração da Policlinica Geral do Rio de Janeiro, fundada em 1881 por Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo, de ser uma instituição humanitária e, também um espaço de ensino das especialidades médicas, atraindo muitos acadêmicos e recém-diplomados interessados em aperfeiçoar os estudos.
Além de Luiz Pedro Barbosa, foram também responsáveis pela instalação da Policlinica de Botafogo, José de Paiva Magalhães Calvet, Alfredo Porto, Joaquim Candido de Andrade, Eugenio José de Almeida e Silva, membros da diretoria da Sociedade Propagadora de Instrucção aos Operarios da Lagôa, Carlos Fernandes Eiras, Oscar Frederico de Souza, Henrique Guedes de Mello, Francisco Furquim Werneck de Almeida, Francisco Fernandes Eiras, Oswaldo Gonçalves Cruz, Aureliano Werneck Machado, Francisco Cláudio de Sá Ferreira, José Parga Nina e Lucas Antônio de Oliveira Catta Preta (POLICLINICA, 1900).
A Policlinica de Botafogo buscava prestar assistência médica aos menos favorecidos, como mencionado no discurso de Luiz Barbosa:
“No livro de ouro da humanidade mais uma instituição se inscreve em prol daquelles que têm as fibras do coração estaladas pelo soffrimento e a alma estiolada pelos golpes da adversidade. Abençoada a hora em que o espirito dos médicos de Botafogo sentiu-se tocado por este raio luminoso que, como fita de fogo incandescente, aqueceu a idéa de uma policlinica parochial, fundada para ser o asylo da pobreza do bairro e tambem o symbolo da alliança imperecivel de uma classe, cujas aspirações ainda não sumiram-se no occaso da impiedade e do scepticismo.” (A POLICLINICA, 1900).
O interesse de Luiz Pedro Barbosa pela assistência na cidade do Rio de Janeiro se evidenciaria, em 1908, com a publicação de seu livro “Serviços de Assistencia no Rio de Janeiro”, no qual apresentou um panorama das instituições assistenciais públicas e privadas, estabelecidas na cidade do Rio de Janeiro.
A Policlínica de Botafogo era regida por estatutos, que haviam sido elaborados em 1899, período de sua organização administrativa, com raras alterações, visando corresponder às exigências de sua personalidade jurídica, adquirida em 25 de maio de 1908. Segundo o disposto, tinha o caráter de uma associação filantrópica e científica, cujo objetivo era, além da assistir gratuitamente aos pobres nos consultórios ou domicílios, estimular o desenvolvimento científico através de encontros periódicos entre os membros do corpo clínico em debates sobre a assistência médica.
A assistência aos pobres era reafirmada em notícia publicada no jornal O Paiz, em 1902:
“Para ser protegido pela Policlinica e por ella curado, alliviado ou consolado, só uma condição é exigida - ser pobre. Com estas palavras procurou o Dr. Moura Brazil synthetizar, em minucioso relatório, os intuitos elevados da instituição que dirige e da qual as vitimas da molestia e da invalidez recebem diariamente, somma prodigiosa de beneficios. Era justo, portanto, que expressões tão sublimes ecoassem no seio da classe medica desta capital, sempre disposta á pratica de acções generosas, que são a característica do seu valor moral e de suas excelsas virtudes. Dahi esta brilhante iniciativa dos medicos de Botafogo, que em 10 de julho de 1900, unidos e crentes lançaram as bases de uma policlinica parochial que, dia a dia mais prende o espirito publico pela boa orientação dos seus trabalhos proficcionaes e pela acquisição de robustas sympathias no bairro em que foi instalada.” (POLICLINICA, 1902).
Nas disposições dos estatutos da Policlínica de Botafogo era designada a confecção de um “cartão de indigência”, fundamental para identificar os socorridos em locais públicos que necessitassem receber o tratamento médico em sua residência. Qualquer atendimento aos enfermos pobres em domicílio ficava sujeito à apresentação deste cartão, renovado anualmente pela diretoria (BARBOSA, 1908).
Embora a Policlinica de Botafogo tenha se inspirado no modelo da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, não contava, entretanto com todos os recursos de que dispunha esta instituição, pois tinha apenas os poucos recursos que lhe eram ofertados pela população do bairro. Mas, conforme destacou uma matéria publicada, em 1909, no jornal A Imprensa, a instituição filantrópica, criada em Botafogo, era única, pois “não se limita a attender aos que comparecem aos consultorios estabelecidos em sua séde mas vai ás casas dos enfermos e os assiste, (...)” (A POLYCLINICA, 1909).
O número de sócios protetores, grande parte destes residentes no bairro de Botafogo, era ilimitado e, dentre estes, escolhia-se determinado número de sócios beneméritos. Os nomes mais importantes deste grupo eram os de Lucas Antônio de Oliveira Catta Preta, Eduardo Palassim Guinle, Cândido Gaffrée, Antonio Francisco Azeredo e John Gregory.
Para compor o quadro de médicos da Policlinica de Botafogo foram escolhidos profissionais aptos a receberem o título de “chefe de clínica”, cujas atribuições eram: manter a clínica em funcionamento; relatar os casos importantes; executar cursos práticos ou organizar conferências a respeito de assuntos técnicos; formular planos de melhoramentos para seus respectivos serviços médicos; cuidar das substituições de pessoal e redigir relatórios trienais sobre o andamento da clínica. Para apoiá-los, eram escolhidos dois médicos que serviriam como assistentes nos impedimentos daqueles profissionais. Além disso, aos chefes de clínica competia designar um acadêmico para ocupar o cargo de externo-praticante, que entre outras funções, realizava plantões e outros serviços na instituição. Já os serviços de urgência seriam executados por profissionais chamados “auxiliares”, divididos entre os plantonistas e os responsáveis por grupos de ruas de Botafogo, também encarregados de vistoriar as cirurgias nos enfermos de sua circunscrição.
Os postos de membros titulares e administradores da Policlínica de Botafogo eram conferidos em caráter eletivo, trienal ou quadrienal, com possibilidade de reeleição. Tais cargos eram os de diretor-presidente, subdiretor, secretário e tesoureiro, sendo os três primeiros médicos, cumprindo funções administrativas e técnicas. O posto de tesoureiro era ocupado por um sócio protetor ou benemérito.
Em 1901, por solicitação da Prefeitura do Distrito Federal, funcionou em uma das dependências da sede da Policlinica de Botafogo um posto municipal de vacinação antipestosa, no qual Oswaldo Gonçalves Cruz realizou suas primeiras pesquisas referentes à febre amarela. Entre os anos de 1903 e 1904, cedeu acomodações para que o Governo Federal ali instalasse a 1ª Delegacia Provisória de Higiene Federal, organização destinada à higiene preventiva.
Vários serviços externos à instituição funcionaram nas dependências do atual prédio da Policlinica de Botafogo, como um posto municipal de vacinação anti-pestosa, em 1901, a primeira delegacia provisória da higiene federal entre 1903-1904, um posto móvel de pronto socorro da Assistência Pública em 1920, e o Ambulatório de Prophylaxia contra a Lepra e as Doenças Venéreas, do Departamento Nacional de Saúde Pública, em desde 1921.
Com a ampliação dos serviços, e o grande fluxo de pacientes que acudiam à Policlinica de Botafogo, suas instalações tornaram-se insuficientes. Ao longo dos anos, a Policlinica foi adquirindo terrenos, e recebendo outros de propriedade municipal, conforme estabelecido por decretos municipais. O decreto nº 1.873, de 12 de novembro de 1917, autorizou o prefeito Amaro Cavalcanti a conceder à Policlinica de Botafogo o uso de uma faixa de 30 metros de terrenos de propriedade municipal, localizados na Praia da Saudade (distrito da Lagoa), para a construção do prédio desta policlínica (RIO DE JANEIRO, 1918). Em 1919, por meio do decreto nº2.129, de 25 de agosto, o então prefeito do distrito federal, Milcíades Mário de Sá Freire, foi autorizado a conceder à Policlinica de Botafogo o uso de uma faixa de 12 metros dos terrenos de propriedade da Prefeitura, localizados na Praia da Saudade, no então distrito da Lagoa, para que esta erguesse seu prédio (RIO DE JANEIRO, 1920).
Em 1922, a instituição deu início à construção de sua nova sede, nos terrenos cedidos pela municipalidade, e nos dois acrescidos que foram adquiridos e doados por Guilherme Guinle, localizados na Av. Pasteur nº 72. Luiz Pedro Barbosa, fundador da instituição, em discurso proferido por ocasião do lançamento da pedra fundamental para construção desta nova sede da Policlinica de Botafogo, afirmou:
“ (...) é mister ter a visão clara dos compromissos que agora assumem os membros da sua Congregação e também os seus grandes Benemeritos, com o inicio da construção desse edifício majestoso onde, de futuro, terão condigna objetivação, os seus esforços pela sciencia e pela humanidade e onde ficarão também symbolisadas, em documentos imperecíveis, as homenagens devidas a Candido de Andrade, Eugenio de Almeida, Oswaldo Cruz, Antunes Braga, Araujo Maia e muitos outros protectores da nossa Instituição (...). Antecipo, porém, uma dessas justas homenagens, anunciando-vos a resolução da directoria da Policlinica de Botafogo de iniciar, desde já, os trabalhos preparatórios para a creação na sua nova séde, de um “Instituto de Puericultura” como recordação dos serviços relevantes que lhe foram prestados por Eduardo Guinle e Candido Gaffrée” (FOI, 1922).
A construção do novo edifício Policlinica de Botafogo foi realizada a partir de donativos e contribuições de protetores, tendo demorado sete anos para ser concluída. A nova sede foi inaugurada em 11 de abril de 1928, na Av. Pasteur nº72, local onde a instituição permaneceu até os dias atuais (A NOVA, 1928).
Na nova sede da Policlinica de Botafogo, foi instalada, em 1928, uma sociedade médica, o Centro Medico, com o objetivo de estudar os casos observados nos serviços de ambulatório e hospital daquela instituição. Esta sociedade teve sua primeira diretoria composta por Luiz Pedro Barbosa (presidente), Raul David de Sanson (vice-presidente), Antonio da Silva Mello (tesoureiro), e Julio Vieira (secretário), e realizou sua primeira sessão em 30 de julho de 1928 (CENTRO, 1928).
Diretores/presidentes:
1901 - Luiz Pedro Barbosa (diretor); Francisco Cláudio de Sá Ferreira (subdiretor); Joaquim Candido de Andrade (secretário); Eugenio José de Almeida e Silva (tesoureiro).
1908 - Luiz Pedro Barbosa (diretor-presidente); Joaquim Candido de Andrade (subdiretor); Arnaldo Quintella (secretário); Eugenio José de Almeida e Silva (tesoureiro).
1912 - Lucas Antônio de Oliveira Catta Preta (presidente honorário); Luiz Pedro Barbosa (diretor-presidente); Joaquim Candido de Andrade (subdiretor); Eugenio José de Almeida e Silva (secretário).
1915-1919: Lucas Antônio de Oliveira Catta Preta (presidente honorário); Luiz Pedro Barbosa (diretor-presidente); Bento Ribeiro de Castro (subdiretor); Pedro Ernesto Baptista (secretário); Eugenio José de Almeida e Silva (tesoureiro, até 1917); Ary de Almeida e Silva (tesoureiro, 1917).
1922-1927: Luiz Pedro Barbosa (diretor); Bento Ribeiro de Castro (subdiretor); João Tavares Filho (secretário); Ary de Almeida e Silva (tesoureiro).
Estrutura e funcionamento
Na sessão da congregação da Policlinica de Botafogo, realizada no dia 7 de janeiro de 1900, no edifício da Rua Bambina nº 45, foi definido Luiz Pedro Barbosa, como diretor, Francisco Cláudio de Sá Ferreira, subdiretor, Joaquim Candido de Andrade, secretário, Eugenio José de Almeida e Silva, tesoureiro, e como sócio protetor e para a redação do anuário os médicos Oswaldo Gonçalves Cruz, Henrique Guedes de Mello e Luiz Barbosa (POLICLINICA, 1900). Nesta sessão foram, também, indicados os médicos para chefiar as diversas clínicas:
clínica médica (1º consultório) - Francisco Cláudio de Sá Ferreira.
clínica médica (2º consultório) - Oscar Frederico de Souza
clínica pediátrica (1º consultório) - Luiz Pedro Barbosa.
clínica pediátrica (2º consultório) - José Parga Nina.
clínica cirúrgica – Ernani Pinto.
clínica obstétrica e ginecológica (1º consultório) - Francisco Furquim Werneck de Almeida.
clínica obstétrica e ginecológica (2º consultório) - Joaquim Candido de Andrade,
clínica oftalmológica - Henrique Guedes de Mello
clínica de moléstias da garganta, nariz e ouvidos - Francisco Fernandes Eiras,
clínica homeopática - Nerval Gouveia.
clínica dermatológica e sifiligráfica (1º consultório) - Alfredo Porto
clínica dermatológica e sifiligráfica (2º consultório) - Aureliano Werneck Machado.
clínica de moléstias nervosas - Carlos Fernandes Eiras.
museu anátomo patológico e laboratório de bacteriologia – Oswaldo Gonçalves Cruz.
Foram indicados, também, os médicos assistentes: Marcio Nery, Farme D´Amoedo, José Placido Plácido Barbosa da Silva, Alberto Cunha, José Gabriel Marcondes Romeiro, Antônio Austregesilo Rodrigues Lima, Joaquim Quintanilha Netto Machado, Henrique Figueiredo de Vasconcellos, Reginaldo Maia e Luiz Honorio Vieira Souto. E como médicos externos, Lassance Cunha e Francisco Braga (POLICLINICA, 1900).
Os primeiros profissionais que chefiaram as seções, ou foram médicos assistentes, na Policlinica de Botafogo, haviam se formado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro ou na Faculdade de Medicina da Bahia. Entre estes podemos destacar:
Lucas Antônio de Oliveira Catta Preta – tese de doutoramento “Sciencias accessorias, da applicação therapeutica do galvanismo” (Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro,1854)
Henrique Guedes de Mello - tese de doutoramento “Pathogenia do diabetes assucarado” (Faculdade de Medicina da Bahia, 1878).
Carlos Fernandes Eiras - tese de doutoramento “Das indicações e contraindicações da hidroterapia no tratamento de moléstias do sistema nervoso” (Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1877).
Francisco Fernandes Eiras - tese de doutoramento “Infecções e auto-intoxicações na pathogenia das perturbações paychicas” (Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1894).
Francisco Furquim Werneck de Almeida - tese de doutoramento “Do uso do tabaco e de sua influencia sobre o organismo” (Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1869).
Joaquim Candido de Andrade - tese de doutoramento “Eclampsia puerperal” (Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro RJ, 1892).
Frederico Carlos Eyer - tese de doutoramento “Do uso do tabaco e de sua influencia sobre o organismo” (Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1869).
Oswaldo Gonçalves Cruz - tese de doutoramento “A vehiculação microbiana pelas aguas” (Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1892). (MATSUMOTO, 2018)
A assistência domiciliar foi pensada em seis circunscrições, organizadas de acordo com as dinâmicas das ruas de Botafogo. Dentro de cada uma dessas circunscrições deveria haver dois médicos, denominados externos, encarregados de socorrer os desamparados. Doze clínicos ficaram responsáveis pela tarefa: Lassance Cunha, Antonio Arnaldo de Moura Ruas, Edmundo Gastão da Cunha, Felippe Teixeira, Francisco Braga, João Jacintho de Paula Mendonça, João Luiz Vianna, João José Duarte Guimarães, Gouveia Freire, Farme D´Amoedo, Figueiredo Figueiredo de Vasconcellos e José Joaquim Rodrigues Sant’Anna (POLICLINICA, 1900).
Os chefes de serviços clínicos aprovaram, nesta sessão da congregação, as seguintes determinações:
“a) expressar o mais vivo reconhecimento á directoria da Sociedade Propagadora de Instrucção aos Operarios da Freguesia da Lagôa, pelo auxilio prestado á realização dos seus intuitos filantrópicos e scientificos;
b) agradecer as francas manifestações de apoio moral da imprensa desta capital;
c) solicitar o concurso material de todos os moradores da parochia da Lagôa para que mais depressa se ampliem os benefícios de que carece a sua população pobre.” (POLICLINICA, 1900).
A Policlinica de Botafogo atendia gratuitamente a população carente do bairro de Botafogo e adjacências, cujos moradores contribuíam para sua receita, sendo primordialmente esta fonte que mantinha a instituição. Os atendimentos eram feitos nos consultórios, nas enfermarias e nos domicílios. As consultas médicas eram organizadas em serviços por especialidade, e os pacientes eram atendidos e retornavam aos seus domicílios. As enfermarias eram destinadas aos pacientes que precisavam de internação, principalmente os submetidos a cirurgia. De acordo com as instruções estabelecidas por Luiz Pedro Barbosa, para o quadriênio da Policlinica de Botafogo 1915-1919, as visitas domiciliares deveriam ser realizadas por um cirurgião, um parteiro e um acadêmico de medicina como auxiliar, para atender os pacientes necessitados do bairro de Botafogo, e os resultados do atendimento seriam registrados em um livro em poder dos médicos externos, no qual constaria dados sobre a vida do paciente e de sua família, as condições higiênicas do domicílio, e o atendimento realizado. Os médicos visitantes receberiam uma diária pelo transporte, e ao acadêmico de medicina seria disponibilizada uma bicicleta, com a placa “Policlinica” para facilitar seu acesso e transporte de material médico necessário para o atendimento (BARBOSA, Luiz. Apud. MATSUMOTO, 2018, p.)
A falta de recursos era um entrave aos objetivos sociais e científicos da instituição, pois entre as várias atividades assistenciais da policlínica, ainda pretendia-se manter um serviço de atendimento às vítimas de acidentes em vias públicas; instalar uma farmácia destinada aos enfermos pobres; adquirir um terreno próprio para a construção de um edifício que abrigasse laboratórios, enfermarias e serviços clínicos; implementar um arquivo de estudos médicos e, por fim, publicar os trabalhos provenientes das experiências clínicas praticadas.
Tendo em vista a dificuldade de reunir recursos, a Policlinica de Botafogo contava com o apoio material de muitos de seus profissionais para manter o atendimento regular. Na impossibilidade de fornecer serviços cirúrgicos de grande porte, a instituição encaminhava a demanda de enfermos por este tipo de assistência à Maternidade do Rio de Janeiro e à “Casa de Saude dos Drs.Catta-Preta, Marinho e Werneck”, fundada pelos médicos Lucas Antônio de Oliveira Catta-Preta, João Marinho de Azevedo e Francisco Furquim Werneck de Almeida. Muitos profissionais de estabelecimentos de saúde privados integravam o corpo médico da Policlinica de Botafogo, como Carlos Fernandes Eiras, que era presidente da “Companhia Casa de Saude Dr. Eiras”, localizada na Rua Marquês de Olinda, no bairro de Botafogo. Estabelecimentos como a “Casa Fernandes Malmo & C.”, a “Drogaria Silva Araujo”, e a “Drogaria e Pharmacia Granado”, forneciam materiais de primeiros socorros e medicamentos.
Em 1901, a Policlinica de Botafogo estava estruturada nas seguintes clínicas e serviços:
- clínica dentária: Nereu Rangel Pestana.
- clínica de olhos: Henrique Guedes de Mello.
- clínica dentária: Raul de Barros Henriques.
- clínica de crianças: Luiz Pedro Barbosa.
- clínica cirúrgica: Lucas Antônio de Oliveira Catta-Preta.
- clínica médica: Francisco Cláudio de Sá Ferreira.
- clínica de garganta, nariz e ouvidos: Francisco Fernandes Eiras.
- clínica obstétrica e ginecológica: Joaquim Candido de Andrade.
- clínica médica: Oscar Frederico de Souza.
- aplicações elétricas: Aureliano Werneck Machado.
- clínica homeopática: Licínio Athanásio Cardoso.
- clínica de pele e sífilis: Alfredo Porto.
- clínica de crianças: José Plácido Barbosa da Silva.
- clínica de crianças: José Parga Nina.
- vacinações: Lassance Cunha.
- clínica obstétrica e ginecológica: Francisco Furquim Werneck de Almeida.
- clínica de moléstias nervosas: Carlos Fernandes Eiras.
- massagens: Arno Funke.
- clínica cirúrgica. Luiz Honorio Vieira Souto.
Em 1901, um ano após a fundação da instituição, de acordo com notícia veiculada nos jornais, foram realizadas 6.999 consultas e o atendimento a 552 enfermos em seus próprios domicílios. Neste primeiro ano, de acordo com os registros, os números de atendimentos variavam entre as clínicas, tendo a clínica dentária realizado o número maior de atendimentos, num total de 1.458 atendimentos, e a clínica cirúrgica o menor, apenas 10 atendimentos (POLICLINICA, 1901).
Nos primeiros anos de funcionamento, seus serviços de clínica dentária e consultas aos domingos não deram o retorno pretendido pela instituição. O primeiro limitava-se somente à serviços de urgência e atendia expressivo número de pessoas. No entanto, o serviço era prejudicado pela alta rotatividade dos profissionais que ocupavam sua chefia, pois abandonavam o posto com pouco mais de dois meses devido às dificuldades do serviço voluntário, à falta de recursos, ao volume de trabalho e à pouca perspectiva de estudo científico. De igual modo, o atendimento clínico aos domingos, cuja ideia coube a Henrique de Brito Belfort Roxo, também frustrou as expectativas dos profissionais (BARBOSA, 1908).
A partir de 1908, a Policlínica de Botafogo passou a ter um pavilhão destinado à cirurgia médica. O pavilhão era composto de sala de operações, enfermaria, sala de desinfecção, gabinete do interno, sala de curativos ligeiros, rouparia, banheiro e anexo para fins sanitários. A iniciativa foi implementada a partir dos esforços do então diretor, Luiz Pedro Barbosa, e de doações de particulares. Na inauguração do espaço compareceram o então presidente Afonso Pena, o cardeal-arcebispo da cidade D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, o prefeito Francisco Marcelino de Souza Aguiar, ministros de Estado e alguns moradores de Botafogo (POLICLINICA, 1908).
O médico Francisco Eiras inaugurou, em 1909, um curso prático de técnica em otorrinolaringologia na Policlínica de Botafogo, cuja aula inaugural foi bastante noticiada na imprensa, destacando-se a presença de médicos e de alunos inscritos, além do tema da aula, a qual havia tratado do valor e dos progressos da especialidade (NA POLICLÍNICA, 1909).
A Policlinica de Botafogo foi um importante centro formador de profissionais na área da pediatria, em virtude da atuação de seu fundador, Luiz Pedro Barbosa, que era catedrático de pediatria da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e responsável pela inauguração de cursos de clínica pediátrica médica e higiene infantil, em 1908. Até a década de 1940, a única cátedra de pediatria que existia no Rio de Janeiro era a da referida faculdade, que por falta de instalações, utilizava as dependências cedidas pela Policlinica de Botafogo, tornando-a foco irradiador do desenvolvimento científico da clínica infantil. O serviço de doenças de crianças da Policlinica de Botafogo foi criado em 1910, coincidindo com o ano de fundação da Sociedade Brasileira de Pediatria (CARNEIRO, 2000). Neste serviço, no qual funcionava a cátedra de pediatria, passaram profissionais como Luiz Torres Barbosa, Álvaro Aguiar, Rinaldo Victor de Lamare, Jacob Renato Woiski e Azarias de Andrade Carvalho. Luiz Torres Barbosa, por exemplo, foi por muito tempo assistente de clínica pediátrica de Luiz Pedro Barbosa, seu pai, no curso de pediatria da Policlinica de Botafogo, no qual assumiu a chefia em 1937, e no ano seguinte dirigiu o berçário modelo da Maternidade daquela instituição.
Em razão do trabalho praticamente voluntário praticado pelos profissionais que compunham o quadro médico da Policlinica de Botafogo, havia um trânsito significativo nas chefias das clínicas que, eventualmente, se fundiam ou eram acumuladas por um mesmo responsável. Durante décadas, alguns nomes fizeram história dentro da instituição alternando a coordenação dos serviços de assistência nos consultórios com outros profissionais. Neste sentido, podemos citar o fato de que, a partir de outubro de 1902, os dois consultórios de pediatria, chefiados por José Parga Nina e Luiz Pedro Barbosa, foram agrupados sob a coordenação deste último. Em 1904, Arnaldo Quintella, responsável então pela cirurgia infantil, foi substituído por Pedro Ernesto Baptista e este, em 1917, por João Baptista Canto. Henrique Guedes de Mello acumulou por longo período a chefia dos serviços de oculística, rinologia, otologia e laringologia, nos momentos de impedimento de Francisco Fernandes Eiras.
Entre os anos de 1900 e 1907, o serviço de clínica oftalmológica funcionou junto ao de clínica otorrinolaringológica. No ano seguinte, já separados, constituíam o total de serviços internos oferecidos pela Policlinica de Botafogo, cujos responsáveis e assistentes dividiam-se da seguinte forma:
- clínica médica (1º consultório): Francisco Cláudio de Sá Ferreira (chefe), Henrique de Brito Belfort Roxo e Antônio Pacheco Leão (assistentes);
- clínica médica (2º consultório): Francisco da Silveira (chefe interino), Jacintho de Barros e Lassance Cunha (assistentes);
- clínica médica de crianças: Luiz Pedro Barbosa (chefe), Samuel Esnaty e Clementino Rocha Fraga (assistentes);
- clínica obstétrica e ginecológica: Joaquim Candido de Andrade (chefe), Annibal Pereira e Dias de Freitas (assistentes);
- clínica cirúrgica de adultos: Lucas Antônio de Oliveira Catta Preta (chefe), José Gabriel Marcondes Romeiro e Julio Mirabeau de Azevedo Soares (assistentes);
- clínica das vias urinárias: Urbano Figueira (chefe);
- clínica cirúrgica de crianças: Arnaldo Quintella (chefe); Mario Margarido da Silva e Boaventura Francisco Lameira de Andrade (assistentes);
- clínica de olhos: Henrique Guedes de Mello (chefe), João Penido Burnier e Othon Pimentel (assistentes);
- clínica de garganta, nariz e ouvidos: Francisco Fernandes Eiras (chefe), Alberto Amaral (assistente);
- clínica sifiligráfica e dermatológica: Eduardo Rabello (chefe), Edmundo de Oliveira (assistente);
- clínica das moléstias nervosas e mentais: Carlos Fernandes Eiras (chefe), Waldemar Schiller e Ulysses Machado Pereira Vianna Filho (assistentes);
- clínica homeopática: Licínio Athanásio Cardoso (chefe), Augusto Bernachi (assistente);
- clínica odontológica: Frederico Carlos Eyer e Wilfrido da Gama (chefes);
- gabinete de bacteriologia e museu anátomo patológico: Oswaldo Gonçalves Cruz (chefe), Henrique Marques de Oliveira Lisboa (assistente);
- Arquivo Médico-brasileiro: José Plácido Barbosa da Silva (chefe), Álvaro Ozorio de Almeida (assistente).
- demais serviços internos: Lauro Paulino de Oliveira (acadêmico), Antonio Torres Ribeiro de Castro (acadêmico), Sebastião Avellar de Azevedo (acadêmico), Bernardo Gomes de Araújo (enfermeiro).
O médico Francisco Furquim Werneck de Almeida doou grande parte dos equipamentos necessários para o funcionamento regulara do consultório de ginecologia da Policlinica de Botafogo, e ao deixar a instituição, indicou seu filho, Hugo Eiras Furquim Werneck, para chefiar os consultórios de ginecologia e obstetrícia, que então encontravam-se agrupados. Mas, tendo em vista motivos de doença, Hugo Eiras não pode assumir o cargo, e estes consultórios ficaram sob a responsabilidade de Joaquim Candido de Andrade.
A Policlinica de Botafogo mantinha postos sanitários e de vacinação franqueados à população, como espaços de auxílio ao Governo Federal e à municipalidade do Distrito Federal. Para tal, a Policlínica de Botafogo destacou dois ou três médicos para serem os responsáveis por uma das seis zonas que compunham a totalidade de ruas do bairro de Botafogo. Estes profissionais atenderiam aos enfermos em sua residência até que estes estivessem em condições de deslocar-se até a sede da instituição para terminar seu tratamento. Este serviço de assistência externa encontrava-se, em 1908, a cargo de Alfredo Barcellos e Felippe Meyer. Havia ainda um serviço assistencial de extrema urgência às vítimas de acidentes na circunscrição do bairro, para o qual foram encomendados três automóveis-ambulância. Idealizado em 1899, este serviço só pôde ser realizado a partir de 1905 e, passados três anos de funcionamento, havia atendido a 263 casos (BARBOSA, 1908). Este serviço de pronto socorro médico cirúrgico, considerado pioneiro, funcionou sob a coordenação da Policlinica de Botafogo, até 1907, quando foi fundado, na cidade do Rio de Janeiro, um Posto Central de Assistência Pública, com este propósito.
A Policlinica de Botafogo inaugurou, em 1908, com apoio de clínicos, os “Cursos livres de Medicina e Cirurgia”, e a partir de 1917, organizou conferências e aulas práticas sobre medicina e cirurgia de guerra. Entre os anos de 1908 e 1909, os profissionais da Policlinica ofereceram os seguintes cursos: clínica médica (Clementino Rocha Fraga); oftalmologia (Henrique Guedes de Mello); medicina infantil (Luiz Pedro Barbosa); cirurgia geral (Arnaldo Quintella); e otorrinolaringologia (Francisco Fernandes Eiras).
E a partir de 1909, foram inaugurados outros cursos: sifiligrafia e dermatologia (Eduardo Rabello); moléstias nervosas (Carlos Fernandes Eiras e Waldemar Schiller); microscopia clínica (Henrique Marques de Oliveira Lisboa); e obstetrícia e ginecologia (Joaquim Candido de Andrade) (ESTUDO, 1910).
A Policlinica de Botafogo, ao longo de sua trajetória, não se destacou somente no ramo da pediatria, tendo se tornado, igualmente, um centro formador da prática médica em outras especialidades, no qual os profissionais médicos podiam aliar a prática ao ensino:
“A expectativa geral, com o andar dos tempos, excedeu a todos os limites. Hoje, pode-se dizer sem erro, a Policlinica de Botafogo não é só uma casa de caridade; é também um centro de estudos, onde se aprendem os segredos da medicina clinica e onde profissionais de grande mérito preparam gerações de estudiosos e capazes, aplainando as difficuldades dos que começam e corrigindo as faltas dos que já muito caminharam no terreno tenebroso da clinica.” (POLICLINICA, 1910).
Em 1912, as chefias dos diferentes serviços na Policlinica de Botafogo mantinham-se em sua maioria sem alterações, tal qual estavam organizadas desde 1908, exceptuando-se as chefias dos seguintes serviços clínicos:
- clínica médica: J. L. Monteiro da Silveira e João Tavares Filho
- clínica geral: Ary de Almeida e Silva
- clínica dermatológica: Zopyro Goulart
- clínica otorrinolaringológica: Carneiro da Cunha
- clínica odontológica: Frederico Carlos Eyer e Carlos Campos
Os demais serviços assistenciais estavam a cargo de: Bento Ribeiro de Castro, Athos Aramis de Mattos, Waldemar Schiller, Amelio Tavares, Antonio Maria Teixeira Filho e Vieira de Souza. O corpo de médicos visitantes era composto por: J. L. Monteiro da Silveira, Ary de Almeida e Silva, José Gabriel Marcondes Romeiro, João Tavares Filho, José Thompson Motta, Armando de Oliveira, Antonio Maria Teixeira Filho, João Luiz Vianna, Gastão Guimarães, Samuel Esnaty, Arthur Fernandes Campos da Paz e Machado Bittencourt. Era internos efetivos: Humberto Mello, Sebastião Avellar de Azevedo, João Penido Burnier, Annibal de Azevedo, Gustavo Rezende e Carlos Pereira.
O médico Luiz Pedro Barbosa, em seu discurso por ocasião da comemoração do 13º aniversário da Policlinica de Botafogo, apresentou a estatística de consultas realizadas nas diversas clínicas, entre os anos de 1900 e 1912:
- cirurgia de adultos - Lucas Antônio de Oliveira Catta-Preta (chefe): 33.992 consultas.
- cirurgia geral - Arnaldo Quintella (chefe): 8.641 consultas.
- cirurgia geral - Luiz Honorio Vieira Souto (chefe): 9 consultas.
- cirurgia geral - José Gabriel Marcondes Romeiro (chefe): 107 consultas.
- clínica de vias urinárias - Annibal Pereira (chefe): 901 consultas.
- clínica obstétrica e ginecológica - Furquim Werneck de Almeida (chefe): 766 consultas.
- clínica obstétrica e ginecológica – Joaquim Candido de Andrade (chefe): 10.911 consultas.
- clínica oftalmológica – Henrique Guedes de Mello (chefe): 18.458 consultas.
- clínica otorrinolaringológica - Francisco Fernandes Eiras (chefe): 6.020 consultas.
- clínica dermatológica e sifiligráfica - Alfredo Porto(chefe): 118 consultas.
- clínica sifiligráfica, dermatológica, electroterapia – Aureliano Werneck Machado (chefe): 171 consultas.
- clínica psiquiátrica e moléstias nervosas - Carlos Fernandes Eiras (chefe): 107 consultas.
- clínica dermatológica e sifiligráfica - Eduardo Rabello (chefe): 479 consultas.
- clínica homeopática - Licínio Athanásio Cardoso (chefe): 7.915 consultas.
- clínica pediátrica - José Parga Nina (chefe): 158 consultas.
- clínica pediátrica - José Placido Barbosa da Silva (chefe): 208 consultas.
- clínica médica – Francisco Cláudio de Sá Ferreira (chefe): 2.036 consultas.
- clínica médica - Oscar Frederico de Souza (chefe): 220 consultas.
- clínica médica - Monteiro da Silveira (chefe): 2.248 consultas.
- clínica médica - Renato Pacheco (chefe): 157 consultas (POLICLINICA, 1912).
Para a execução dos trabalhos operatórios, a Policlinica de Botafogo dispunha de um pavilhão de cirurgia denominado “Candido de Andrade”, que constava das seguintes dependências: sala de operações, sala de consultas e curativos cirúrgicos e ginecológicos, enfermaria, gabinete do interno, rouparia e quarto de banho, sala de recepção dos médicos e gabinete para os serviços complementares de assistência aos enfermos. Este pavilhão, de entrada independente, ligava-se ao prédio principal por um corredor que funcionava como sala de espera. A reforma empreendida para a construção do novo pavilhão e a realocação das demais dependências permitiram a instalação do Arquivo Médico, uma espécie de biblioteca científica especializada para os médicos e acadêmicos, e a realização de cirurgias que até então eram transferidas para outras casas de saúde.
Em 1917, foi firmado um acordo entre a Policlinica de Botafogo e a Liga Brasileira contra a Tuberculose, que previa o tratamento dos moradores do referido bairro acometidos pela gripe espanhola, que se tornaria epidêmica no ano seguinte. Com a crescente demanda por este tipo de tratamento, a Policlinica de Botafogo inaugurou, em 1920, um serviço de tuberculose e franqueou sua sede para a instalação de um posto móvel de pronto socorro da Assistência Pública. Foi instalado, em junho de 1921, em suas dependências, o Ambulatório de Profilaxia contra a Lepra e as Doenças Venéreas, vinculado ao Departamento Nacional de Saúde Pública.
O trabalho das enfermeiras nos serviços cirúrgicos e cuidados com os enfermos da Policlinica de Botafogo era remunerado, diferentemente dos médicos, e não havia ainda na cidade do Rio de Janeiro um centro de excelência que formasse tais profissionais (MOTT; OGUISSO, 2003). Para preencher tal lacuna, em 1917, o médico Alfredo Nascimento propôs a criação de um curso de enfermeiras na Policlinica de Botafogo. Além deste propósito, este curso foi também motivado pela mesma razão pela qual havia sido criado o curso de enfermeiras voluntárias da Escola Prática de Enfermeiras da Cruz Vermelha, ou seja, a possível participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que demandaria a formação de um corpo de enfermeiras para o trato com os doentes em uma situação de conflito. A congregação da instituição, reunida em 18 de novembro de 1917, decidiu pela implementação do curso, o qual foi inaugurado, em 26 de dezembro de 1917, em sessão solene com palestras acerca do ensino da enfermagem.
A primeira turma do curso de enfermeiras foi composta apenas por mulheres, e dentre elas algumas que já pertenciam ao corpo de enfermeiras da própria instituição. Para o ingresso no curso, as candidatas deveriam saber ler e escrever, ter noções de aritmética e idade entre 20 e 40 anos. O curso previa a duração de 10 meses, sendo dividido em parte teórica (quatro meses) e parte prática (seis meses). Para a elaboração do programa didático foram convocados os médicos Jeronymo Guimarães, Bento Ribeiro de Castro e Estevão Pires Ferrão, que eram, respectivamente, professores de noções de anatomia e fisiologia, ensino prático e noções de higiene. Este programa, amplo e geral, compunha-se dos seguintes tópicos:
- antisepsia e assepsia; esterilização das mãos, do instrumental cirúrgico e das peças de curativos; funcionamento da autoclave.
- terminologia do instrumental cirúrgico, sua serventia e conservação.
- prática das intervenções exigidas pelas enfermeiras; injeções hipodérmicas, intramusculares, enterolcises, lavagem de estômago, meios de revulsão, derivação, balão de oxigênio, funcionamento do termo-cautério, vacinação contra a varíola, pesquisa de densidade, albumina e glicose na urina, etc..
- transporte dos feridos e primeiros socorros.
- modo de execução do penso nas diferentes partes do corpo.
- primeiro socorro aos acometidos de envenenamentos; vertigens; apoplexia; insolação; síncope; indigestão; estrangulamento; obstrução intestinal; odontalgia; etc.
- primeiro socorro aos acometidos de convulsão; histeria; epilepsia; alienação mental; etc.
- primeiro socorro aos acometidos de comoção cerebral; feridas em geral, por instrumentos cortantes ou perfurantes; feridas contusas, por esmagamento, arrancamento, armas de fogo, queimaduras, mordeduras.
- primeiro socorro aos acometidos de entorses; luxações; fraturas; hérnias; hemorragias; rupturas de varizes; corpos estranhos nos olhos, ouvidos e nariz.
- anestesia geral e local. Acidentes anestésicos e pós-anestésicos.
- vigilância do doente e do operado. Cuidados gerais pós-operatórios. Alimentação dos doentes e dos operados.
- acidentes pós-operatórios gerais e locais, acidentes devidos aos antiséticos. Morte real e aparente.
Do total de 22 alunas, que integraram a primeira turma deste curso de enfermeiras, se diplomaram em 1º de maio de 1919: Adélia Monat, Argentina Correa Lima, Consuelo Leal Ferreira, Zilda do Amaral Moura, Gloria do Amaral Fontoura, Augusta Heloisa da Silva, Helena Monat, Isaura Barbosa dos Santos, Adozinda Correa Maia, Antonia Alves Pereira e Lucia Braga.
Devido ao sucesso do primeiro curso oferecido, a congregação da Policlinica de Botafogo decidiu pela criação de uma segunda turma, com aulas duas vezes por semana, e prática em seus serviços. A admissão tornou-se mais rigorosa, pois passou a ser solicitada a declaração de idade, estado civil, nacionalidade, nascimento, residência e serviços filantrópicos, além de atestado de vacinação e saúde, prova de português e aritmética e atestado de bons costumes. Além disso, nesta ocasião foi, também, franqueado o ingresso de alunos homens. Integravam a segunda turma do curso: Maria Carolina dos Santos Mello, Lavínia Guimarães Natal, Guiomar Nery, Rosa Rabello, Maria S. Rodrigues Pacheco, Arthur T. de Seixas Duarte, Maria Luiza Gonçalves Ferreira, Alexandrina Telles de Menezes e Rosa de Lima Vasques. A direção coube novamente ao médico Alfredo Nascimento, também responsável pela cadeira de fisiologia e noções gerais de patologia médica, e integraram a equipe de professores João Baptista Canto (assistência cirúrgica), Gilberto Moura Costa (assistência médica), Maurity dos Santos (anatomia e noções gerais de cirurgia) e Antonio Maria Teixeira Filho (noções de higiene). Com o fim da Primeira Guerra Mundial, o programa do curso deixou de lado as noções de primeiros socorros e passou a enfatizar as questões dos aspectos clínicos, administração hospitalar e economia doméstica (MOTT; OGUISSO, 2003). Não se tem notícias do andamento desta segunda turma, e mesmo do prosseguimento do curso após 1920.
Em sua nova sede, na Av. Pasteur, inaugurada em 1928, a Policlinica de Botafogo oferecia os serviços de pediatria, ginecologia, neurologia, dermato-sifiligrafia, duas clínicas médicas, uma clínica cirúrgica, urologia, oftalmologia e otorrinolaringologia. Na parte periférica do edifício, funcionavam os diversos consultórios clínicos, a secretaria, a sala onde ficava a galeria com os retratos dos beneméritos, e o Instituto de Puericultura Guilhermina Guinle, cujo nome fora conferido em homenagem à esposa de Eduardo Palassin Guinle, importante apoiador da Policlinica de Botafogo. O Instituto de Puericultura possuía salas de clínica e higiene infantil, e ao lado os serviços de otorrinolaringologia e oftalmologia, dirigido pelo médico Raul David de Sanson. O hospital passou a ocupar a parte central do edifício, com oito enfermarias, com capacidade para sessenta pessoas; seção de cirurgia; ginecologia; medicina e cirurgia infantil; e de vias urinárias. O aumento do espaço físico possibilitou a ampliação das especialidades clínicas, com o estabelecimento dos serviços de neurologia e psiquiatria, clínica médica e cirúrgica geral, patologia clínica, radiologia e a implementação de uma maternidade (NOVA, 1928). Em 1931, a instituição ofertou o Curso Prático e Popular de Higiene Infantil, sob a direção de Iracema de Freitas, assistente de Luiz Barbosa na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, destinado às mulheres do Serviço Social do Instituto de Puericultura da Policlínica de Botafogo (POLICLINICA, 1931).
A Policlinica de Botafogo, buscando ampliar seus serviços, incluindo o atendimento à gestante, à genitora e ao nascituro, inaugurou, em 2 de outubro de 1933, sua maternidade. Por ocasião da inauguração da maternidade, Bento Ribeiro de castro, então diretor da entidade, afirmou em seu discurso:
“São gestantes, que, depois de frequentarem o ambulatorio obstetrico-ginecologico, colhendo conselhos hygienicos, curando affecções intercurrentes e prevenindo outras, quase sempre graves, como a eclampsia, encontrarão nesta modesta, porém, confortavel enfermaria, um leito hygienico para a sublimação da sua maternidade. (...). Ao mesmo tempo que se atendem ás genitoras e aos nascituros, também a instituição inaugurada será bóa escola de aperfeiçoamento para medicos e de ensinamento para estudantes e enfermeiras. E, para completar essas considerações, importa uma especial referencia á nova Associação protectora desta Maternidade: a Assistencia Material da Polyclinica de Botafogo” (ESTÁ, 1933)
Integravam a equipe da maternidade, como médicos auxiliares, Joaquim Carneiro de Lacerda, Roberto Caminha Muniz e M. Ortigão Sampaio, e como internos, os estudantes do 5º e 6º anos de medicina, Lucio Sant’Anna e Milton da Silva (MATSUMOTO, 2018). Em 1935, a Policlínica possuía doze enfermarias e cinquenta leitos, doze consultórios, e atendia, em média, 200 pacientes por dia (MATSUMOTO; FERREIRA, 2024).
Em 1934 foram inaugurados novos serviços e instalações na Policlinica de Botafogo: clínica dentária infantil “Araujo Maia”, gabinete anatomo-patológico, necrotério, espaço de berços ao ar livre, laboratório de clínica infantil, biblioteca de puericultura e pediatria, e uma nova capela, a Capela N. S. da Conceição (POLICLINICA, 1934).
Na Policlinica de Botafogo, foi inaugurado, em 11 de abril de 1936, o serviço de Raios X, que ficou sob a responsabilidade de Victor Cortes. Neste ano, a instituição oferecia, ainda, os seguintes serviços: Ambulatório de Lepra e Doenças Venéreas, Pronto-Socorro de Emergência, Posto de vacinação contra varíola e peste bubônica, Serviço médico ambulatorial e domiciliário, Hospitalização para cirurgias, Curso de Enfermeiras, Curso de medicina e cirurgia de guerra, Posto de emergência durante a pandemia de gripe (1918), Posto de urgência para festas populares, Clínica Escolar, Serviço médico-social infantil, Ensino popular de higiene infantil e puericultura (FERREIRA, 2019, p.82).
Publicações oficiais
Havia a ideia da publicação de um periódico institucional, da Policlinica de Botafogo, para o momento em que esta tivesse alcançado seus objetivos humanitários e o respectivo desenvolvimento e organização plena de seus serviços clínicos. Este periódico seria destinado à veiculação de trabalhos científicos nacionais e estrangeiros, sendo estes por sistema de permuta de artigos (BARBOSA, 1908). Na sessão ordinária da Policlinica de Botafogo, realizada em 5 de abril de 1915, após o relato dos principais acontecimentos e realizações da instituição, foi comentado que a instituição tinha um periódico, intitulado os Annaes, cuja comissão redatora era constituída por Luiz Pedro Barbosa, Henrique Guedes de Mello e João Tavares Filho (POLICLINICA, 1915).
Há o registro, também, da publicação, a partir de 1930, dos Archivos do Centro Medico da Policlinica de Botafogo, impressos nas Officinas Graphicas do Almanal Laemmert, cujo fundador e redator-científico era Luiz Pedro Barbosa. Em abril de 1930, na primeira reunião do Centro Medico, havia sido criado em 10 de julho de 1928, Luiz Pedro Barbosa comunicou que havia sido realizada a distribuição do primeiro número dos anais do Centro Medico, e que caberia a Bento Riberio de Castro a organização do segundo número da publicação, substituindo Raul David de Sanson que havia declinado da incumbência (CENTRO, 1930).
Fontes
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Ficha técnica
Pesquisa - Manoela Azevedo de Lima Veríssimo da Silva, Atiele Azevedo de Lima Lopes, Aline de Souza Araújo França, Maria Rachel Fróes da Fonseca.
Redação - Aline de Souza Araújo França, Maria Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
POLICLINICA DE BOTAFOGO. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 14 set.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=1344
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)