Conferência Popular da Glória nº 197.1

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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Data: 10/09/1876.

Orador: Feliciano Pinheiro Bittencourt

Título: O Positivismo

Aviso, íntegra ou resumo: Íntegra

Texto na íntegra

“Minhas senhoras, meus senhores. – Cabe-me pela segunda vez a honra de subir a esta tribuna, ocupada ainda domingo passado com tanto brilhantismo, pelo distinto orador que aqui tratou de Kosciusko, referindo de modo eloquente, e em linguagem clara e precisa, os múltiplos e interessantes episódios da longa e laboriosa vida do ilustre patriota polaco.

Certamente que, se eu não contasse de antemão com a vossa generosidade e benevolência não viria falar-vos hoje, quando ainda ressoa aos ouvidos de muitos d’entre vós as frases harmoniosas e eloquentes, a palavra fácil e simpática, com que o ilustrado advogado conseguiu tão gratamente captar a atenção de todos, quantos tiveram a fortuna de ouvi-lo, no último domingo.

Permita, porém, que vencendo o acanhamento próprio, pondo de parte todas as dificuldades com que tem de lutar aqueles que chegam até aqui, procure dizer-vos alguma coisa a respeito da tese, que tive a honra de anunciar-vos; e ficai certos de que, o que vos vou dizer, é apenas o fruto da leitura e do estudo, que desde algum tempo faço saber a matéria.

Devo desde já, porém, prevenir-vos de que não venho com a louca pretensão de discutir ampla e desenvolvidamente todos os pontos da doutrina positivista, o que me seria dificílimo e impossível mesmo fazer em uma série de conferências, quanto mais em uma única.

Demais eu não tenho que ver com a parte em que a escola positivista se ocupa das ciências físicas e matemáticas, pois que para que pudesse entrar em tais questões seria mister procurar primeiro aprofundar-me n’esses ramos tão vastos, quão difíceis, da grande arvore dos conhecimentos humanos.

E pois, pretendo somente ocupar-me hoje do positivismo sob o ponto de vista filosófico, político e religioso.

Segundo nos diz a história da filosofia positivista, meus senhores, os primeiros homens que conceberam a arrojada ideia de refundir a sociedade, de formarem como que uma nova organização social, sob o tríplice ponto de vista indicada, foram Turgot, Condorcet e Saint-Simon em França, e Kant na Alemanha. Foram estes os predecessores de Auguste Comte n’essa tentativa, sem dúvida hercúlea, mas ao mesmo tempo sem a menor justificação perante a lógica, a razão e o direito!

Nada há mais fácil, senhores, do que tentar-se por cegueira, por obstinação, ou por qualquer outro móvel injustificável, destruir aquilo que já existe, aquilo que já se acha sancionado pelo testemunho das idades e gerações, não sendo necessário para isso mais do que alguma audácia, certo desembaraço, jeito e especulação! A questão, porém, está justamente em substituir-se o que se destrói ou tenta destruir; a máxima dificuldade não está, certamente, em derribar, mas em edificar solidamente.

Esses sonhadores de todos os tempos, esses espíritos ardentes e insofridos, que não querem manter-se dentro da orbita dos conhecimentos humanos, que tudo pretendem conhecer devassar o impossível, confundindo o incriado com o criado, a causa com o eleito, o relativo com o absoluto; que tudo desejam ver e apalpar, pigmeus que querem ser gigantes, caem infalivelmente no profundo e insondável báratro da extravagância e do absurdo, ou então, o que é mais para Iamentar-se, vão engrossar a misérrima e triste falange dos entes inúteis para a sociedade, d'aqueles que, tendo perdido a luz brilhante da razão, vivem não vivendo!...

Turgot, meus senhores, vulto saliente, do reinado de Luiz XVI e que tantos serviços prestou ao seu país, quer como hábil político, quer como notável estadista, quer como escritor de nomeada, muito antes que Augusto Comte, em numerosos artigos que escreveu para a Enciclopédia moderna nos seus discursos sobre os progressos do espirito humano que forno colecionados e publicados em Pariz em 1808, se esforçou sempre em substituir as concepções absolutas ou necessárias, a ideias abstratas do espirito, por noções simplesmente relativas, por factos, ou fenômenos de ordem puramente física, e consequentemente do domínio exclusivo da experiencia e da observação.

E apesar de procurar A Comte encobrir esta verdade apesar de faltar ele ao seu dever, não mencionado a Turgot como seu predecessor, E. Littré encarregou-se de fazê-lo, em sua obra intitulada Augusto Comte e a filosofia positiva.

Littré diz que foi Comte quem fundou definitivamente a filosofia positiva, mas que não se pode dizer que lhe pertence a iniciativa, triste gloria que cabe incontestavelmente, como já vos disse, a Turgot, Condorcet, Kant e Saint-Simon, mestre de Comte, que seja dito de passagem, mais tarde foi-lhe bastante ingrato... Sendo certo, porém que foi A Comte quem estabeleceu definitivamente o positivismo, só dele nos ocuparemos, deixando de parte os seus predecessores, que, só sobressaíram pela inteligência e capacidade em relação a outros assuntos, não souberam infelizmente aplicar tais dotes ao estudo das ciências, ao estudo da filosofia.

Foi 1826, senhores, que o novo reformador social começou a divulgar a sua doutrina, pretendendo espalhá-la a todo o transe por entre os seus compatriotas. Vejamos, porém, qual o maravilhoso sucesso que ele obteve.

Littré, que não pode ser taxado de suspeito, pois que é positivista de convicções arraigadas, discípulos de Comte, e seu admirador, diz que o visionário filosofo fizeram APENAS QUATRO LIÇÕES sobre o seu novo método filosófico, quando foi logo vítima de uma terrível enfermidade, quando foi atacado por essa negra entidade do quadro nosológico, que vós todos conheceis, e que se denomina – alienação mental!

Em relação às causas, meus senhores, que levaram Auguste Comte a um tão deplorável estado, os autores não são concordes. Assim, alguns querem atribuir o fato às constantes dissensões domesticas porque passava o ilustre matemático; outros pretendem explica-lo, apelando para a debilidade do estomago de Comte, que não podia fazer as digestões, obrigando-o a permanecer acordado durante as noites inteiras; finalmente outros, e a nosso ver com toda a razão, procuram a causa da alienação do chefe positivista no estado de perturbação constante, na superexcitação do cérebro de um homem, que concebia planos que tanto tinham de grandes como de absurdos, de extraordinários como de inconcebíveis, de admiráveis como de extravagantes!...

Ele queria refundir o mundo, derrubar tudo quanto já existia fundado sobre sólidos alicerces, acabar com as gloriosas tradições filosóficas do passado e sobre esse montão de ruínas fazer florescer a sua nova e pretensa doutrina positiva!

Mas vós compreendeis perfeitamente, e isto é de simples intuição, que se Augusto Comte havia feito somente quatro lições sobre o seu novo método filosófico, caindo logo em estado de alienação mental, chegando mesmo a ser louco furioso nunca mais, pôde d’aí em diante raciocinar de modo lógico e concludente, nunca mais pode escrever coisa alguma boa.

E é por isso que eu noto, senhores, que todos os escritos do inculcado filósofo ressentem-se de grande falta de conexão de nenhuma estabilidade, deixando entrever unicamente planos visionários e irrealizáveis, próprios mesmo de uma cabeça que já não podia fazer imperar a razão sobre o excitamento das paixões!...

De sorte que a respeito de Comte, como filósofo, pôde-se dizer o que disse um notável escritor trances, tratando de Diderot: “Escreveu belas páginas, mas nunca soube fazer um livro!”

Feitas estas considerações, que julguei dever apresentar-vos, vejamos quais os fundamentos do positivismo, e como o definem aqueles que o adotam, que o considera como a última palavra da ciência.

O positivismo, dizem os chefes da seita, - o conjunto, é a soma do saber humano, e baseia-se, funda-se exclusivamente na experiência e na observação.

O dogma fundamental da filosofia positiva, diz A. Comte, é que “além da esfera da experiência e da observação é tão ilusório afirmar como negar!

Ora, meus senhores, se isto fosse exato, se o homem se visse na dura contingência de não poder passar além da experiência e da observação, de ido poder raciocinar senão sobre aquilo que vê e observa, de não poder elevar-se às ideias sublimes e grandiosas, às concepções abstratas do espírito, qual o seu papel, a que condição ficaria reduzido, como ente racional e livre?!

Nada há mais lamentável e pernicioso do que querer-se generalizar o método da experiência e da observação!

Ninguém ousa neg.ir, e insensato seria aquele que pretendesse fazê-lo, a grande utilidade, a importância incontestável d'esse método para certa ordem de conhecimentos; é ele indispensável ao progresso e à marcha ascendente das ciências exatas; mas não se queira generalizá-lo não se pretenda por meio dele suplantar o raciocínio, o método metafísico, ou subjetivo.

Rigorosamente falando não se pode dizer, senhores, há escola de observação, que ou experiência; a observação e a experiência constituem apenas um método analítico muito importante, mas só aplicável a certa ordem de fatos ou fenômenos.

Mas é justamente n'este ponto, no facto de querer-se negar a metafísica os foros de ciência, que o positivismo e o materialismo muito se assemelham, tanto que alguns consideram erroneamente como idênticos os dois sistemas.

Entre eles há, além de outras, a seguinte diferença: os materialistas, advogando a mais absurda das causas que é possível imaginar-se, propugnando por princípios os mais extravagantes, são ao menos lógicos, francos, leais e concludentes! Porque eles dizem: “Nós não admitimos de modo algum as ideias necessárias ou absolutas; tudo provém da matéria e ela a causa, a origem de todas as cousas”. Os positivistas, pelo contrário, afastando-se de todas as regras da lealdade da franqueza e da coragem, limitam-se a dizer: “Nada temos que ver com as ideias abstratas do espírito, com as concepções necessárias e absolutas, uma vez que elas não podem ser trazidas ao campo da experiência e da observação, além do qual não nos é lícito passar!”. De sorte que se interrogardes a um positivista a respeito da ideia de Deus, da alma humana, sua existência, e imortalidade; em uma palavra a respeito das ideias necessárias, não será outra a sua resposta, nem afirmará, nem negará!...

Ora, senhores, não é, certamente, permanecendo-se em uma dúvida perene que se há de convencer à outrem! Argumente-se, estabeleça-se as premissas, e chegue-se com coragem e franqueza às suas últimas e legitimas consequências! A dúvida, a vacilação e a incerteza-, só assentão nos espíritos fracos, tíbios e irresolutos...

Se fossemos a permanecer na dúvida, a respeito de todas as questões sérias e importantes, qual seria o resultado. A ciência não daria um passo, nenhuma descoberta notável se efeituaria, o progresso desapareceria como que por encanto!

Sendo assim, parece que a filosofia positiva, e as demais doutrinas de Comte, em vez de constituírem o conjunto da sabedoria humana, só traduzem a dúvida e a vacilação!!...

Essas pretendidas fases porque tem passado a humanidade, fase teológica, metafísica e positiva, que é a atual segundo dizem, só existem, ou poderão existir no cérebro d’aqueles que o tiverem semelhante ao de Augusto Comte!

Que estes três estados ou fases tenham sempre existido conjuntamente ninguém contesta, e não repugna admitir-se; mas querer-se fazer a humanidade passar gradualmente por esses períodos, é o que não tem razão de ser.

Desde que o universo se constituiu que há fatos ou fenômenos de ordem física, que só podem ser estudados e demonstrados pela experiência e pela observação; e outros há, de ordem psicológica, moral ou metafísica, que escapam inteiramente á alçada de semelhante método, pertencendo exclusivamente ao raciocínio.

Como é. pois, que ousa-se afirmar que um tempo houve em que a teologia explicava tudo; outra época em que só reinou a metafísica; e outra, finalmente, a atual, em que só há positivismo ?!...

Estes extremos são deploráveis, inconcebíveis mesmo!...

O que se deve admitir é, sem dúvida, o meio termo.

Faça-se uma justa distribuição: aquilo que pertencer à experiência e à observação conceda-se-lhe; o ao raciocínio, que pertencer à metafísica seja respeitado.

O que não for isto é a confusão, com todo o seu cortejo de funestas consequências.

É, senhores, uma verdade universal, um axioma filosófico, que “não há efeito sem causa”.

Pois bem, os positivistas, não podendo negar esta verdade, têm procurado todavia sofismá-la, desvirtuando-a.

Eis como eles se exprimem: “Estamos hoje emancipados do jugo metafísico que nos fazia ver uma causa, onde vemos um efeito; a questão n'este caso reduz-se a um simples fato de experiência: tal antecedente é seguido sempre de tal consequente, quando experimentamos nas mesmas condições; de sorte que, depois d'isto, as ideias de causa e efeito tornam-se pueris!”

Mas, perguntaremos nós agora, esse antecedente em que falam os positivistas a que corresponde? Não será a causa? E o consequente, não será ao efeito? Logo é uma questiúncula pequenina, simplesmente de palavras. Chame-se causa e efeito, antecedente e consequente, a ideia não muda, é sempre a mesma.

Mas compreende-se facilmente, meus senhores, a razão por que Comte e seus discípulos não querem admitir francamente a ideia de causa. Se eles o fizessem, teriam de admitir lógica forçosamente todas as demais ideias necessárias, teriam de admitir a ideia de Deus, causa absoluta de todas as cousas. Isto, porém, é vedado aos positivistas, uma vez que tais ideias não podem passar pelo cadinho da experiência e da observação, e, pois, eles preferem ficar em uma posição equivoca, falsa e duvidosa!... Triste recurso!

Se considerarmos agora o sistema de Comte sob o ponto de vista religioso, veremos que as extravagâncias, os erros e inconsequências são ainda mais palpáveis e visíveis!...

Entre outras coisas ele diz o seguinte, e os seus discípulos repetem: “O monoteísmo católico, que já excedeu os limites do seu papel, que tem sobrevivido à sua irreparável ruína, pode já expirar, restando-lhe, entretanto, a glória de haver escudado a humanidade por espaço de catorze séculos. A ele a honra de nos ter ensinado a colocar a moral acima da política e o dever acima do direito, a nós, os positivistas, a tarefa de lançarmos os fundamentos da futura sociabilidade humana; a nós a missão de não oferecer por prospecto às aspirações do homem senão um alvo puramente humano!

Ao cristianismo o mérito do dizer pela boca de São Paulo: “AMAI AO PROXIMO COMO A VÓS MESMOS”. A Comte o preceito: “AMAI AO PROXIMO MAIS DO QUE A VÓS MESMOS!”.

Ora, meus senhores, basta enunciar tais preceitos, apregoados por Comte e seus discípulos, para ver-se claramente a sua nenhuma importância para inferir-se logo do seu nenhum valor!

E eles ainda acrescentam: “O nosso Deus é a humanidade; a providência que admitimos é puramente humana nada tem de divina!”

Se abrimos a história veremos que desde a mais remota antiguidade nunca houve seita, grupo de homens, que tentasse fundar ou estabelecer uma religião, que não concebesse logo a ideia de um Deus, de um ente superior; a ideia de Deus é indispensável, é condição sine qua non, para que uma religião se estabeleça, para que haja uma crença, mais ou menos firme.

Pois bem, A. Comte, não podendo demonstrar positivamente a ideia de Deus, e por consequência não podendo admiti-la, diz que “o seu Deus é a humanidade, a sua crença puramente humana, as suas esperanças simplesmente terrenas!”.

De sorte que pôde se dizer, sem receio de séria contestação, que a religião de Comte é coisa nenhuma, está longe de equiparar-se mesmo às mais grosseiras seitas que se fundaram nos primitivos tempos da humanidade!...

O que quer dizer, com efeito, admitir-se como Deus a humanidade! O que quer dizer um Deus Humano?! Como conceber-se que o homem seja causa e origem de todas as coisas, e princípio, origem de SI MESMO? Para que o homem pudesse dar-se princípio, formar-se a si próprio, seria mister que existisse e não existisse ao mesmo tempo, um absurdo! Seria necessário que existisse para poder dar existência, e que não existisse para poder recebê-la!!

Ora, uma coisa não pode existir ao mesmo tempo; logo o homem, assim como todas as coisas, tiveram um ente superior que os formou, uma causa absoluta e necessária que lhes deu origem, em que pese os positivistas obcecados pelo erro e pelo desvario.

E pois, senhores, se Comte nada fez como filosofo, muito menos produziu no terreno da religião.

Em política, o tresloucado reformador fez um amalgama, tal, uma confusão tal, que é difícil, senão impossível, compreender-se o que pretende ele estabelecer e firmar, quais os princípios que adota!

No seu tratado de filosofia positiva Auguste Comte seguiu somente o método objetivo, fundado na experiencia e na observação; pois bem, no seu “sistema de política positiva” abandonou, com a maior contradição, esse método, para adotar o subjetivo ou metafísico, que ele até então repelira!

E a única razão que deu para explicar essa transição, essa mudança inesperada, foi que o “método subjetivo, com os progressos da ciência se tornara objetivo!”

Sendo assim, senhores, havendo essa confusão de métodos, Comte nada conclui, nada estabelece em seu sistema de política positiva.

Pode-se, portanto, dizer em conclusão que, se Auguste Comte prestou grandes serviços às ciências físicas e matemáticas; se muito fez em prol das ciências exatas, nenhum serviço prestou, coisa alguma produziu em relação a religião, a filosofia, e á política.

Era o que eu pretendia demonstrar-vos do alto d’esta tribuna.

Devo agora despedir-me de vós, mas não o farei sem tocar n'uma questão em que muito falam os positivistas, querendo chamar a si a glória de haverem sido os primeiros a trazê-la tela da discussão, mostrando os seus inconvenientes e horrores; de haverem sido os primeiros a pretender riscá-la dos anais da humanidade; quero referir-me à guerra.

Nada há de mais inexato, digamos sem receio.

A guerra, meus senhores, esse recurso extremo a que chegam as nações, para desafronta de sua honra e dignidade, é geralmente estigmatizada, todos a detestam, todos querem que de uma vez para sempre ela desapareça, decidindo-se todas as questões internacionais por meio de agentes diplomáticos, que saibam compreender os seus deveres, mostrando-se na altura da melindrosa missão que lhes é confiada.

Hoje que os povos têm dado agigantados passos na senda do progresso e da civilização; hoje que os sentimentos de religião e humanidade são o apanágio das nações cultas; hoje em que já se sabe respeitar a justiça, a razão e o direito, a guerra deve acabar!

Não serão acaso suficientes, não serviram de experiência os horrores, os estragos, as devastações, o desespero e o luto que em épocas e pontos diversos do globo tem ela causado?!

Pois o incêndio, a pilhagem, a morte e a destruição, podem ter justificação? Certamente que não.

Como pois ousam os positivistas atribuir a si o anátema da guerra? Em que se fundam para reclamarem a iniciativa de sua abolição?...

Isto, porém, não deve admirar, porque em tudo o mais são sempre os mesmos os adeptos da seita....

Cumpre-me ainda, senhores, rebater d’aqui uma acusação que seria gravíssima, se não fosse a mais infundada, que fazem os discípulos de Comte ao cristianismo! Eles dizem que esta crença universal é atualmente o mais poderoso obstáculo contra a marcha progressiva das nações....

Ora, senhores, eu me dispenso de procurar mostrar-vos de uma maneira real e positiva os inúmeros benefícios os imensos serviços que o cristianismo tem prestado e continuará a prestar, à humanidade.

Bastar-me-ia recorrer a um único exemplo - a regeneração da mulher, que, graças aos princípios d'essa crença sublime, ocupa hoje o lugar de honra, que de direito lhe compete, como obra prima da criação....

Limito-me, portanto, a protestar contra tão leviana quão banal acusação.

Resta-me somente agora, senhores, agradecer a atenção e a benevolência com que me ouvistes, e acreditai que o faço cheio do mais vivo reconhecimento”.

(Aplausos do auditório)

Localização

- Conferências Populares, Rio de Janeiro, nº9, set.1876, pp 51-62 (na integra). Capturado em 17 jan. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/docreader/278556/995

Ficha técnica

- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca. 

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 197.1. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 3 fev.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=780

 


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