Conferência Popular da Glória nº 178
Data: 23/05/1876
Orador: João Manoel Pereira da Silva
Título: Poesia dramática II. Teatro grego
Aviso, íntegra ou resumo: Íntegra
Texto na íntegra
“Tive já ocasião de notar-vos um fato para nós muito lamentável, para a humanidade uma perda imensa: é que tendo tanto florescido a poesia dramática entre os antigos gregos, legando-nos a tradição tão crescido número de autores, e de composições poéticas, admiradas em seu tempo pelo povo mais artista, de mais apurado gosto, e fina inteligência que tem aparecido na terra, bem poucas d'essas obras chegarão a nossos dias; de quatro escritores somente conseguimos possuir as produções, e estas mesmas em parte mutiladas, e as que conseguimos completas, por se não terem perdido como a maior parte, são muito poucas em relação ao número de seus escritos.
Assim, portanto, não podemos apreciar a poesia dramática grego senão em pequena escala. Só quatro poetas, Ésquilo, Sófocles, Euripedes e Aristófanes; só cerca de trinta dramas mais ou menos inteiros!
Sobre estas composições é que nos é lícito formar juízo, enunciar ideias, formar comparações, estudar o espírito que as animou, conhecer o povo que as aplaudiu, apreciar os poetas que as compuseram.
Eis a nossa missão na conferência de hoje.
Ésquilo foi o criador da poesia dramática, como já vos expliquei, historiando sua origem e seu desenvolvimento geral. Possuímos d'ele sete dramas completos. Perderam-se com o andar dos tempos, com as guerras e barbaria da idade média, mais de setenta. D'estes sete dramas, três formam uma trilogia fundada sobre o mesmo assumpto, conhecida pelo título de Orestia; um, denominado Suplicantes, era o segundo de outra trilogia com o título de Danaides; o Prometeu pertencia também a uma trilogia; os Sete Chefes contra Thebas parece que também se encerravam em outra trilogia fundada sobre a lenda de Laio; só os Persas se podem considerar drama próprio e separado.
Os Persas foram compostos para memorar as grandes vitórias dos gregos: posto que a cena toda se passe na Pérsia, pintando os grandes preparativos da invasão e a partida dos exércitos, narrando as derrotas vergonhosas dos bárbaros diante de um punhado de gregos, e lamentando os desastres e miséria em que a Pérsia caiu, como consequência e castigo de seu orgulho e ambição desenfreada; é menos um drama que um poema esta composição. Admiráveis narrações, hinos e coros de beleza quase inexcedível, cânticos entusiásticos ao princípio, e elegíacos no fim, formam a tragédia, onde apenas figurão a velha rainha da Pérsia, assustada por sonhos que a atormentam, enquanto o rei se demora em sua expedição; e o rei Xerxes, outr'ora tão poderoso, depois abandonado, derrotado, sem exército nem mais frota, e até sem o cortejo de soberano, lastimando sua sorte, e comovendo o espectador.
Destinada igualmente a cantar glorias dos gregos é a tragédia dos Sete Chefes contra Thebas. Tradições gregas poetizadas, libertação da cidade de Tebas que se deve considerar a protagonista e principal personagem, e cantatas líricas, que atingem o sublime. Em um e outro d'estes poemas falta propriamente a ação dramática; nem sequer aparecem pintados e fortemente descritos caracteres, que se reputem tipos, e que impressionem como devem.
Em relação às Suplicantes, formava a segunda parte da trilogia das Danaides, a primeira recontando a fuga das Danaides do Egypto para se não casarem com os parentes e a terceira expondo o assassinato que elas cometeram, dos maridos, que contra vontade haviam aceito. Nas Suplicantes pinta o poeta a chegada das Danaides na Grécia, o asilo e proteção que encontrarão, e a residência que aí elas fixaram; não interessa Ésquilo o espírito pela pintura dos caracteres, nem comove o coração pela luta das paixões. Nobreza e elevação de linguagem, arroubos líricos, ditirambos entusiásticos, nada mais encerra quase a tragédia.
Era a infância da poesia dramática, não nos deve admirar. Envolvia-se ela ainda nas roupagens, e mesmo na essência da poesia lírica e da poesia épica. Não possuía a autonomia própria, que a realça e diferença das suas irmãs, e lhe presta o colorido e valor peculiar, dando-lhe o verdadeiro brilho e ornamento.
As obras verdadeiramente primas de Ésquilo são —Prometeu— segunda parte de uma trilogia de que se perderam a primeira e terceira; e sobretudo a trilogia—Orestia—, que se divide em três dramas — Agamenon, Choephoros e Eumenides.
Convém desde já declarar que a tragédia grega, não era dividida em atos e nem continha entreatos; era seguida, e representava-se até o fim sem dar repouso ao espectador. Nas trilogias é que se suspendia o espetáculo entre uma e outra parte, posto que a cena continuasse aberta e; á vista, sem que caísse pano ou maquinismo que a separasse do espectador.
Os romanos depois é que usarão de pano para fechar a cena, e dividiram os dramas em atos, suspendendo o espetáculo entre um e outro, e formando assim os entreatos.
Na primeira parte perdida do Prometeu descrevia-se a vida d'esse Titã famoso na mitologia, semideus, que tendo pena dos homens, correu-lhes em auxílio espontaneamente, ensinou-lhes as artes e indústria, e deu-lhes o fogo, para d'ele se servirem, com o que irritou Júpiter, e provocou contra si a cólera do rei dos Deuses.
Na segunda parte, que possuímos, encontramos em execução a vingança de Júpiter. Em um rochedo atirado no seio dos mares entre a Europa e a Asia jaz preso, e atormentado por Vulcano, o infeliz Prometeu. Manifesta ao princípio sua grandeza com um silencio nobre e altivo a quanto lhe pergunta seu carcereiro. Visitam-no as Ninfas Oceânicas com hinos sublimes de poesia lírica. Promete-lhe Netuno interceder por ele. Então ergue Prometeu a voz, queixa-se, lamentasse em linguagem ousada e fremente. Para variar o quadro aparece lon, perseguida por Juno ciumenta, não encontrando repouso e asilo em parte alguma, e chorando sua desventura, nascida do amor que lhe consagra Júpiter. Prometeu lhe prognostica os futuros infortúnios, rasga a seus olhos o quadro do porvir, e deixa entrever que o poder e a coroa escaparão a Jupiter. O rei dos deuses, sabendo da profecia do Titã envia-lhe Mercúrio para o interrogar; não paira o destino somente sobre os homens, andam igualmente expostos a ele os deuses, próprios porque apesar de infinitamente superiores aos homens, não são mais que representantes da natureza. Prometeu recusa responder a Mercúrio, e então ronca o trovão, levantam os mares suas águas, estremece o rochedo sobre suas bases, e desmoronando-se, sepulta-se no seio das ondas com o infeliz Prometeu.
Uns literatos apreciam este drama como símbolo filosófico. Presentem a profecia da queda de Júpiter como adivinhação divina do futuro, que fará sumir-se o politeísmo diante da luz que Cristo derramou depois sobre o mundo, criando a nova e sublime religião, que salvou a humanidade.
Outros literatos, posto que apreciem o drama de Prometeu pela elevação de imagens, pompa e magnificência de pensamentos, e arroubos líricos do voo mais crescido, não lhe dão todo o apreço de obra prima, pela simplicidade, senão falta de ação dramática.
Para mim é o Prometeu mais um poema heroico que um drama. Conquanto, porém, se sinta ausência de intriga, ou interesse humano, e simplíssima seja a ação, há tão variado colorido de cenas, uma profusão tão admirável de verdadeira inspiração poética, um lirismo tão entusiástico, episódios tão jeitosamente entremeados, como o da visita das Ninfas Oceânicas, e a aparição da figura encantadora de Ion, magoando os ares com seus queixumes doridos, que o drama me impressiona seriamente, e admiro em êxtase a grandeza e sublimidade de Ésquilo.
Prometeu é o protagonista do sofrimento e da vontade firme e inabalável. Sempre igual e gigantesco de princípio ao fim, quer no seu silencio quer nas suas falas. Não se conserva só no ideal, torna-se real para produzir como produz efeito duradouro. Se permanecesse na idealidade, seria apenas sombra fugitiva, fantasma vaporoso, privado dos elementos necessários da natureza e da vida. Tomamos interesse por esse caráter que sofre e sofre tanto e injustamente, mas que supera o sofrimento pela grandeza d'alma, e por essa força de vontade tenaz e decidida, que o leva a arcar com a potestade divina, resistindo-lhe com resignação heroica e denodo inexcedível.
As paixões de Prometeu são sobre-humanas, mas ele é um Titã e semideus. Na luta travada contra o destino aparece seu livre arbítrio. Ao lado d'ele canta o coro sublimes estrofes cuja rica poesia podia ser perfeitamente apreciada pelos espectadores, porque, segundo o costume grego, apenas uma flauta acompanha as diversas entoações para lhes dar variedade e melancolia, sem que a música consiga cobrir e tornar imperceptível o menor verso. No coro o corifeu canta o solo, grupos de homens, mulheres e crianças formam o acompanhamento. Para se fazer ideia do modo porque procedia o coro no intuito de ser bem ouvido pelos espectadores, lembremo-nos das velhas canções rústicas e nacionais em sua simplicidade, ou idos cânticos religiosos ecoando sob as abobadas do templo cristão, que produzem os efeitos mais enternecedores. (Muito bem!)
Todavia, para mim a Orestia é o primor dramático de Ésquilo. A grande revolução que mudou os reinos independentes da Grécia em uma confederação de pequenos Estados abriu um abismo entre os tempos chamados heroicos, e os séculos mais civilizados das repúblicas democráticas, como se constituirão os povos Helenos.
Esse espaço de tempo intermeado fez crescer na imaginação do povo as tradições e factos das épocas heroicas em que haviam reis governado a Grécia. Os acontecimentos das eras passadas impressionavam os ânimos, e Homero, cantando-as em seus poemas, as realçara em excesso, e deixara os espíritos no entusiasmo. Homero era sempre lido, sempre admirado. Homero cantara os primitivos tempos, narrara as legendas e fábulas, historiara a estupenda guerra de Troia. Era em seus poemas por todos os gregos repetidos e cantados que os poetas que apareceram depois d'ele procuravam sempre inspirações. N'eles tudo se encontrava, história, romance, drama, elegia, lirismo, episódios pitorescos, assumptos maravilhosos para novos cantares e composições.
Ésquilo, como todos os poetas, em Homero e na guerra de Trova encontrou o fundamento para a sua trilogia denominada Orestia.
A primeira parte Agamenon expõe a volta do rei dos reis depois da queda de Troia. Fanaes colocados de distância em distância até Argos se haviam estabelecido por ordem de Clitemnestra, mulher de Agamenon, a fim de lhe comunicar a notícia, logo que o facto se verificasse, iluminam-se eles de repente. Troia fora tomada. Um mensageiro, que chega logo depois, narra poeticamente o feito grandioso. Os reis gregos retiram-se para seus lares, levando os despojos da vitória. Agamenon não tarda. Clitemnestra aparenta júbilo, e manda preparar festejos. O coro, porém, em estrofes repassadas de melancolia, faz-pressentir aos espectadores que desgraças eminentes se devem realizar.
Aparece Agamenon, trazendo imensa comitiva, e acompanhado por Cassandra, que, como todas as filhas e parentas de Príamo, rei de Troia, fora distribuída como escrava. Clitemnestra acolhe-o com simulado prazer, e dirige cumprimentos a cativa. Esta vaticina então os horrores que se vão cometer, e prognostica que os reis gregos vencedores de sua pátria devem sofrer o castigo de seus feitos.
Ouve-se um grito, é o de Agamenon assassinado pela esposa e por Egysto, com quem ela se relacionara durante a ausência de dez anos, que durou a guerra. Clitemnestra, ensanguentada, e calma, entretanto, expõe aos espectadores atônitos que vingara a morte de sua filha Ifigênia, imolada por Agamenon no intento de aplacar os deuses, e provocar ventos favoráveis aos gregos.
O drama, posto que já interessante, deve considerar-se exposição dos dois outros da trilogia antes que assumpto próprio.
Na segunda parte da trilogia, com o título de Choephoros, mostra o teatro o túmulo de Agamenon. Orestes e Pilades lançam sobre ele flores. Aparece Electra que chora sobre a morte do pai, com um coro de virgens. Reconhecem-se os dois irmãos, Orestes e Electra. Ambos erão crianças quando fora Agamenon assassinado. Pilades expõe que o oráculo ordena a Orestes vingue os manes de seu pai. Electra reconta o quanto sofre no palácio, o como é martirizada por Egysto, com quem se casara sua mãe Clitemnestra. Combina-se o modo porque Orestes deve cumprir o destino, que faz d'ele seu instrumento para exterminar os assassinos de Agamenon.
Apresenta-se nos paços Orestes, que fora bem jovem abandonado e expelido do teto paterno. Ninguém o conhece mais, à excepção de Electra. Ilude Egysto e Clitemnestra noticiando-lhes que o filho de Agamenon é já morto. Regozijam-se os soberanos. Então começa em Orestes um combate moral, que o agita e tortura. Deve obedecer ao oráculo, cumprir as determinações do destino, vingar seu pai, cujos manes padecem e padecerão enquanto se não cumprir o sacrifício. Mas Clitemnestra é sua mãe, e que filho ousa rasgar as entranhas que o geraram? Electra submissa e tímida não ousa aconselhar o irmão. Pilades é que é a voz que lhe faz ecoar aos ouvidos o som pavoroso da ordem do destino. Pilades o incita, o exalta, o compele a cumprir o oráculo. Orestes marcha para o sacrifício, apunhala Egysto e Clitemnestra, apesar de lhe lançar esta em rosto que é sua mãe. As fúrias aparecem então a Orestes ameaçando-o.
A terceira parte da trilogia oferece-nos Orestes procurando refúgio no templo de Delfos. As fúrias, ou Eumenides, ali dormem à porta. A casa de Deus é um asilo sagrado, onde o remorso deve expandir-se livremente, e procurar consolo, alívio e perdão. As fúrias não podem acompanhar dentro d'ela a vítima que perseguem e atormentam. Mas a sacerdotisa, notando sangue nas mãos e na fisionomia de Orestes, espanta-se, e compele-o a deixar o templo. Foge o desgraçado, e as Eumenides o acompanham, seguem, maltratam, torturam, atormentam. Ao templo de Minerva dirige-se o desditoso.
Aparece aí a deusa da razão e da sabedoria. Ouve a acusação e a defesa. Convoca os deuses a decidir. Orestes é um parricida, mas o crime cometido sem vontade não é susceptível de perdão? Não foi Orestes instrumento apenas do oráculo? A sentença foi-lhe favorável, e as fúrias o abandonam.
Eis-aqui, minhas senhoras e senhores, o grandioso drama da Orestia, repleto de poesia lírica, de pompa de imagens, de magnificência de gênio, de cenas admiráveis. Tudo n'ele é elevado, nobre, gigantesco. O horror que causam as fúrias, vociferando cânticos de vingança, e enlaçadas as cabeças com serpentes que sibilam, deviam causar sustos nos espectadores, e uma impressão duradoura.
A Ésquilo sucedeu Sófocles no ceptro da poesia dramática, mais moço em idade, não tão poderoso no gênio, nem tão altivo no espírito, mais harmonioso, porém, mais correto, mais simpático, mais puro e límpido, e não menos nobre, atingindo muitas vezes o sublime, posto que não procure ostentá-lo sempre como seu predecessor.
Ousou Sófocles arcar com Ésquilo, e ganhou vitória uma e mais vezes, com o que se desesperara o criador da tragédia.
A Prometeu, Titã vítima dos deuses, e atrevendo-se a resistir-lhes, opôs Sófocles Philoctetes, vítima dos homens, um dos chefes da expedição grega contra Troia, ferido por uma frexa, considerado incapaz de serviço pelos seus companheiros de armas, abandonado em uma ilha deserta, n'ela a sós com a natureza, e curtindo dores morais do isolamento e da injustiça contra ele praticada, e tormentos físicos causados pelos horríveis ferimentos. Apostrofa os homens como Prometeu apostrofava os deuses, amaldiçoa, e ameaça sempre como também Prometeu o fazia contra seus perseguidores.
Durava a guerra e cerco de Troia sem que os gregos conseguissem domar a cidade. O oráculo lhes declara que só venceram alcançando empregar as frexas de Hercules, que Philotectes guardava. Ulysses e o filho de Achilles partem para a ilha deserta a buscar as armas necessárias à vitória. Grandes caracteres, verdadeiros tipos da beleza, são as três personagens; Ulysses sempre astuto e manhoso, o filho de Achilles como o pai cavalheiresco e franco, Philotectes igual e resignado no seu desespero e isolamento. Ulysses receia-se de por bem ou à força conseguir as frexas, aconselha o estratagema de furtá-las a Philotectes durante o sono. O filho de Achilles prefere caminho direito, pedidos, persuasões, lealdade. Philotectes conserva-se inabalável. Subjugado, porém, pela nobreza de caráter do filho de Achilles, resolve ele próprio ir levá-las aos gregos e coadjuvá-los na empresa contra Troia, esquecendo suas injustiças em favor da pátria comum, a Grécia, cujas desgraças o comovem, cuja gloria o incita. É admirável de poesia o adeus de Philotectes à ilha que lhe sérvio de asilo por tanto tempo, aos pássaros que foram seus únicos companheiros às arvores, a cuja sombra costumava repousar, às fontes que lhe saciavam a sede, à terra que o nutrira no abandono.
O caráter de Philotectes não é titânio como o de Prometeu, posto que ainda seja mais elevado e mais ideal que a realidade. Cede como patriota, correndo um véu sobre todo o passado. Reconcilia-se em favor da gloria da Grécia, que é a sua pátria, e seu primeiro e tão extremado amor, que curva e subjuga o despeito, o ódio, o sentimento de vingança que nutrira nos Ímpetos da dor e do sofrimento. Perdoa como homem aos homens, e interessa pela grandeza e nobreza dos afetos.
Em outra tragédia, denominada Ajax, pinta-nos Sófocles um diverso tipo de homem. Ajax fora um dos mais valentes campeões gregos contra Troia. Considera-se ofendido no seu orgulho quando se partilham os despojos da vitória entre os chefes vencedores. Resolve-se a vingança. Preparava-se a cair sobre o campo dos gregos e massacrá-los a ferro e fogo. Um Deus, porém, o cega, e em vez de dirigi-lo á localidade onde repousam os gregos, arrasta-o para uma planície povoada de rebanhos de carneiros, nos quais comete Ajax horrível carnificina. Envergonhado do que sucedera, certo de que é um objeto de ridículo pelos seus feitos aos olhos de seus antigos companheiros de armas, não resiste á desgraça como Philotectes, deixa-se abater e resolve matar-se, para desaparecer da terra. Conserva, todavia, sempre aquele caráter altivo e nobre dos belos tempos, pondo fim a seus dias.
Sófocles parece nutrir ciúmes sempre contra Ésquilo, e por isso não poupa ocasião de combater com ele. A Orestes opõe outro Orestes, com o título de Electra. Já não é Orestes o protagonista, como o fora na tragédia rival. A figura principal é Electra. A mulher pela primeira vez no teatro grego torna-se a heroína do drama. Electra é que incita e dirige Orestes a vingar a morte de Agamenon. Electra converte o irmão em instrumento de suas paixões, e das ordens do oráculo. Electra representa a filha perseguida pela mãe, torturada pelo padrasto, saudosa do pai assassinado, convencida do dever imperioso de fazer castigar o crime, e de dar descanso na outra vida aos manes do progenitor querido, que clama vingança!
A obra prima, porém, de Sófocles, a que lhe conquistou as maiores ovações no seu tempo, e lhe atrai a admiração dos amadores das letras, e da bela poesia, na nossa época, é uma trilogia que ele compôs, posto que em tempos diferentes, e não para ser representada seguidamente como as trilogias de Ésquilo. A trilogia de Sófocles, de que falo, contém três partes: Édipo rei, Édipo em Callona, e Antígona.
É tudo o que há de mais delicado, mais nobre, mais puro, mais perfeito na poesia dramática dos gregos.
Édipo rei é um drama majestoso. As paixões, os sentimentos, os fatos desenvolvem-se paulatina e interessantemente, graduando-se a impressão dos espectadores.
Édipo, vendo a cidade de Tebas ceifada pela peste, e seu povo sofrendo, declara-se pronto a qualquer sacrifício para exterminar as calamidades públicas. O oráculo lhe ordena que expila da cidade o assassino de Laio. Édipo promete e procura conhecê-lo. Vai-se a pouco e pouco esclarecendo o mistério. Descobre-se que Laio teve um filho de Jocasta, e o mandou abandonar no deserto para obedecer ao oráculo; que esse filho, por um acaso extraordinário, matou Laio; que esse filho é o próprio Édipo, e que enfim Édipo se achava casado com sua própria mãe. Édipo submete-se ao destino, abandona família, paços, cidade, amigos; vai procurar a morte como alívio a seus males, por meio da miséria a que se entrega.
Na segunda parte da trilogia encontramo-lo em Calona. A indignação geral dos homens o acompanha, o desprezo público o condena, a miséria o cerca. Não se lhe dá nem pão para alimentar, nem água para matar a sede. Todos o haviam abandonado. Mas sua filha Antígona deixara por ele posição, grandezas, fortunas, descanso; é seu único arrimo, é sua companheira, é sua consoladora, é seu anjo tutelar, esforçando-se em levantar-lhe o espírito, pacificar-lhe as dores, e auxiliá-lo até acabar de penar no mundo, sofrendo como ele. Só ela assiste a seus derradeiros instantes da vida, só ela lhe prepara a sepultura, e o deposita na última morada terrestre,
Na terceira parte da trilogia sabemos da guerra entre Tebas e seus inimigos. Com estes estava Polinice; Eteocles e Polinice, irmãos, e filhos ambos de Édipo, batem-se e matam-se na luta. Tebas é libertada. Lavra-se então uma lei proibindo sepultura ao corpo de Polinice como inimigo da própria pátria. Antígona sabe que se condena à morte quem ousar enterrá-lo. Mas Polinice é seu irmão. Seu cadáver não pode ser deixado para pasto de animais. Resolve sacrificar-se ao castigo infligido pela lei, que lhe importa a morte, sepultando o irmão? Fá-lo com nobreza e dignidade. Perseguida, é condenada à morte. Sofre a punição com resignação e grandeza d'alma.
É assim Antígona um dos mais formosos tipos da mulher grega. É uma criação admirável do mais mimoso e delicado gênio poético. Antígona interessa, comove, cativa, entusiasma. Entretanto não é ainda o tipo perfeito e completo da mulher. Deus dotou o belo sexo com as mais qualidades primorosas do coração, com os mais finos requisitos do espírito.
Mas Ésquilo não falara de mulheres. Sófocles ousou trazê-la à cena nos seus dramas. Não ousou, porém, desenhá-la sob todas as feições características da beleza. Antígona não é amante; falta-lhe essa qualidade sublime. Antígona é primeiramente filha, depois irmã. Sob estes dois pontos de vista é um tipo de formosura moral. Quanto é enternecedora e expressiva a sua declaração, acusada de enterrar o cadáver de um inimigo da pátria contra lei expressa: “Meu coração, exclama, é feito para amar, não para aborrecer”. (Muitos aplausos.)
Quanto é encantadora quando condenada, e marchando para o patíbulo, lembra-se que é mulher, mostra-se saudosa da vida, e deixa escapar a revelação de que no peito lhe ardia intenso e misterioso amor por um homem, e sentia morrer sem ter conhecido as doçuras do consórcio e os prazeres da maternidade! (Muito bem.)
Aí está a verdadeira beleza, a sublimidade da dramática n'esses poesia lances de paixões e afetos, n*essas expressões naturais dos sentimentos humanos. (Muito bem.)
Há mais ação, mais interesse dramático nos dramas de Sófocles que nos de Ésquilo, posto que não apareça a mesma grandeza de caracteres, a mesma audácia de vôos altivos, a mesma pompa de imagens, Sófocles é, todavia, artista tão completo nos pensamentos, na limpidez e pureza de linguagem, na delicadeza do pincel, na atenção que pouco a pouco desperta, e vai aumentando, que os gregos o apelidavam o poeta do verdadeiro aticismo.
Segue-se, pela ordem cronológica, Eurípedes, o terceiro grande trágico, de que conhecemos algumas obras. Já não é o sublime entusiasmo lírico de Ésquilo, nem a majestade severa e correta de Sófocles; já não é a mesma elevação e superioridade do espírito e do gênio poético dos seus dois predecessores; aparece, todavia, em Eurípedes mais conhecimento das paixões humanas, mais profundo estudo do coração, ais melancolia, direi mais ternura, porque o coração a faz brotar com maior intensidade do que a imaginação, por mais poderosa que ela seja.
Se Ésquilo pintou homens impossíveis, Sófocles como deviam ser, Euripedes no-los apresenta reais, como são.
Ésquilo fora soldado de Marathon, Platea e Salamina; Sófocles acompanhara como guerreiro a Péricles incumbido de expedições militares; Euripedes conservara-se simples cidadão.
A injustiça dos atenienses condenou Ésquilo a desterro, e em Sicília acabou seus dias de vida, segundo várias tradições.
O despeito levou Euripedes a retirar-se para a Macedônia, e lá se finou. Sófocles, que sobreviveu ao mais velho e ao mais moço, conservou-se, e morreu em Atenas. Dizia Sófocles na sua velha idade que lamentava profundamente a sorte dos seus rivais na poesia dramática, porque já uma calamidade era o exílio da pátria, nunca se pôde viver, apenas vegetar; maior ainda o ser sepultado em países estranhos, os próprios manes se deviam ressentir dos ares da atmosfera e da terra, que não eram próprias. (Muito bem.)
Euripedes fora casado duas vezes, e em ambas lhe correra a sorte adversa; procedia d'aí que era acusado de detestar o sexo feminino; fundava-se esta ideia em que nas suas primeiras tragédias pintara as mulheres sempre sob aspectos detestáveis, cruéis, vingativos. (Risadas.)
Na verdade, o tipo de Hécuba não é agradável. Horrível é ainda o de Medéia, que para vingar-se da rival lhe manda envenenado presente que a mata e ao próprio pai; que para vingar-se do amante Jasão, que a desprezara, lhe assassina os filhos. E igualmente detestável o caráter de Phedra, apesar de haver sido convertida em instrumento do destino e de Vênus, para castigar-se Hypolito. A tragédia começa com o aparecimento de Vênus, a deusa da beleza e dos amores. Ela anuncia ao espectador que há um homem, Hypolito, filho do rei Teseu, que despreza seu culto, que se não deixa impressionar pela paixão do amor, que é insensível aos encantos verdadeiros da vida; a deusa jura puni-lo, levantando no peito da própria madrasta, Phedra, desenfreado afeto por ele a fim de coagi-lo a ceder ao impulso da paixão, ou a morrer na luta e resistência.
Medéia é uma das mais regulares tragédias de Euripedes, que posto não seja correto e nem igual nas suas composições, mostrou, talvez só n'este drama, uma ordenação interessante e mestra. A paixão, o ciúme de Medéia, bem que justificado pelos sacrifícios que ela praticou em favor de Jason, ajudando-o a conquistar o velo d'ouro, e pelo abandono do amante, que a prefere a outra mulher, são admiravelmente desenvolvidos.
Hermione como tipo da mulher ciumenta, tentando assassinar a rival Andromaca, e furiosa por não havê-lo conseguido, abandonando Pirro, o marido, e fugindo com Orestes, ainda que interesse e comove fortemente, não vale a figura de Medéia.
Phedra é diverso caráter. Conhece que ama, adora o enteado, não espontaneamente, não pelos ímpetos próprios do coração, não por uma paixão voluntária, mas por ordem de Vênus, como instrumento da fatalidade. Então os afetos tomam outro caráter, não há ciúmes, mas há desejos irritantes, sensuais, furiosos. Hypolito lhe resiste com abnegação. Vinga-se d'ele, acusando-o perante o marido de haver tentado seduzi-la, e mata-se logo depois, legando a Teseu o castigo do filho. É a susceptibilidade e despeito da mulher que não encontra eco de amor no amor do homem que ela idolatra, e que não pôde suportar tão grande ofensa a seu orgulho.
Até aí só mulheres vingativas, cruéis, despeitadas. Mas ao depois reabilitou-se Euripedes da acusação que contra ele se espalhava de que professava ódio ao belo sexo, não lhe conhecendo os admiráveis dotes de dedicação, que são característicos gerais da companheira do homem. Em outros dramas pintou a mulher sob mais belos aspectos, com a sua fisionomia natural de amor, de ternura, e de lealdade.
Alceste sacrifica-se por seu mando; Polixena morre por sua mãe; Macaria salva a família; Ifigênia deixa-se imolar para que os Deuses sejam da sua propícios ao pai, e aos guerreiros da sua pátria, que devem levar a guerra à Tróia. Nos dramas que nos contam como heroínas, o tipo de mulher é mais consentaneo com a natureza, e o enobrecido e embelezado pelo poeta.
Convém aqui dirigir-vos uma observação, e é que nos dramas de seus predecessores a mulher não era quase pressentida. Esquilo não descreve quase mulheres nas suas composições. Sófocles pintou a mulher, mas só sob o aspecto de piedade filial e fraterna, como Antígona. Adivinhou-a nos mistérios do coração, quando morre Antígona, porque a faz lamentar não haver conhecido o amor. Eurípedes foi a primeiro poeta que estudou a paixão amorosa da mulher, e fez d’ela o assunto, a essência de suas tragédias. Assim começou a poesia dramática a aproveitar a base mais interessante para suas composições, descrevendo a luta, o embate, as contrariedades dos afetos; a dedicação da alma; o amor, como sentimento mais vivaz, mais natural, mais sublime à mulher, que a eleva à altura da mais perfeita criação da divindade. (Muito bem!).
Como já vos disse, muitos outros poetas trágicos honraram Atenas; apenas restam-nos os nomes. Muitas outras composições escreveram aqueles de que nos ocupamos; só se salvaram as que analisamos e apreciamos. Por elas podemos, todavia, assentar juízo fundado de que, posto que ali se criasse a poesia dramática, subiu tão alto o seu desenvolvimento, tão glorioso foi o seu cultivo, que nem mesmo rivalidade encontrou mais até hoje entre outros povos, aliás mais civilizados, quanto mais superioridade!
Os gregos apreciavam extremosamente a tragédia. Nas festas em que elas se representavam apareciam povos de todas as repúblicas vizinhas, e até da Macedônia. Os entusiasmos subiam a ponto de delírio, e a coroação dos poetas se convertia em espetáculo público. Ao mesmo tempo queriam também a comédia. Comoviam-se com a tragédia, ansiavam folgar com a comédia. Assim davam-se também e em continuação das tragédias comédias, ou de costumes intrigas e joviais e alegres, ou satíricas acerca das coisas e dos homens da época.
Só d'estas últimas cabe-nos o prazer e fortuna de julgar as de Aristófanes, visto que as de Menandro aliás tão reputado no seu tempo, e que foi o verdadeiro mestre dos Romanos, dos Plautos, Terencios, Pacuvios e Ennios todas se perderão na noite dos tempos intermediários entre a época da Grécia e a nossa era: perderam-se igualmente as de Dephilo, Philemon e outros poetas considerados e estimados no seu tempo.
Felizmente que muito nos ensinam as composições que nos restam de Aristófanes, sobre a vida intima e social dos gregos, sobre seus costumes e tendências, ás vezes mais que as obras dos próprios historiadores e cronistas.
Não há n'elas propriamente ação ou interesse dramático intrigas curiosas: mas há pinturas de caracteres, desenhos perfeitos dos hábitos e costumes do povo ; espirito cintilante mordente, sarcástico, quase inimitável; em certas circunstâncias até vôos líricos; uma pureza de linguagem, uma delicadeza de toques e nuanças que atraem; uma ciência do diálogo que não foi ainda excedida ; uma aspiração a garantir as bases da moral, da religião, das instituições, da sociedade e do progresso verdadeiro e melhoramento do povo, apesar de se tropeçar a cada instante em frases indecentes, e em situações cínicas; um sentimento patriótico, que realça e resplende agradavelmente.
Aristophanes não pôde ser bem compreendido a primeira leitura de suas composições. Tendes entrado em salas escuras, e vos achais em quase noite, sem perceber os objetos que vos rodeiam. A pouco e pouco, porém, vos acostumais às sombras, e através d’elas ides descobrindo maravilhas e curiosidades preciosas; paulatinamente chegais assim a apreciar riquezas. Eis a imagem das comédias satíricas de Aritófanes. Lêde, tornai a ler, estudai, e admirareis o gênio. (Muito bem!)
Atenas ali está retratada nos seus mais minuciosos negócios, os cidadãos nos seus interesses e ideias, a sociedade até nos seus mistérios.
A comedia satírica de Aristophanes compreende a crítica de tudo, costumes, classes de cidadãos, letras, artes, ciências, magistrados, governadores, generais, empregados públicos. Ninguém é poupado desde a mais elevada situação até a mais baixa categoria. Em umas apareceu Péricles, Themístocles, pelos seus nomes e expostos a irrisão pública.
Nos Cavalleiros ridiculariza-se Cleon, o encarregado das finanças da república, o tribuno que com palavras pomposas seduz e ilude o povo, que o acompanha, apoia, aplaude, e eleva, entusiasmado pelos discursos de liberalismos e patriotismos falazes, como acontece em todas as nações e sociedades, em que os tribunos aparecem, sendo como é a população arrastada e enganada com promessas ilusórias, e protestos pomposos de felicidade ideal!
Nas Rãs o poeta trata de deprimir Euripedes e sua poesia dramática, fazendo Baco, burlescamente carregado com as armas de Vulcano, ir aos infernos, seguido pelas rãs, que em coro e chusma lhe servem de companheiras, buscar um poeta trágico que falta a Atenas.
Nas Nuvens Sócrates e os filósofos de seu tempo são oferecidos como revolucionários perversos que com suas doutrinas desmoronam o edifício da moral e da religião, servindo de base a educação de um sujeito que quer aprender a não pagar aos credores.
Nas Vespas Aristófanes nos mostra a mania de julgar dos magistrados, e as chicanas dos advogados, que do argueiro fazem um cavaleiro.
Na Paz e em Pisistrata discorre sobre a necessidade de se conservar paz e harmonia com as repúblicas vizinhas, poupando guerras que a todas arruínam, inclusive a vencedora.
Em Pisistrata as mulheres separam-se dos maridos até compelir estes a fazer a paz com Esparta.
Entre essas comédias fulgura uma, para a qual nutro particular predileção. Compreende a crítica da república de Platão, o grande filósofo, que tão sublimes livros nos legou. Como a república lembrada por Platão em seus escritos era toda ideal, Aristófanes tomou-a para fundamento da sua comedia intitulada Assembleia das mulheres.
Entusiasmam-se as mulheres de Atenas por essa república ideal, e propõem -se a realizá-la segundo o sistema de Platão. Reúnem-se e combinam derrubar os homens do governo de Atenas, e empossar-se o belo sexo do mando supremo.
A chefe da conspiração, Proxágoras, convence as outras mulheres que elas são mais próprias e aptas para a direção dos negócios públicos do que os homens. Estes têm provado serem perdulários, vadios, intrigantes, querendo só guerras com vizinhos, glorias militares, voos de ambição. Elas, acostumadas ao regime da casa, a criação dos filhos, ao meneio dos misteres domésticos, econômicas, regradas, pacíficas; habituadas a mandar fazer a cozinha, dar os jantares e almoços às horas, lavar as roupas, e agradar aos maridos, possuem requisitos superiores aos d'eles para a governação do Estado e da república (Hilaridade prolongada.)
Concertado o plano revolucionário, reúnem-se todas em casa de Proxágoras, muito cedo, no dia em que o povo em seus comícios tem de nomear seus governantes. Cada uma providenciara ou para retardar ou para impossibilitar a ida dos maridos, pais e irmãos aos comícios, a fim de diminuir o número dos homens e disporem elas da maioria dos votos. (Risadas.) Vestem-se com as roupas dos homens, cobrem as faces com grandes barbas (risadas), a cabeça com chapéus largos, partem para a praça onde se deve reunir o povo que tem de proceder à eleição. Ocupam os primeiros lugares, por se haverem antecipado, formam maioria de votos, vencem, triunfam, proclamam o governo das mulheres. (Risadas.) Os homens apeiados do poder resignam-se a obedecer-lhes. As mulheres reduzem homens aos misteres que até então elas exerciam. (Risadas.) Os homens curvam a cerviz e cumprem todos os decretos e determinações das governadoras.
Tudo ia menos mal, mais ou menos tranquilamente, posto que incidentes os mais burlescos se manifestassem, mulheres resolvem quando as por lei a comunhão dos bens e dos maridos. (Hilaridade geral.) Aí não puderam estes reter o seu despeito e cólera. Conspiram a seu turno, levantam-se, e derrubam as mulheres do poder. (Risadas prolongadas.) Eis a república de Platão ridicularizada!
Mais ou menos, minhas senhoras e senhores, podeis fazer uma ideia do que foi a poesia dramática na Grécia pelas composições, que a nossos dias chegaram.
Floresceu tanto, adquiriu tal gloria, atingiu a tal desenvolvimento, que foi a mestra de todos os povos, que vieram depois ao mundo, dos romanos, dos espanhóis, dos ingleses, dos franceses. E na poesia dramática grega, com mais ou' menos modificações, que os povos modernos encontrarão modelos e inspirações, e nem um ainda excedeu o povo ateniense n'este ramo da poesia, bem como na épica e na eloquência, na história, na filosofia, nas artes.
A Grécia é a mãe intelectual do mundo civilizado moderno. Em quase tudo que se refere ao espírito, à imaginação, a ciência, romanos e os povos modernos são discípulos apenas dos atenienses. Podem e puderam dar mais desenvolvimento particular à arquitetura, à escultura, à pintura, à poesia, a história a filosofia, à eloquência, ao drama, mas os traços gerais, os tipos humanos mais perfeitos – com dificuldade igualarão, e nunca excederão!
Peço desculpa por ter sido talvez longo, e às vezes miúdo, quando minha missão consistia antes em expor ideias gerais.
(Numerosos e repetidos aplausos de todo o auditório saúdam o orador ao descer da tribuna.)
Localização
- Conferências Populares, Rio de Janeiro, nº5, mai. 1876, p. 29-48. (na integra). Capturado em 10 dez. 2025. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/docreader/278556/507
Ficha técnica
- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 178. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 3 fev.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=760
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)