Conferência Popular da Glória nº 10

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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Data: 04/01/1874.

Orador: Joaquim José Teixeira

Título: Lafontaine e suas fábulas

Aviso, íntegra ou resumo: Íntegra

Texto na íntegra

“Senhores. – Meu coração já não tem alegrias, e, contudo, sente n’este momento certa satisfação à vista de um concurso de pessoas tão dignas. É que se lhe figura que a boa semente não foi lançada em terreno ingrato. Continuai, minhas senhoras, meus senhores. Se hoje o dia for perdido, outros houve, outros virão proveitosos. Nem sempre é dia. Ao pé da luz, está a sombra, e tudo n’este mundo é luz e sombra.

Bien fou est cerveau Qui pretend contenter tout le monde, et son père.

Mandado em tenra idade para a França, meteram-me no colégio real de Henrique IV, que era o melhor de Paris. Longe dos parentes, longe da pátria, dotado de alguma disposição para as letras, tomei a resolução de temperar as saudades com o estudo. E é certo que a minha aplicação levou meu nome ao rol dos galardoados na distribuição geral das recompensas. Além de algumas menções honrosas, recebi um primeiro prêmio das mãos de Luiz Philippe que era então duque d’Orleans, e esse prêmio consistiu em um livro contendo as fábulas de Lafontaine, livro dourado, com as armas reais, livro encantador. A curiosidade que me teria levado a examinar o centro de alguma caixinha de música, se houvesse ela sido o prêmio, também me levou logo às folhas do dourado livro. Comecei a lê-lo, e logo comecei a interessar-me pelas historietas que n’ele se continham. Asseguro-vos, senhores, que tal impressão me fizeram as fábulas, que não posso deixar de atribuir-lhe a inclinação que tive e tenho por esse gênero de literatura. Quis portanto, pagar um tributo de gratidão àquele que me laureou e m’inspirou.

Outra razão tive. – Os ânimos estão voltados atualmente para a instrução popular, e é certo que o apólogo, esse invento que reúne em si corpo e alma, como diz o meu fabulista, sendo a fabula o corpo, e a moralidade a alma, esse escrito útil e agradável ao mesmo tempo, essa ficção que brincando leva o coração ao bom caminho; essa obra em quatro linhas, é certo, digo que o apólogo merece ser lembrado. E quem pode falar em apólogo sem que lhe corra à ideia o nome de Lafontaine?

Senhores, é sobretudo como fabulista que Lafontaine se a tornado digno da admiração universal. Os tempos vão passando, e a aureola de glória do homem dos bichinhos, longe de perder qualquer de suas gemas, as tem visto crescer de brilho e de esplendor.

Por que tanta admiração? Porventura não houve fabulistas antes de Lafontaine? Não tem havido depois d’ele? Inventou ele esse gênero de literatura? Descobriu ao menos algumas verdades morais dignas do aplauso da humanidade?

Lêde, senhores, La Harpe, Tayne, Saint Beauve, Nisard, Saint-Marc Girardin, e tantos outros escritores que se hão ocupado com o meu fabulista; ou antes lede as fabulas de Lafontaine, comparai-as com as suas predecessoras e sucessoras, e achareis a verdadeira causa da existência d’esse pedestal imenso sobre o qual o colocaram.

Pilpay, Esopo, Phedro, todos esses fabulistas orientais, gregos, romanos, e da idade média que fabulas fizeram até o ano de 1600? Todos estes fabulistas forão correntes d’agua que vierão formar um grande rio, rio que unindo-as todas lhes deu uma outra forma, forma vasta, majestosa, imponente.

Lafontaine foi um verdadeiro gênio, mas ele não largou rédeas de seu corcel natural, sem lhe ter posto escolhidos arneses. Platão, Socrates, Aristoteles, Pilpay, Esopo, Phedro, Virgilio, Horacio, Quintiliano, Rabelais, Marot, e outros, e o contacto com os literatos d’então, com os Racines, com os Boileaus, com os Molières, tudo isso, senhores, tudo isso peneirado por um espírito raro, deu a Lafontaine esse fundo de filosofia que brilha em cada uma das suas páginas, essa majestade, essa amenidade, essa simplicidade, essas mil cores, mil cambiantes que adornam as fabulas.

Lafontaine não descobriu moralidade alguma, mas inventou o seu estilo, e o seu estilo vale tudo.

Conhecedor perfeito da sua língua, nunca achou embaraço para encontrar a expressão cabida, fosse velha, fosse nova, fosse simples, fosse sublime. Poeta original e sem rival, ao tempo em que tudo era simetria, em que tudo se media por uma bitola, fez versos de todos os metros imagináveis, e os empregava d’esta ou d’aquela forma segundo as exigências da verdade das coisas.

Definindo as suas fábulas, disse Lafontaine, que eram um drama em cem atos. Em verdade, senhores cada uma das fabulas, sobretudo do 7º e 8º livro, é um verdadeiro drama ou uma verdadeira comédia em miniatura. E ele, com o seu gênio, tornou-se ao mesmo tempo autor, ator e cenógrafo. Como soube sempre apanhar a natureza em flagrante! Como se identifica com seus atores! Como se vê bem o lugar onde a cena se passa! Como se reconhece a propriedade de cada caráter, de cada posição, de cada discurso, e até de cada gesto! Pintor sem igual que com a simples pena soube criar painéis de tantos e tão variados coloridos! Painéis, disse eu? E a voz, a vida real que se observa nas suas pinturas?

Senhores, só era dado ao gênio de Lafontaine pôr ao seu serviço a natureza inteira, e até os deuses do Olimpo. Homens e mulheres de todas as condições, irracionais de todas as espécies, vegetais, minerais, os elementos, e o próprio céu, tudo foi por ele posto em contribuição. Para os franceses não há poeta mais popular, porque ele tudo viu à luz da sua terra e soube sempre conservar o espírito gaulês. Mas é ele também universal, porque o que fez tem o cunho da perfeição. Nos quadros d’Esopo falta a perspectiva aérea, esses quadros têm a dureza da filosofia; os de Phedro tem sua elegância; só os de Lafontaine são acabados. O homem pensador poderá ler mais uma vez Phedro; mas é certo que ninguém cansa de ler Lafontaine. E é esta a melhor resposta que se pode dar aos raros que entendem que Fontaine ultrapassou algumas vezes as raias do fabulista. Porque não será ele modelo, se todos o querem assim?

Les hommes sont tout feu pour le mensonge, Ils sont tout glace pour la vérité

Este pensamento expressado por ele, mostra bem que pode se dizer a verdade e ensiná-la aos homens, é preciso que lh’a tornem agradável. Sim, o bom fabulista deve fazer como a mãe de família, cobrir de açúcar a pílula que o filho a de tomar para curar-se.

Senhores, Lafontaine teve a felicidade de sentir o influxo d’aquela atmosfera literária que o cercava, e ainda d’aquele sol assentado em um trono, sem sentir o aperto das exigências, das conveniências cortesãs; e é por isso que o seu gênio conservou sempre a sua originalidade, não vestindo roupas que lhe prenderiam os movimentos. Tão feliz não foi seu companheiro tanto na vida, como no sepulcro - , refiro-me a Molière, - que s3endo também um gênio, algumas vezes se viu forçado a ceder às referidas exigências, exigências a que tiveram de curvar-se outros homens de letras. Há quem considere Lafontaine homem desprendido da grande plêiade d’então. – Não, não, Lafontaine não foi uma flor exótica n’aquele brilhante jardim; mas o orvalho e o sol a tocavam como era necessário. Não teria ele preenchido sua grande missão, se não se tivesse achado em meio de tudo aquilo, nem houvera descrito o soberbo leão.

Estranhou Voltaire que em geral se preferisse a leiteira Perrette aos Curiacios; mas ele devia ter tido em atenção que Lafontaine foi o pão para todos, enquanto que Corneille foi manjar para poucos.

E não oraria Voltaire pro domo sua?

Lamartine, esse destacando-se completamente da opinião geral achou sempre Lafontaine insuportável. Terei eu necessidade de dizer-vos que Lamartine andava pelas regiões do misticismo, e com olhos no céu, não via a realidade d’este mundo?

De dia em dia o coro universal em favor do fabulista vê crescer o número de suas vozes, e tanto basta para que Lafontaine seja grande, seja imortal.

Sinto que o curto espaço de tempo de uma pequena conferência não permita a análise de tantas e tão variadas belezas que ornam as fabulas do autor que me ocupa. Alguma coisa vejamos. Lancemos os olhos a essa magnifica fabula intitulada – Les animaux malades de la peste, que é a primeira do 7º livro.

Vêde como querendo falar da peste, o autor como aterrado, não ousa pronunciar-lhe o nome, senão quando já não pode deixar de o fazer:

Un mal qui repand la terreur ;

Mal que le ciel en sa fureur

Inventa pour punir les crimes de la terre,

La peste, puis qu’il faut l’appeler par son nom.

Que descrição, senhores! Esta só fabula seria bastante para tomar-nos um dia inteiro, mas não há remédio senão passar por ella rapidamente. Reunidos os animais para confessarem seus pecados, no intuito de se sacrificar o mais culpado aos deuses irritados, o leão, o rei, busca dar o exemplo, porque sabe perfeitamente que não será a vítima. Quem foi e não podia deixar de ser a vítima? O pobre burro que vem timidamente dizer:

J’ai souvenance

Qu’em um pré de moines passant,

Quelque diable aussi me poussant,

Je tondis de ce pré la largeur de ma langue.

Não parece, senhores que se está ouvindo e vendo o coitado? Quem seria capaz de expressar melhor esta confissão de um asno? Esquecia-me dizer-vos que há antes d’esta confissão um verso que por si só vale um tesouro. Dizendo o fabulista que as próprias pombas rolas se apartavam, acrescenta:

Plus d’amour, partant plus de joie.

E na verdade, o que é este mundo sem amor? Haverá alegria sem amor? Que diferença entre o tom d’esta fabula e o da que se intitula:

LA LAITIÈRE ET LE POT AU LAIT !

Perrette sur sa tête ayant un pot au lait,

Bien posé sur un coussinet,

Pretendait arriver sans encombre à la ville.

Legère et court vêtue, elle allait à grands pas,

Ayant mis ce jour là, pour être plus agile,

Cotillon simple et souliers plats.

Pode haver descripção mais risonha, mais simples e natural?

Quereis delicadeza de sentimento? Lede a fábula dos dois pombos, a dos dois amigos. Quereis eloquência subida, lede o camponês do Danúbio.

Senhores, é inesgotável o tesouro que nos legou Lafontaine, porque, como já vos disse, ele põe em contribuição a natureza inteira, e tocou todas as fibras da alma.

Qual será a sua melhor fábula?

São tantas e tão variadas que não se ousa dizer: é esta. O que é certo é que o autor leva a gente a querer-lhe bem, porque tudo quanto diz, mesmo quando se irrita, tem o cunho de um bom natural.

A sua predileta era a fabula do carvalho e do caniço, a última da 1ª coleção. – Em atenção à essa preferência, tomei a resolução de a traduzir, verso por verso, mas sem rima, porque temi que em busca da rima, me desviasse do espírito ou mesmo da expressão do autor. Peço licença para ler a minha tradução:

Ao caniço o carvalho disse um dia:

Razão vos sobra contra a natureza,

Para vós peço imenso é a carriça,

Ventinho que ao acaso

Encrespa a flor das aguas

Vos faz baixar a cabeça,

Em quanto que esta fronte igual ao Caucaso

Além de repelir do sol os raios

As tormentas afronta.

Achais tudo Aquilão, zéfiros sinto.

Se ao menos vós nascêsseis sob as folhas

Com que os vizinhos cubro,

Não sofrereis tanto;

No tufão vos escudara;

Mas quase sempre vindes

Nas frias margens d’onde trona o vento.

Convosco a natureza foi bem dura.

A vossa compaixão, responde o arbusto,

Prova bom natural. Porém, deixai-me,

Por vós, mais que por mim, temão-se os ventos.

Acurvo, mas não quebro. Vós por ora,

Os golpes seus medonhos,

Soffrestes sem dobrardes.

Aguardemos o fim. Nestas palavras,

De um ponto do horizonte corre em fúria

O mais terrível filho

Que nas entranhas suas tinha o Noto.

O carvalho se firma, o outro se curva;

Duplica de esforço o vento,

E neste esforço arranca

Quem quase o céu chegava com a cabeça,

E tocava com os pés da morte a estancia.

Falei-vos no mestre, permiti que vos fale agora no mau discípulo. Até os dezoito anos de minha idade não fiz verso algum; aconselhado porém por um mancebo que já aos vinte e dois anos de sua idade era lente da escola de direito de S. Paulo, quis examinar se era digno de algum sorriso das musas. A minha primeira tentativa foi um apólogo. Ei-lo:

A SERPENTE E OS POMBINHOS.

Em mata virgem

Uma pombinha,

Do amor seu terno

Os fructos tinham.

Mas, oh! Desgraça!

Os fracos sentem,

E o ninho avista

Uma serpente.

Em vão procurão

Mãe carinhosa,

Ausente colhe

A desditosa.

E lá trepando,

A língua acesa,

A serpe os traga

Sem ver defesa.

Já pelos ares,

Branquinha vem,

Quem os filhinhos

Cuida que tem.

Materno furto

Traz no biquinho,

Busca apressada  

O caro ninho

Eis não encontra

Os seus implumes,

Louca esvoaça,

Clama por numes.

Desponta ao longe

Um caçador,

E d’avezinha

O vingador.

Chega e divisa

O cru réptil

O sol dormindo

O sono vil

Um tiro assusta

A mãe dorida

Mas a perversa

Fica sem vida

Recebe aquele

Que faz mal

Em troca d’ele

Prêmio fatal.

Depois da minha formatura veio-me o desejo de escrever outros apólogos, e doze fis dos quais o mais sofrível parece-me ser o seguinte:

O ESCAMBO ENTRE DOUS CÃES

Um cão, tigre de nome, vigiava

A casa de seu dono, e assim ganhava

Com que passar a vida largamente,

Pois todos os sobejos via em frente.

Um dia que a jantar já se dispunha,

Os restos de um leitão tendo uma unha,

Trazido pelo cheiro, se apresenta

Esbelto doguezinho, e comprimenta.

A seu pescoço guizo tem luzido

Em fita estreita azul mui bem cozido

E diz logo que troca a raridade

Por tão babada e triste pouquidade.

Como, apesar de tigre, o vigilante

Não era das cadelas pouco amante,

Vencida viu no enfeite a bela Troya,

Não Troya dos Troyanos, certa joia

De pura raça canis, que fingia

Não ver o amável cão que atrás bem via.

E pois cede o jantar ao estrangeiro,

Em troco recebendo o adorno inteiro.

E já vai chocalhando, e vai correndo,

De todos pelos olhos se metendo,

Aqui, e por ali, em beco, em rua,

Em quanto dura o sol, e dura a lua.

Mas, mas ei-lo faminto, e então lh’ocorre

Que, sem comer, quem ama também morre.

Com ventre esguio, e jeitos de mendigo,

A rumo o nariz põe, e dá consigo

Em casa de seu dono. Mas, oh! Fado!

Ninguém se encontra ali! Tudo fechado!

Aumenta-se a fraqueza, e o salafrário

Procura alguém que troque o relicário

Por um bocado seja do que for,

Com tanto que da fome apague o ardor.

A este se dirige; não o escuta,

Por não estar em dia de permuta.

Aquelle se recusa, e o manda embora,

Dizendo que ofereça a quem namora.

Por não achar um osso, o pobre bicho,

Lá foi enfim, coitado, para o lixo.

Quem pela casca

Cede o miolo,

Morre de fome,

E passa por tolo

Passados alguns anos, tornou-me mania dos apólogos, e então escrevi oitenta que foram publicados, porém com muitos erros. Peço licença para ler um ou outro d’esses apólogos.

A PENNA E O PINCEL

Ao pincel dizia a penna:

N’este Brasil resplendente,

Não t’envergonhas pintando

Sem calor, tão friamente?

Quem possui aves esmaltes,

Fructas várias, lindas flores,

Um céu d’anil cristalino,

Na palheta não tem cores?

Quem vê montanhas gigantes,

Catadupas, rios, mares,

Mattas virgens preciosas,

Exibe telas vulgares?

Da moreninha patrícia

Nem sequer te move o jeito,

O quente olhar feiticeiro,

Esse olhar brasa do peito?

Mais devagar, minha amiga,

Responde à pennas, o pincel.

Que o meu argueiro notaste,

Prova bem este aranzel.

E tu penna, tu que fazes?

Apura o coração,

Ou declaras ter a gloria

Quem conquista uma eleição?

Nobres tesouros existem

N’este solo de Cabral,

Mas se os não aproveitamos,

Tu mesma és causa do mal.

Porque o povo não diriges

Ao caminho da verdade?

Porque o vicio não condenas

Exaltando a probidade?

Quando à mão que te sustenta

Dão malvados ouro e seda,

Com louvores alcatifas

Até do crime a vereda

Muda, amiguinha, o teu rumo

E terás telas mais puras;

Como vamos, meu desejo

É fazer caricaturas.

Aceite a penna, o conselho,

Seja franca, nunca dobre:

Pese quanto pode e vale

Que a sua missão é nobre.

Etc, etc, etc.

Ultimamente, senhores, levado ainda da minha inclinação e desejoso de ser útil escrevi mais apólogos, porém estes em ritmos diversos, imitando eu assim mais o meu mestre.

O FRANGUINHO DILIGENTE

A scena se passava em galinheiro:

As domésticas aves estiradas aqueciam-se ao sol.

Entretanto, franguinho mais andeiro,

Entre pedras ali encantoadas, lançava o seu anzol.

Quer dizer, que andava, pico, pico,

Catando algum bichinho com seu bico.

Porque auxiliar o céu a diligência,

Lá pilha, n’essa cata,

O frango uma barata,

Galináceo petisco d’excelência.

E logo de pular toda’a caterva:

Marrecos e perus, galos, galinhas.

A turba inteira quer, e sem reserva,

A pesca do terceiro.

Sofrendo mil corridas, e avançadas,

Metido tão sozinho em tantas linhas,

Sem poder defender-se das bicadas,

Feliz julgou-se o frango, n’este marte,

D’engolir da barata a oitava parte.

Talento e diligência em nossa terra,

Também d’outros marrecos sofrem guerra.

Perdão, senhores, para aquele que ousou tomar-vos tão inutilmente vossa benigna atenção. Prometi falar no mestre, e falei no discípulo. Mas é verdade que sem sombra não haveria luz? O escuro que de mim vem sirva para mais realçar aquela verdadeira luz brilhante que se chama Lafontaine. Nem na essência, nem na forma se parece o discípulo com o mestre; mas é porque faltou ao discípulo o que Deus só dá a raros – o gênio.

Não sei o que poderei ainda fazer; asseguro-vos, porém, que o meu maior desejo é legar a minha terra fabulas dignas da sua literatura.

Localização

- Conferências Populares, Rio de Janeiro, nº4, 04 jan.1874, pp 91-103. (na íntegra). Capturado em 28 mar. 2025. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DOCREADER/278556/453  

Ficha técnica

- Pesquisa: Yolanda Lopes de Melo da Silva, Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 10. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 30 nov.. 2025. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=601

 


Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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