Conferência Popular da Glória nº 357

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Ir para navegação Ir para pesquisar

Data: 09/01/1881

Orador: Francisco Carlton

Título: Os canhões de grande calibre da esquadra brasileira e sua comparação com os alemães e ingleses

Aviso, íntegra ou resumo: Resumo

Texto na íntegra

“Na escola pública da Glória teve lugar, na presença de S. M. o Imperador a segunda conferência do Sr. 1º tenente da armada Francisco Carlton, que continuou a comparar e descrever os canhões de 23 toneladas de Whitworth que armam os nossos monitores Javary e Solimões, bem como os de 15 toneladas do mesmo autor que estão montados a bordo da corveta encouraçada Sete de Setembro, com os canhões de calibre correspondentes do sistema Woolwich de 25 e 12 toneladas de peso, e também com os de Krupp de 18 e 12,5 toneladas. Descrevendo rapidamente todos os seis canhões discriminou as cargas que se empregam na prática do tiro, os projéteis usados, as velocidades iniciais, a força viva ou poder penetrativo contra alvos encouraçados, nas distancias de 500 e 1.00 metros.

Fez ainda sentir, mais uma vez a sua opinião contra o uso dos projeteis de 4,4 a 5 calibres de comprimento do sistema Whitworth, e especialmente nas suas bocas de fogo de grande calibre.

Funda a sua opinião contra os projeteis longos, não só no luminoso parecer da comissão de Gâvre, que em 1876 experimentou o tipo de 35 toneladas para armar o Independência, como ainda nas leis que regem a marcha de um projétil dentro da alma de um canhão raiado. A prática faz ver, diz o orador, que tais projeteis, longe de serem poderosos meios de destruição para o inimigo, só servem para arriscar a vida da boca de fogo, podendo comprometer o êxito de um combate.

Para melhor estabelecer este argumento, apresentou o conferente a hipótese de um canhão de 80 toneladas do sistema Whitworth, que, segundo esse princípio, deverá arrojar um obus de aço de cinco calibres de comprimento, e se supuzer-se 0m, 40 para o calibre d’essa boca de fogo, não poderá o obus pesar menos de 1.400 ou 1.500 quilos, com a velocidade inicial de 450 metros; a carga explosiva será de 80 a 90 quilos, e a de projeção provavelmente de 200 quilos de pólvora prismática.

Pergunta o orador se tal bólide arrojado por esse canhão preencherá os fins para que é feito?

Lembra que nos sistemas Woolwich, Elswick e Krupp já é uma realidade a existência de tão elevado calibre e maior ainda.

Deduz em seguida alguns princípios para a avaliação do poder balístico de um canhão, e pelos resultados que se tem obtido, não só com a teoria como com a prática, consegue mostrar a inferioridade dos nossos atuais canhões, quer sejam comparados com os de Woolwich, quer com os de Krupp.

O orador declara que não opina pelos sistemas de Woolwich e Elswick, posto que muito superiores a Whitworth, porque os seus projeteis não são de aço e os canhões não se compõem de um só metal, como seria para desejar.

Conclui dando a supremacia aos produtos de Essen, fundando-se para isso não só na opinião dos ilustrados profissionais da Europa, como na dedução de razões que se obtém encarando a questão pelo lado administrativo e econômico.

Antes de finalizar a sua conferência, o orador declara que está tão convicto da onipotência e excelência dos canhões de Krupp, que não deixará de dar-lhes a preferência. Não obstante, se mais tarde o sistema Whitwort, sempre que se tratar de canhões modernos, apresentar produtos que satisfaçam.

Completamente as objeções que ora se notam e que possam então ser comparadas com os produtos de Woolwich e Krupp; o orador não hesitará em afirmar que as apreensões e receios que nutria contra a inferioridade do armamento que possuíamos, já se acham dissipadas.

S. M. conversou depois alguns minutos com o orador, que ao terminar, foi saudado por uma salva de palmas.”.

Localização

Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 10 jan.1881, Anno VII, n. 10, p. 02 (resumo). Capturado em 13 fev. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_02/1421

Ficha técnica

- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 357. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 6 mai.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=965

 


Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)