Conferência Popular da Glória nº 16

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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Data: 25/01/1874.

Orador: Luiz Correia de Azevedo

Título: A educação e o ensino obrigatório

Aviso, íntegra ou resumo: Íntegra

Texto na íntegra

“Senhor, senhoras, senhores. – Da tribuna autorizada por brilhantes talentos e ilustres campeões do trabalho intelectual, ides ouvir hoje fracas e humildes vozes a traduzirem um pensamento supremo de liberdade preso às conveniências do dever, avassalado ao mágico e suave jugo da cultura intelectual e moral de um povo.

Quando d’aqui se lançou a palavra – ensino obrigatório – parece que n’este auditório, ainda o mesmo de então, percorreu um como sonido de discordância ou de reprovação.

Aquele vocábulo – obrigatório – soou aqui como o – não – do padre Antonio Vieira, duro e empertigado.

Não bastou ao orador autorizado, que lançou da tribuna o seu pensamento cheio, completo, iluminado, o haver cumprido um dever nacional; não bastou tudo quanto nos explicou, tudo que citou, tudo que concluiu logicamente. Era lei do século formar resistência contra um simples vocábulo que exprime em todo o caso a maneira de libertar-se o homem do jugo da ignorância.

É obrigatório o imposto fiscal; é obrigatória a vacina como pretendido meio preventivo da varíola; isto tudo, que a civilização e a cidade reclamam é obrigatório; - só o não deve ser o ensino!...

De indústria não iremos a outras fontes, além das nossas próprias, colher dados ou ideia para sustentarmos esta tese. Temo-los de casa, nacionais, todos nossos, climatéricos.

A este vasto império cabe uma vasta missão no mundo do adiantamento. Aqui é-se assaz grande, assaz independente para dar-se também uma opinião no tocante a assuntos de felicidade social.

As sociedades francesas, inglesas, alemãs, não nos podem dar tipos de organização de ensino público exclusivamente sem primeiro sermos ouvidos acerca da vida e das necessidades nacionais, especiais a esta parte da América.

Clima, costumes, usos e educação nos colocam em especialíssima posição, a respeito dos métodos a seguir no ensino público.

Se contarmos só com medidas generosas de instrução que todos, sem discrepância, aceitam como uteis e boas, talvez olvidemos um pouco a facilidade com que n’este clima o amor paterno ou materno cai em indolência.

Na casa da família, onde os filhos são demasiadamente queridos, há sempre uma desculpa para o menino que se não sente disposto a ir à escola; d’ahi, d’essa negligência, nascem pretextos, desculpas e erros. O menino não irá à escola porque doi-lhe a cabeça – porque está quente o Sol – porque chove ou venta – porque há batizados, festa em casa – mesmo porque não quer ir; e ao pequeno cidadão nada o deve obrigar.

Se na compreensão de nossos direitos não estudarmos religiosamente os nossos deveres, andaremos sempre a descobrir grilhões que nos manietam da nossa liberdade individual.

Mas a liberdade só pode existir, real e sagrada como deve ser admitida, quando por educação possuímos e executamos a doutrina de todas as nossas obrigações.

O homem que, pequeno, vem formado da família nos princípios da educação física, religiosa e social, que recebe o selo da cultura de maneiras, de sentimentos, de palavras e de atos, espere sempre que a voz da lei lhe marque os deveres respeitáveis que o habilitem a ser livre em toda a plenitude da cultura humana.

O homem pertence à nação; concede-lhe ela direitos, mas também reclama d’ele o cumprimento de deveres. Da mesma forma que a faculdade outorga um diploma, que exige habilitações scientíficas, que são obrigatórias, assim também a pátria concedendo o título de cidadão a todos os seus filhos, vai n’esse título a obrigação de autorizá-la por meio de estudos e sacrifícios. Quem pois tem mais direito de impor a sua lei severa aqueles que conjuntamente constituem a nação?

O alfabeto deve ser estudado – a cartilha deve ser compreendida – o livro de doutrina deve ser decorado. Este deve ser – é a obrigação filosófica de todos. Este deve ser não é atentado à liberdade individual, mas a imposição de lei da cultura e do aperfeiçoamento; é este o meio de ser-se livre, por isso que se aprende a sê-lo de uma maneira esclarecida.

Em absoluto não é livre o homem: sujeito às dores desde o seu nascimento, vassalo de suas necessidades materiais, cativo das transformações da vida, ele paga no fim da carreira, a liberdade da existência que lhe é assinalada, com a morte de seu organismo, o desaparecimento de sua individualidade.

Pensais que os que tem fome e sede soltem facilmente o grito de liberdade? Pensais que o ignorante que tem consciência de sua inferioridade, não se sente sujeito, escravo, d’esse seu estado incompleto, d’essa impossibilidade de suas forças intelectuais?

Os cegos, os surdos, os mudos, acham na instrução os sentidos que não possuem.

E a cirurgia diria a um homem a quem falta o nariz, ou braço ou perna: substitui esses órgãos por uns artificiais, para que não fique perturbada a liberdade e a harmonia de vossos movimentos. Aqui a temos altamente obrigatória esta arte de curar, que concede a liberdade por meio de imposições, às vezes dolorosas.

E assim como a ciência o impõe, porque não também o Estado, que é o santuário das ciências sociais?!

Eu desejava n’este ponto pedir licença aos ilustres que me ouvem, para exprimir o meu pensamento inteiro no acto de fazer estas objeções. A nossa raça latina, sensível por demais, ciosa em extremo, imaginativa em alto grau, dá às vezes à liberdade interpretações incríveis, absolutas, absurdas até. Confunde-se liberdade com a voluntariedade: pensa-se filosoficamente, mas não se subordina a arte de viver às doutrinas sociais, aceitas e sancionadas pela educação.

Não é aqui o lugar e a ocasião de exemplificar o que acaba de ser dito: na consciência de todos que aqui se acham congregados sobeja a convicção no tocante a este pensamento.

Vejamos agora ao anverso d’esta nossa raça o que se viu e o que se vê.

É certo que foi a Prússia o primeiro país que se lembrou de pôr em prática a medida salutar do ensino obrigatório. Acusa a raça latina da Europa de haver sido este país sempre o tipo da organização militar. Mas, que tem as armas com o ensino público?

Parece, à primeira vista, ser isto um antagonismo.

Não o será, porém, desde que se considerar que a organização militar importa o aperfeiçoamento da disciplina, e que é esta mais do que habituar-se o homem a um regimen de educação, que seja o seu melhor móvel moral na sociedade. Desde que os benefícios da educação promovem a felicidade de um povo, desde que esse povo compreende que há sacrifícios urgentes a fazer à sua individualidade, desde que o estado chega a avaliar o muito que da educação – da disciplina – geral se colhe em proveito da humanidade, é dedução d’estes princípios – que, da educação bem dada, mas também bem compreendida, emana o princípio do ensino obrigatório, isto é o ensino, como um dever sagrado de cada homem para com a sua sociedade.

O Reno apenas separava a pátria do ensino obrigatório, do país glorioso que o ensino não o era. A França inundava o mundo com os estudos de seus publicistas: este cabedal vinha em língua de origem latina, mas a França, menos positivista do que finge ser, não pôde furtar-se a admirar esses seus vizinhos germânicos, que na revolução imensa das ideias e das doutrinas, suplantava na generalização do ensino público as teorias dos markgraves e todas essas aspirações feudais, às quais falta generosidade no pensamento e no sentimento. O landwehr e o landsturm, instituições gigantescas da pátria dos pensadores, educavam o homem, e a educação levava-o aos ginásios, às oficinas, aos laboratórios e às universidades. A velha pátria de Goetz de Berlichingen curava tanto do caráter e dos costumes do alemão, que o dever tornara-se suave, tão religiosamente, tão de raça era ele considerado.

N’aquele país da liberdade do pensamento e da cultura zelosa e profunda d’ele, nenhuma das instituições humanas é um mito.

A pátria não é madrasta do homem, mas uma mãe sensata e carinhosa. Ela quer para seus filhos a maior soma de bens; e como a liberdade é de todos os melhor bem, o alemão a possui por educação e por ensino.

Desnecessário é aqui citarmos em apoio tudo que esta ilustre reunião já o sabe. Seria repetir fastidiosamente, dizer d’esta tribuna que o povo alemão, culto e educado por excelência, aceita o ensino obrigatório como o único meio de engrandecer generosamente os limites de seu país e a excelência de sua nacionalidade. A pátria de Klopstock, de Voss, de Goëthe, de Schiller, de Wieland retalhada em nacionalidade distintas e que dera o Theodoro Körner a interrogar patrioticamente:

Wo ist’s des Deutschen Vaterlands ? Teve nos modernos tempos os assinalados e eloquentes limites de sua unidade.

A pátria do Alemão – está ahi onde a educação, o sentimento e a cultura intelectual são prerrogativas do povo. Está ahi essa pátria, onde o Estado solícito e zeloso tem compreendido que a educação é a higiene da alma, tanto quanto ar e a agua bons constituem a higiene do corpo.

Está ahi onde Liebig arranca no laboratório orgânicos, todos os agentes de uma composição; e que vem depois dar ao Estado em observações e conselhos luminossisimos como e quanto se deve obstar ao aniquilamento ou enfraquecimento da vida nacional.

E depois de bem autorizado pela observação, pela carater e pela sciencia, vem o Estado e impõe ao povo todas as medidas que tendem à conservação da saúde e do indivíduo, e o ensino obrigatório como único meio de fortificar o homem pequeno no trabalho que tem de prefazer para chegar a ser um cidadão culto.

Sabeis como se fazem essas imposições?

O cura na aldeia é o mestre e o padra.

O cura é geralmente um homem instruído e qualificado. Todos o saudam, todos o respeitam, todos o amam.

Nenhum rapazinho ousaria demorar-se no campo, junto ao chafariz, ou no adro da ermida, à hora em que vai ouvir a lição do Sr. Cura. Aquela hora é para ele, como a oração, sagrada e grave.

O cura ensina, aconselha, dá o exemplo e explica o preceito. Não há resistir aquela sua amabilidade, aquela sua bondade, aquela fluência no falar, aquele molde de compostura.

Pestalozzi, o evangelista do ensino, o filosofo das crianças, dera o exemplo da maneira de ensinar a ler, a compreender e a raciocinar. A Suíça não conservou em si o segredo d’essa arte exclusivamente: a Alemanha apoderou-se d’ela, porque dos impulsos de raça viera ela a Pestalozzi.

Ao relembrar estes factos nos entusiasmamos perante a ideia do ensino obrigatório; e parece que uma voz interna nos grita incessantemente: dai de comer aos que tem fome para não morrerem inanidos – dai a instrução aos que d’ela carecem para que não morram de ignorância.

II

Foi dito d’esta tribuna, que ora ocupo humildemente, que as classes operarias careciam de instrução para que o véu que encobre o Brasil, quiçá aos olhos dos observadores do mundo culto, rasgue-se de uma vez, e deixe ver este belo império, gigante, na grandeza de suas proporções e na generosidade de suas aspirações.

Aplaudimos cordial e entusiasticamente essa previsão. Ao ilustrado orador, que assim se exprimiu, juntamos também os votos da nossa inferioridade social, e aliás com aquela vontade e bons desejos que nutrimos por tudo que toca de perto o engrandecimento e a reputação do Brasil.

Sim, senhores, vamos com empenho e dedicação instruir essas classes, que são músculos, fibras, circulação, vida do organismo da nação. Mas, reparai bem, convém educar, para que seja proveitosa a instrução; convém disciplinar esses filhos ativos do trabalho, para que possam compreender qual e quanto é a dignidade e o proveito do homem que sabe, quando o saber está envolvido na compostura de bons usos e costumes.

É o medo que ousaria perguntar até que ponto o ensino religioso se prática nas famílias?

Sim, senhores, sem aquelas arras da religião, sem aquela puríssima cultura da fé cristã, como iniciar-se o discípulo nas matérias de um ensino que tem por fim sempre torná-lo homem feito, cada vez mais grato a Deus, que lhe dá outorgado uma pátria, uma família, uma inteligência e amigo que o consolam e o fortificam?

Mais ainda, senhores: como é possível ser profícua a instrução que não for escudada nos bons preceitos de família e de sociedade; na arte de falar aos superiores, aos iguais, aos inferiores – na maneira de obedecer – na forma de viver com os companheiros – no respeito devido a tudo que é respeitável – na decência das posições, das frases, dos colóquios, de necessidade urgente, que classificam um homem de bem-criado?

Bem vêdes que os obreiros que vivem geralmente em comum, em pequenas ou grandes sociedades, carecem como própria garantia dos patrões, ter bons costumes; se em tempo lh’os não impuserdes, quando os terão eles? Depois de instruídos?

É tarde; a inteligência culta torna-se às vezes demasiadamente soberana e voluntária.

Geralmente é de junto da família que o pequeno homem vai para a escola já formado em bons costumes.

A educação, pois, tem de ser uma segunda maternidade. A primeira dá o feto à luz; a segunda entrega à escola o pequeno já afeito à vida independente.

E, pois, a maternidade está na mãe; mas não na escola.

Na escola está o alfabeto, a tabuada, o cálculo, o livro, o catecismo, o léxicon.

Na família, isto é, na mãe, está o santuário da educação.

O menino que vai aprender, antes da inteligência, a educação materna; sem esta tudo o contrariaria, tudo o incomodaria, a tudo resistiria. Sem ela a revolta: e a revolta é o mal.

Com ela a obediência, a discrição, a coerência; e estas qualidades engendram bens da alma e bens do coração.

Senhoras! É n’este momento supremo que advogo a educação do filho, que me dirijo a vós, porque ou sois ou tendes a ser mães.

Sabeis que há na Alemanha uma pequenina flor, que fazem passar pelo símbolo da recordação suave e eterna. Essa flor presta-se, por seu tamanho a ser colada na folha de um álbum ou na página de uma carta.

É o Vergiss-mein-nicht!

Pois bem, se da santidade de um sentimento eu quiser n’este instante dar-vos uma imagem suave, harmoniosa, sensível, graciosa e intima, eu vos direi que a mãe – nossa cara mãe – é o Vergiss-mein-nicht que a infância afetuosa e grata fixa bem dentro do coração, para que a imagem vá, com toda a sua significação e sentimento, até aos confins d’essa nossa peregrinação da vida, não raras vezes, sendo nós semelhantes à andorinha perdida em país invernoso, cansada voando para horizonte e clima mais temperado.

É este o pedestal que eu formo com o pensamento para a mãe: dando-vos, portanto, a medida de minhas crenças como filho e a intensidade de minha sensibilidade e como homem para com aquela querida e santa mulher de cujas carícias e afetos carecemos em todas as idades.

Já vêdes que os instintos filiais não poderiam só por si dar tal monta de veneração e amor a uma mãe.

É, pois, o que em mim fala n’este momento a educação que eu lhe devo – carta branca e passaporte que me deram entrada em todas as faculdades e em todos os países.

Todas as classes do mundo têm uma mãe tipo; e essa mulher, em todas as hierarquias, é o símbolo do amor e da brandura.

D’aqui se depreende qual a importância que tem a mãe no espírito do filho e qual o papel notável que ela deve representar nas sociedades cultas.

A mãe é o princípio da vida, o princípio da fé, o princípio da escola e o cunho de toda a educação.

O que ela fôr será o filho.

Singela, regular, refletida, sensata, sisuda, cheia de crenças, o filho será o depositário de suas doutrinas.

Vaidosa, irregular, impaciente, caprichosa e leviana, d’ela herdará o filho essas más qualidades.

Assim, se ela for teimosa, ignorante, menos bem educada, cruel e invejosa, no filho ela será reproduzida para desventura sua e da sociedade em que vive.

Mas em todos estes tipos que esboço imperfeitamente não está, no complexo das justas exigências, a mulher de 1873, a mãe de hoje, a senhora culta e civilizada; a companheira do sábio, do jurisconsulto, do engenheiro, do médico, do escultor, do arquiteto e de todas as classes industriais e ativas, como hoje fora para desejar, andará talvez menos bem representada n’esse conjunto que as modas imaginam e a costureira caprichosa com mão pródiga e nervosa lança em todos os vestidos que constituem o uso d’este ano de transformações esquisitas nas roupas femininas.

Sustentando a causa do gosto, do belo, do útil e do nacional, não vá alguém supor que aquele que assim começa a exprimir-se seja um janisaro intratável e bárbaro.

Por não sê-lo, por sentir-me eu profundamente inclinado ao positivismo da verdade e à legítima poesia das formas graciosas do vestuário feminino, é que tomo sobre mim o entreter-vos um pouco com o que penso a respeito da mulher de 1873, tal como o Brasil a deseja e ansiosamente a quer, mas de molde mais nacional.

Senhoras! Deu-vos Deus tais dons, tantos e tamanhos, físicos e morais, que é um crime não avaliá-los devidamente cultivando-os em proveito da pátria e da família.

O vosso espírito pronto e fino, as faculdades de vossa rara sensibilidade, a inteligência luminosa, a bondade característica vossa, e a vossa modéstia e pureza são dotes pelos quais vos deveríeis considerar uns seres destinados pela divina Providencia a algum fim mais nobre do que ostentar e dar o tom nas reuniões festivas.

Pretender serdes só belezas plásticas, seria roubardes a limitada missão à estatuária ou à pintura. Thorwaldsen e Rafael Sanzio tiraram do mármore e da paleta tão somente os produtos da beleza das formas; vos vindes de mais santa origem: sois as descendentes da cristianíssima Mãe Imaculada, que deu ao mundo um evangelho de castas virtudes, para que o mundo remido tivesse mais conforme os destinos que foram preditos por nosso Senhor Jesus Cristo.

Vós sois o resultado da regeneração da mulher.

Em todos os poemas que vos cantaram não achareis jamais capítulos tão magníficos como aqueles em que Jesus Cristo faz justiça à mulher, arrancando-a ao jugo brutal do homem e dos sentidos, fazendo d’ela um tipo de brandura e de conforto, a mestra e a mãe da humanidade remida.

A tão grande, tão generosa missão não deve faltar o vosso espírito e todas as forças de vossa vontade.

Esse mal-aventurado realismo representado pela escola de Feuillet, de Victoriano Sardou, de Dumas Filho e de outros, que vos prenderão a atenção e os sentidos, perante todas as doutrinas da cultura e da compostura moral da mulher cai despedaçado nas dobras de uma luxúria literária, que tem sido tóxica em demasia n’estes últimos vinte anos.

A linguagem que vos falamos, que não exclui a cortesia que vos é devida, parecer-vos-a talvez um pouco dura ou de forma menos gentil, em face dos hábitos que haveis contraído na jornaleira comunhão da lisonja e do cumprimento banal, quiçá indiscreto.

Nós não vimos a esta tribuna por um vaidoso impulso de capricho oratório; mas nós, ao subirmos a este púlpito da escola do povo, viemos revestidos de uma missão de verdade nacional: queremos e devemos dizer às senhoras brasileiras tudo quanto na educação anda por aí descurado ou falseado.

Lutamos em favor da mãe da atualidade, por isso que só ela inoculará no coração e no espírito do filho a obrigatoriedade que há no ensino em geral. Essa mãe, pelo sentimento e pela reflexão, mais filósofa do que todos os publicistas de hoje, tocada da urgência que há nos progressos da civilização do Brasil, educará seu filho com zelo e dedicação, para que ele, compenetrado de seus deveres, entre na escola e se esforce por juntar à educação que recebeu em casa a instrução que, com mão liberal, o governo que o prodigaliza.

Não vemos, no vasto campo de todas as possibilidades atuais, nenhum iniciativo maior à geral instrução do povo do Brasil, do que a potência da educação na família, fazendo surgir os filhos do povo na inação em que vivem, e irem à escola dedicar-se à instrução que lhe é generosamente ministrada.

E urge a propaganda da educação da família, por ser urgentíssima a instrução pública e mais universalmente derramada.

Desde que a sublimidade das ideias generosas d’este século rasgou os pergaminhos do acidente de um nascimento ilustre, e concedeu ao merecimento o feudo e a superioridade, há em todas as classes sociais, ricas ou pobres, a necessidade da instrução. Os nomes herdados foram subordinados às individualidades do mérito conquistado pelo próprio esforço. Para que, porém, esse mérito tenha toda a superioridade de sua legitimidade, para que ele possa ser útil e luminoso à sociedade que o admira e acata, convém que ele seja baseado em princípios de boa educação.

Ora, a educação é como o ar puro e saudável: convém que todos o respirem par terem saúde e vigor. Instruir-se um homem, sem primeiro ser ele educado em família, equivaleria a formar-se sobre um pântano um esplendido jardim, mas no qual as flores e frutos morreriam intoxicados no mephitismo ambiente.

Senhores e senhoras! Convém aqui, sobretudo, realçar os efeitos da educação do homem.

O homem fisiologicamente considerado, que é ele mais que um complexo de funções e de instintos?

Ele tem fome, tem sede, tem movimentos múltiplos de voluntariedade, e sobretudo tem paixões a satisfazer e destinos a cumprir.

Denominaram-no o rei da criação.

D’aqui se depreende que a tudo que o cerca ele domina, como senhor absoluto.

Mas, lá vem a sociedade organizada e lhe diz:

-Tu soberano, por amor da igualdade, da liberdade e da amizade em comum, faze aos outros sempre o que queres que te façam.

E esta doutrina imensa do amor ao próximo contém todos os artigos da constituição social humana e cristã.

Armado da lei de Deus, presos a seus instintos a todos os princípios de sua educação moral e religiosa, ei-lo livre, trabalhando, pensando, protegendo, falando e explicando; - ei-lo, gigante do sentimento, sentindo pulsar-lhe o coração e a mente por tudo que é legítimo e é nobre; - ei-lo, discípulo do mundo, iniciando-se nas artes, da indústria e nas ciências; - ei-lo, o homem feito, dando o braço e a cabeça à pátria, à família, a seus semelhantes, fundando a sua individualidade com todos os direitos e deveres que lhes são inerentes.

E pois esse ser fisiológico, esse tronco anatômico, está subordinado à vida social, que contém em muitas de suas partes oposições rudes, mais necessárias, às reclamações da matéria, às gritas de seu temperamento e às exigências de suas paixões.

O evangelho e a educação são as potencias inquestionavelmente majestosas que arrancam a Buchner o seu – homem-matéria. E estas potencias são as que constituem a sociedade culta e antada.

Oh! Se concedêssemos ao homem todo o livre exercício e emprego de suas solicitações materiais, houvera mister, para evitar-lhe os botes, e as garras, e os dentes, conservá-lo em uma jaula.

Sim: tão felino se póde tornar um homem quando a educação o não bafeja desde a tenra idade.

Já, pois, que tocamos na educação como o único motor da civilização do homem, aquele que pode debelas paixões e instintos maus, acusemos a falta completa d’essa educação na perpetração de crimes horrendos, cometidos por homens que aparentemente eram à nossa semelhança.

Dizem os criminalistas que são d’esses crimes atenuantes as paixões dos homens, as odiosincrasias, as alucinações momentâneas ou as menomanias.

Admiramos Esquirol, Orfila, e altamente admiramos o infatigável Casper, que deu à justiça pública um Magnum Lexicon de preciosíssimas investigações e conclusões.

Todos esses gênios fecundos trouxeram luz à questão criminal, resolveram-na mesmo; o que porém não nos disseram – o que era de alta importância – como prevenir tais excessos em dados caracteres e paixões?

Debridai, senhores, como o escalpelo da observação, todas as fibras de um homem tornado monstro, e ou acusareis a sociedade em não sequestrar suficientemente os seus dementes, ou então o não impor às famílias todos os princípios da educação moral e religiosa. Que um homem demente, mal-educado, ou aquele que se embriaga por vício são alucinados capazes de cometer todos os mais horríveis crimes, quando lhes sobrevier o acesso de seus impulsos irresistíveis.

Não consintamos, senhores, na desgraçada teoria das atenuantes absolutas. Consultemos nossa consciência, nossos fins, nossos deveres religiosos e julguemos os miseráveis da educação, como devem ser julgados, como criterium  mas com honesta severidade. Façamos um apelo a todas as mães, mostremo-lhe todas as grandes vantagens da educação dos filhos, para que, no futuro, arrependidas de sua negligência ou de seu indolente e cego amor materno, não chorem amargas lágrimas pelo filho prejudicado por falta de educação de família.

III

Está escrito em letras douradas, por cima do pórtico d’este templo do ensino público.

- O Governo do Povo –

Isto quer dizer que os administradores cultos e previdentes d’esta terra dão grande passo na emancipação do homem pelo ensino escolástico.

O governo dá ao povo o pão do espírito; mas é preciso que o povo se prepare para receber a partícula d’essa magna e santa comunhão com todas as habilitações da educação de família.

Os filhos do povo devem vir à escola: obriga-os a isso as solicitações de seus deveres humanos e nacionais, e a generosidade do pensamento governativo que prepara o palco onde deve ser exibida a profusão do saber.

Os filhos do povo devem vir à escola, que lá está a educação moral e religiosa que lhes dita o dever, e a lei que manda que o pão do espírito seja distribuído em nome do Brasil a todos os pequenos brasileiros que d’ele carecem.

Bem haja o espírito esclarecido do ilustrado brasileiro, o Sr. Conselheiro Manoel Francisco Correia, patriota cheio de vida e entusiasmo, que nos veio do alto d’esta tribuna relembrar a doutrina do ensino obrigatório, e vitoriosamente advogando a causa d’esta doutrina.  

Bem haja esse homem público tão aplaudido e por muitos tão amado, de recordar a esta geração que representa a atualidade brasileira, qual é a necessidade urgente do ensino.

Por honra minha, inspire-me essa sua amizade que prezo e acato, para no desempenho d’este meu dever cumprir à risca com o que me dita a consciência.

Para provar-vos, senhores e senhoras, que deve o ensino ser obrigatório, e aliás provindo essa obrigatoriedade da educação recebida, já vos enunciei o meu pensamento. Não me demoro, nem me demoraria jamais em apoiar essas ideias consignadas aqui em opiniões alemãs, francesas ou inglesas. Respeitamo-las, arquivamo-las; no caso, porém vertente, entende-se que é em nossas especiais condições sociais que se fala em ensino obrigatório.

Já Cousin o havia anunciado a perto de trinta anos ao governo de seu país, que o ensino público em França não poderia jamais ser moldado pelo da Alemanha, por isso que outras eram as condições da sociedade francesa.

Esta citação, entre gente de vossa superior ilustração, não carece de ser por mim comentada.

Falamos no Rio de Janeiro e para o Rio de Janeiro.

Nossas repartições estão cheias de mocidade inteligente e vigorosa, à qual talvez falte um não sei que d’este incentivo varonil que só o caráter e a educação nacional concedem.

As oficinas de nossos arsenais estão cheias de rapazes inteligentes, habilidosos, dignos de muita atenção e de boa sorte, aos quais falta quiçá educação regular e a necessária instrução.

As nossas escolas particulares são colônias numerosas de crianças de ambos os sexos e várias idades, onde a indolência por tal forma ataca os bons usos e costumes, que a juventude deixa de ter esse colorido da saúde e essa enérgica turbulência nos exercícios corporais. Nós o vemos, velhos aos oito anos apenas, calmos, tristonhos, pálidos e receosos de tudo e de todos.

N’esta carência pois do necessário para a infância, é evidente que a sua sorte está entregue a pais negligentes e a mestres menos cuidadosos.

Pais negligentes!... Mestres menos cuidadosos ou ignorantes! Senhores! Que horrível verdade é essa diante de nós: nós que diariamente fazemos votos pela educação e pelo saber de todas as classes!

E sabeis qual é o programa de pluralidade d’esses colégios?

É preparar alunos em pouco tempo para o exame público; é dar-lhes esse meio saber tão prejudicial, e que pascal cita no número das classes da ignorância.

Os professores ocupam-se só do indispensável, do compendio, da instrução convencional. Eles não se ocupam de nihilidades, nem em filologia, nem em matemáticas, nem em geografia e história, nem em filosofia. D’isso tudo – um extrato apenas! – é quanto basta – é o mais econômico em tempo e em dinheiro!

Acaso o positivismo de Stuart Mill e de Comte, fazendo progressos, ultrapassou os limites da razão?

Acaso o mercantilismo sem autor definido, mas de numerosos autores, foi intrometer-se nas teorias do ensino também?

Tem valor o dinheiro: o mundo ambicioso no-lo sabia diz a cada minuto do dia; mas também de grande valor é o saber, e isto a consciência e a boa educação no-lo afirmam constantemente.

O saber sério e útil presta-se a investigações incríveis, vastas, extraordinárias: nada n’ele é perigoso senão o meio saber e o saber o que se não deve.

Senhores! Eu venho de umas escolas que o gênio alemão alimenta de cuidados incessantes, onde os professores são altamente remunerados e acatados. Ahi tudo é saber, é digno de investigação: nada se despreza, nada é nulo ou inútil. E ele, ainda há pouco, no ano de 1872, n’uma dissertação inaugural, o candidato Diederich Rohde na universidade de Iena (Saxonia) escreveu 55 páginas, para obter o grau de doutor em filosofia, sobre este simples vocábulo: - O Verbo – to be – em Shakespeare.

É um estudante alemão, que jamais saiu do seu país, que sabe o inglês, mas que o não fala; sabe-o, porém, tanto e tão a fundo que em seus estudos foi aos escaninhos da linguagem e ahi arrancou o auxiliar – to be – à escuridão do seu variável emprego, dando-lhe posições determinadas e usos demarcados.

Isto é apenas citar só um pouco do muitíssimo que no ensino alemão se consegue vencer e adquirir, tal a excelência da obrigatoriedade do ensino.

O ensino obrigatório é ahi o landwehr do público saber. Na escola primária toma ares de uhlano, sentinela exploradora avançada, que descobre terreno sólido e que guia o corpo do exército numeroso até ao seio das universidades – baluartes das ciências e do nome nacional.

Não ataque eu n’esta comparação guerreira os escrúpulos elevados de espíritos susceptíveis. Quero apenas só moldar assim exemplos eloquentes que me defendam a doutrina da obrigatoriedade do ensino público.

IV

Quando se levantam palácios suntuosos à publica instrução, quando tudo convida a animarmos todas as classes a vir receber o batismo do saber, é urgente perguntar-se pelo estado da educação dos meninos de todas as classes, para poder-se esperar os bons resultados d’isto tudo que nos ocupa na Escola do Povo, da freguesia da Glória.

Não estudar o terreno que se pretende fazer frutificar, arar no vasto campo privado de condições de vitalidade, é o mesmo que pretender plantas as sementes nos areais do Saara, quando o simoun as move em redemoinho.

Ah! Venha a educação, a educação que é vida e a doutrina do coração, que é o oásis no deserto vasto da vida dos instintos, que é o pedestal sobre o qual se pode erguer a majestosa coluna do saber, que diga aos vindouros quantas glorias a humanidade entreviu na cultura da inteligência.

Venha a educação, que ela é o Sol boreal, a esperança e o conforto d’aqueles exploradores do Polaris, quando no navio, presos nos gelos eternos d’aquele terno e vastíssimo Septentrião, onde as vistas humanas descobrem sempre horizontes sem fim, gelo – neve – o impossível e o infinito! – esperavam e se esforçavam por viver.

Tal foi a figura de que se serviu n’esta tribuna o ilustrado Sr. Dr. Duque-Estrada Teixeira, logo no princípio d’aquela sua luminosa conferência – na qual expos, com maestria e talento, quanto a educação remia as classes operárias, que um mal-entendido abandono deixa entregues à ignorância ou aos vícios.

O Polaris n’esse deserto de gelo nos representa também, ao vivo, a sociedade sem educação. Um ar de gelo circunda a galera ovante de todas as conquistas – presa aí, sem saber, nem maestria, nem experiencia, nem esforço do homem, são capazes de a fazer vogar. O pesado vulto aí está debatido por todas as tormentas, à matroca, sem rumo, sem norte, sem direção, sem ponto fixo a atingir.

Se o saber – como dizem alguns: é o pão do espírito, é lógico que a educação seja a arte de o comer.

É das nossas doutrinas de família que não basta só ir à mesa alimentar, mas que a este ato deve presidir a decência, a sobriedade et doas as boas maneiras.

Ora, aquilo que de nós se exige para a mesa do repasto, com muito mais razão se deve exigir na comunhão social.

Em uma grande cidade como é esta há sobretudo grande urgência de educação em todas as classes sociais.

Há deveres para conosco mesmos, para as leis, para com os nossos semelhantes, e sobretudo para com Deus, que não devem nunca ser esquecidos.

O vestuário deve ter o cunho da regularidade, da possível decência e nunca despertar, por sua originalidade, as vistas dos nossos semelhantes, ou produzir nojo ou desgosto por seu desasseio e desordem.

O município nos concede favores e nos dá lugares de distração; devemos nós ter toda a cautela em não derrancar plantas, cortar arvores, destruir flores ou outros ornamentos públicos. Castigar muito ou maltratar os animais, ou os nossos inferiores, é uma prova de péssima educação. Revoltarmo-nos contra os representantes da força pública, tratá-los desabridamente, insultá-los, são indícios de educação viciosa e de nenhuma reflexão.

Em público e em particular nos devem merecer os velhos, as crianças e as mulheres, todas as atenções e cuidados. A mocidade de um povo que falta a este preceito, que é indiferente a ele, ou que moteja dos velhos, das mulheres e das crianças, insulta a civilização e dá ideia dos princípios incultos que recebeu em família. Há além d’isso, na convivência publica, uma certa polidez que é muito própria de nossa raça, e que também nos põe acima da frieza metódica e original das raças do norte da Europa, frieza e indiferença que na passagem d’essas raças para os Estados Unidos não foram modificadas.

O respeito que devemos a tudo que pertence ao nosso culto religioso deve transpirar em todos os atos, quer públicos, quer particulares, por isso que ele indica a gratidão para com o Criador, que nos concedeu as faculdades de admirar e venerar a sua onipotência e a sua misericórdia.

Se nos curvamos respeitosamente ante os grandes superiores da terra, é logico que com muito mais razão devemos reverenciar tudo que diz respeito às nossas relações para com Deus.

Confessemos, senhores, que na mocidade de algumas classes de nossa sociedade fluminense, são estes princípios salutares demasiadamente esquecidos.

E é por isso que frequentemente nos anunciam conflitos menos dignos da mocidade inconsiderada que em público se reúne quer para estudos, quer para distrações.

Por isso somos de opinião que a escola do povo deve ser escolas modelo. N’ela junto ao ensino deve dar-se em profusão todas as noções de boa educação.

A higiene privada deve ser conhecida por todos os que se dizem cultos.

Nas escolas da Alemanha, logo cedo, se ensinam as regras da higiene indispensável. Um rapaz lá sabe que se não deve comer nem muito quente nem muito depressa – que se não toma banhos no ato da digestão – que se não fazem exercícios fortes corporais e mentais enquanto passam por aquela bem conhecida febre cibaria – que depois de uma grande corrida se não deve sentar ninguém sobre uma pedra fria; e mil outros preceitos que são necessários à conservação da saúde, e cuja posse dá ao pequeno homem um cabedal da ciência positiva e útil.

Os nossos filhos, com raras exceções, de nada d’isto sabem; e mais reprovável é que os próprios filhos dos médicos também o não saibam.

Concluindo, pois, evitando cansar a vossa atenção, quem não verá na educação bem compreendida um móvel do saber, um instigador ao ensino obrigatório?

Não ensinar-se é não querer dar liberdade ao homem: obrigar a saber será, pois, a potência que desperte na alma da mocidade todas as generosas ideias da liberdade social – que é a ordem.

O município dá-nos muito: garante a nossa paz, nossos costumes, nossa saúde e nossa propriedade; o município dá escolas ao povo – generoso presente! Assim pois, para que cada um de nossos filhos compreenda todos os bens que emanam da instrução convém que sejam iniciados nos deveres e nas obrigações que o homem contrai para com a sociedade – a família – o município.

E já que como homem culto se é obrigado a ser limpo, amante da ordem e decente, obrigado, muito mais obrigado se deve sentir o homem em instruir-se na escola que a pátria lhe concede. A obrigatoriedade aqui é, pois, mais um desejo patriótico e adiantada, do que uma imposição contra a liberdade do homem.

Provera a Deus que todas as miseráveis crianças do mundo pudessem ser obrigadas a ir à Escola do Povo, tal como nós a compreendemos e almejamos.

E se pouco se há feito no mundo, de real, útil e beneficente, aos pobres; já que uma caridade elevada funda hospitais para as doenças do corpo; fundemos nós escolas para a ignorância, que é uma doença da alma; mas sejam antes de tudo essas escolas núcleos de perfeita educação e bons costumes, para que o cabedal intelectual brilhe e honre a pátria e a humanidade.

Senhores! Não vim dizer-vos coisas novas e menos ainda discorri de uma maneira digna do assunto e de vós.

Sou pequeno, mas forte de vontade e dedicação. Queria dar a esta terra, a quem tanto devo, alguma coisa que lhe provasse minha gratidão. O assunto tentou-me; vim à tribuna cumprir um dever. Junto-me aos lidadores da publica instrução e da educação nacional; e do pequeno cabedal que possuo dou-vos n’isto tudo que posso.

E um dia quando a recordação do porvir se ocupar dos pequenos e dos humildes, diga-se de mim, parodiando o poeta, mas cordialmente:

Esta terra amou – e esta gente.

Localização

- Conferências Populares, Rio de Janeiro, nº6, jun., 1876, p. 100-122. (na integra). Capturado em 10 jul. 2025. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DOCREADER/278556/696  

Ficha técnica

- Pesquisa: Yolanda Lopes de Melo da Silva, Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca  

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 16. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 30 nov. 2025. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=607

 


Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)