Conferência Popular da Glória nº 684
Data: 27/01/1901
Orador: Manoel Francisco Correia
Título: Sobre a primeira escola normal fundada no Rio de Janeiro.
Aviso, íntegra ou resumo: Resumo
Texto na íntegra
“Iniciando a conferência popular anunciada ontem na escola da Glória, disse o Conselheiro Correia:
Senhores - Quando recentemente um acontecimento ocorre que interessa à sorte da humanidade, impõe-se aquele que tem de falar em público o dever de referir-se a ele, desde que o assunto pode ter cabimento, como em conferências populares, onde se há invariavelmente combatido pelos grandes princípios que nobilitam a condição humana.
Uma rainha pode desaparecer da face da Terra sem que haja motivo para referência ao fato em ocasião como esta; mas quando for a Rainha Vitória, da Inglaterra, a respeitosa menção do infausto sucesso explica-se, justifica-se.
Temos aqui pugnado sempre pelo acatamento aos direitos do homem, e pela escrupulosa manutenção da liberdade do povo, propagando com energia os assomos da ditadura e as violências da tirania.
Para nossa pátria só temos desejado que o cidadão e o estrangeiro vivam nela tranquilos, seguros de deus direitos, à sombra de leis respeitadas que os garantam; assim como que ela seja governada de acordo com a vontade do povo manifestada com inteira isenção em comícios eleitorais livres, punida a fraude perversa que a deturpa, um dos maiores crimes que se podem praticar contra a felicidade pública. Quando o Congresso não é o espelho onde a fisionomia nacional se estampe com suas verdadeiras cores, a autoridade das leis se enfraquece e os poderes públicos perdem a majestade de que os revestir a sua origem limpa de mácula.
A rainha Vitória, em seu longo reinado, firmou por tal forma os direitos do cidadão inglês que um nosso patrício, dos mais notáveis por seu superior talento, o conselheiro Dr. Antonio Ferreira Vianna, pôde exclamar estando na Inglaterra: Aqui se reconhece que ser homem é uma alta dignidade!
A esta título de glória, já de si suficiente para encher a mais recomendável ambição, a rainha Vitória reuniu outro, anelo dos bons brasileiros, a liberdade eleitoral de tal forma que, em muitos casos, na batalha das urnas, coube à oposição o triunfo; o que quer dizer que não agitam a Inglaterra receios de revolução, o último recurso dos povos contra o mau governo e a opressão.
A rainha Vitória reina diante da posteridade, não pela coroa herdada dos antepassados, mas com o diadema do próprio mérito, com o resplendor das próprias virtudes.
A história a colocará entre os beneméritos da humanidade.
A quantos chegam a essa altura pouco acessível, o louvor de lábios que não se mancham com a lisonja é tributo que, no primeiro ensejo, deve ser pago sem hesitação.
Não tem autoridade a minha palavra; mas há de se permitir que eu manifeste o voto ardente de que no Brasil imperem como no venturoso reinado que terminou para a Inglaterra em 22 do corrente mês, o respeito inabalável aos direitos individuais e a plena liberdade eleitoral.”
Localização
- O Paiz, Rio de Janeiro, Anno XVII, n. 5956, 28 jan. 1901, p. 2 (resumo). Capturado em 21 jan. 2026 (online). Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_03/1970
Ficha técnica
- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 684. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 27 jun.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=1292
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)