Conferência Popular da Glória nº 92

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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Data: 25/10/1874.

Orador: José Martins da Cruz Jobim

Título: Natureza e contagiosidade da febre amarela e meios de a combater.

Aviso, íntegra ou resumo: Resumo

Texto na íntegra

“Realizou-se anteontem na augusta presença de Suas Majestades Imperiais, a quadragésima oitava conferência do domingo. Ocupou a tribuna o Sr. Senador José Martins da Cruz Jobim, que tratou da febre amarela e dos meios de a combater.

O ilustrado e competente orador, notando que há, entre todas as epidemias, certas analogias, recordou as que mais tem assolado o mundo; a peste do Oriente que flagelou Atenas durante a guerra do Peloponeso, as 17 que, segundo refere Tito Lívio, sofreu Roma quando ainda não tinha relações com a África e a Ásia; a peste Antonina que se manifestou no 2º século depois da tomada de Jerusalém, as bexigas que no século 6º ou 7º apareceram na Europa trazidas da Ásia pelos Sarracenos.

Tratando da febre amarela, que o Sr. Senador Jobim considera contagiosa, nota que os anti-contagionistas dizem que o mal provém dos pântanos, das matérias pútridas vegetais e animais; o declara que não há asserção mais gratuita.

Há na Europa pântanos imundos, que originam febres intermitentes e perniciosas, mas nunca originaram um só caso de febre amarela.

O mesmo se pode dizer do nosso país. Quando a cidade do Rio de Janeiro era um grande lamaçal, nela não apareceu a febre amarela.

Definindo o que seja contágio, nota que ele é fixo ou volátil. Nas bexigas é fixo e volátil.

Observando que os diversos estados da atmosfera têm incontestável influência sobre o desenvolvimento dos contágios, diz que o da febre amarela não se desenvolve senão na temperatura de 20 graus do termômetro de Reaumur. O Dr. Berenger Feraut, que escreveu sobre a febre amarela de Senegal pondera que lá cessa o contágio no tempo fresco: o mesmo se deu nas Antilhas e aqui no Rio de Janeiro.

Combatendo a opinião dos que sustentam que a febre amarela é originária da América quando o é da Índia, refere que de lá veio ela para Pernambuco em 1675.

Tratando das medidas que se devem tomar para combater a febre amarela, diz que umas se empregam em terra, como a discrição, e outras, mais necessárias no mar, sendo condição indispensável a construção de lazaretos, segundo as regras da ciência. Recorda que o senhor Marquês do Montalegre exclamara no senado: é uma vergonha que a capital do Império do Brasil não tenha um lazareto.

Com efeito foi com lazaretos e quarentenas que em Nova York se acabou de todo com a febre amarela, que tanto a flagelou no século passado.

O ilustrado orador terminou aconselhando a adoção entre nós dos mesmos meios; e, ao retirar-se da tribuna, foi muito aplaudido pelo numeroso auditório”.

Localização

- Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, anno 53, n.298, p.4, 27 out. 1874. Capturado em 18 mai. 2025. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_06/9736

Ficha técnica

- Pesquisa: Yolanda Lopes de Melo da Silva, Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca. 

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 92. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 30 nov.. 2025. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=682

 


Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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