Conferência Popular da Glória nº 292

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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Data: 31/08/1879

Orador: Feliciano Pinheiro de Bittencourt

Título: Magnetismo animal

Aviso, íntegra ou resumo: Resumo

Texto na íntegra

“Realizou-se, na augusta presença de S. M. o Imperador, a conferência n. 292, no salão da escola da Glória, sendo orador o Dr. Feliciano Pinheiro de Bittencourt, que desenvolveu esta importante tese: - Magnetismo animal, ou sonambulismo provocado.

O orador fez o histórico do magnetismo, apreciando as diferentes frases por que passou sucessivamente na Alemanha, na França, na Suíça e na Escócia; apreciou as numerosas experiencias, estudos e observações dos homens mais notáveis das principais corporações cientificas da França, os quais todos se pronunciaram absolutamente contra a suposta eficácia do pretendido fluido magnético animal para a cura das afecções em geral.

Referiu-se aos trabalhos de Ernesto Bersot, Alfredo de Maury, Moilin, Dubois (d’Amiens), Bailly, Lavoisier e Franklin, Thouvenel, Thouret, Sigault, La Harpe e outros, mostrando que deles nada se conclui que seja favorável ao magnetismo animal; pelo contrário, reconhece-se a falsidade desse método de curar, que Mesmer desejou a todo o transe, propagar e espalhar, como a última palavra da ciência?

Apreciou o orador detalhadamente os trabalhos de Mesmer, Deslons, Dupotet, do Marques de Puisegur, de Deleuze, e outros magnetizadores, mostrando o seu nenhum valor sob o ponto de vista científico.

Disse que a seu ver essas maravilhosas atribuídas ao fluido magnético animal, esses fatos à primeira vista surpreendentes e extraordinários, não são mais do que o resultado, da exaltação, da imaginação da imitação e de uma superexcitação do sistema nervoso.

E em apoio da sua opinião citou o orador estas palavras expressivas do eminente fisiologista moderno Beclard: “Quanto ao sonambulismo provocado, ou magnetismo animal, estado sob cuja influência se supõe que o individuo pode perceber o cheiro de alimentos contidos no estomago; ler com o nariz, com os dedos ou com a nuca, predizer o futuro, ressuscitar o passado, saber as ciências sem as ter estudado, entregar-se enfim a um série de exercícios mais ou menos divertidos; quanto ao magnetismo animal, digo, e ás usas pretensas maravilhas, o que há mais para surpreender é ver até que ponto pode chegar a credulidade humana!...

Depois de referir-se ainda às regras práticas aconselhadas pelos magnetizadores, e que se acham perfeitamente expostas na história crítica do magnetismo animal de Deleuze, terminou o orador a sua interessante preleção, sendo muito aplaudido pelo escolhido e numeroso auditório.”.

Localização

- Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 03 set. 1879. Anno 58, n. 245, p.2 (resumo). Capturado em 11 fev. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_06/21662  

Ficha técnica

- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 292. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 17 fev.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=879

 


Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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