Conferência Popular da Glória nº 303: mudanças entre as edições

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Ir para navegação Ir para pesquisar
(Criando um novo verbete.)
 
m (Substituição de texto - "Category:Conferencias" por "{{DEFAULTSORT: {{padleft: {{#explode: {{#iferror:{{#explode:{{PAGENAME}}|nº |1}}|{{PAGENAME}}}} |. |0}} |4|0}} . {{padright: {{#iferror: {{#explode: {{#iferror:{{#explode:{{PAGENAME}}|nº |1}}|{{PAGENAME}}}} |. |1}} |0}} |4|0}} }} Category:Conferencias2")
Linha 67: Linha 67:
----
----
<p style="text-align: center;">'''<font color="#0000CC"><font size="2"><font face="Arial">''{{SITENAME}}<br /> Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – ([http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/ <font color="#0000CC">http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br</font>])''</font></font></font>'''</p>
<p style="text-align: center;">'''<font color="#0000CC"><font size="2"><font face="Arial">''{{SITENAME}}<br /> Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – ([http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/ <font color="#0000CC">http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br</font>])''</font></font></font>'''</p>
[[Category:Conferencias]]
{{DEFAULTSORT:
{{padleft:
{{#explode:
  {{#iferror:{{#explode:{{PAGENAME}}|nº |1}}|{{PAGENAME}}}}
|. |0}}
|4|0}}
.
{{padright:
{{#iferror:
  {{#explode:
  {{#iferror:{{#explode:{{PAGENAME}}|nº |1}}|{{PAGENAME}}}}
  |. |1}}
|0}}
|4|0}}
}}
[[Category:Conferencias2]]

Edição das 16h58min de 25 de fevereiro de 2026

Data: 23/11/1879.

Orador: Feliciano Pinheiro de Bittencourt

Título: Será contagiosa a tuberculose pulmonar? Será inoculável? Experiências de Villemin

Aviso, íntegra ou resumo: Resumo

Texto na íntegra

“Na augusta presença de S. M. o Imperador e de escolhido auditório, efetuou o Dr. Feliciano Pinheiro de Bittencourt a conferência n. 303, no salão da escola da Glória, dissertando sobre este importante assunto: Será contagiosa a tuberculose pulmonar? Será inoculável? Experiências de Villemin.

Antes de entrar no desenvolvimento da matéria o orador felicitou o Sr. Conselheiro Correia, pelo fato de se haver completado seis anos de existência das conferências populares, por S. Ex. inauguradas, e mantidas com todo o zelo e atividade.

Declarou que por sua parte tem concorrido na medida de suas forças para a manutenção de tão útil instituição, tendo até agora efetuado 22 conferências.

Passando a tratar da sua tese o orador começou fazendo uma distinção entre tuberculose e tísica, dizendo que um individuo pode ser tuberculoso e não ser tísico e vice-versa.

Dá se o nome de tisica a um estado de depauperamento profundo do organismo, de enfraquecimento geral, de marasmo e caquexia, quando há para assim dizer, um naufrágio de todos os órgãos, aparelhos e facções da economia. De sorte que um doente nestas condições está irremissivelmente perdido, ainda mesmo que não apresente tuberculose nos pulmões, ou os tenha apenas rudimentares.

Ao passo que o sujeito pode apresentar uma pequena caverna no ápice de um dos pulmões, pode ser tuberculoso, mais ainda forte, dotado de funções orgânicas regulares, não ser tisico e curar-se pela cicatrização da caverna, uma vez que adote um tratamento climático conveniente, um bom regimen alimentar. Neste sentido apresentou o orador observações de Gueneau de Mussy, de Pidoux e de Peter.

Discutido este ponto, passou a ocupar-se com a questão de contagiosidade da tuberculose. Poderá esta moléstia transmitir-se por contágio?

O orador, com a grande maioria dos autores modernos, respondeu pela negativa. Declarou, porém, que há uma pequena fração de médicos, alguns aliás notáveis, que admitem o contágio da tuberculose, em geral clínicos de lugarejos, onde a observação dos fatos, é limitada. Disse que essa pequena minoria pretende sustentar o contágio da tuberculose, apoiando-se em alguns fatos raros, que não resistem a uma análise séria, e que tem contra si uma grande maioria de outros fatos.

É sobretudo apelando para o que às vezes se observa entre os esposos, isto é, que morrendo um deles de tuberculose segue-se a morte do outro cônjuge da mesma afecção, que querem alguns sustentar o contágio, a transmissão por contado da tuberculose. Mas tais fatos não tem valor algum, não só porque são raras vezes observados, como porque tem contra si muitos outros.

Quantas e quantas vezes morre a mulher tuberculosa e o marido não se tuberculiza, e vice-versa? E depois, quando mesmo fato se dê, não será mais racional apelar-se para uma série de outras causas, que, trazendo como consequência o depauperamento do organismo, predispõem o esposo ou a esposa á tuberculose? Certamente que sim. Sem dúvida que as constantes aflições da esposa (se é o marido o tuberculoso), as vigílias prolongadas por que passa, a perda do apetite, e portanto, a insuficiência da alimentação, o ar confinado que respira junto ao leito do doente, recebendo as exalações que dele se desprendem, já pelas vias aéreas sob a forma de escarros, já pela pelo sob a forma de suores, já pelas vias gastrointestinais, etc.; sem dúvida, exclama o orador, que todas estas causas, enfraquecendo e alterando profundamente o organismo, devem predispô-lo à tuberculose pulmonar, que geralmente faz0se pelo ápice dos pulmões, parte do órgão a menos nutrida, e inútil por assim dizer no estado normal, visto que a hematose faz-se nas bases e o centro dos órgãos.

É, pois, os fatos, aliás raros, de morte do marido tuberculoso após a esposa, ou vice-versa, não tem essa importância que lhes querem alguns atribuir.

Demais autores da ordem de Pidoux, um dos médicos de França que trata de maior número de tuberculosos, que há doze anos, observa nas fontes dos Pirineus, nas Águas-Boas; Peter, que tem uma vasta clínica civil, além da dos hospitais; Gueneau de Mussy, e tantos outros pronunciam-se francamente contra a contagiosidade da tuberculose.

Em uma estatística de quatro mil doentes diz Pidoux só ter observado quatro casos de tuberculose desenvolvida em enfermeiros, em indivíduos que haviam prestado cuidados a tuberculosos, e mesmo nestes casos ele explica perfeitamente o aparecimento da moléstia antes por predisposição congênita, do que por contágio, nunca observado nas Águas Boas, onde os doentes aglomeram-se não só tuberculosos, como afetados de outros moléstias.

Depois de outras considerações que fora longo reproduzir, passou a tratar da importante questão de saber-se o tubérculo é inoculável.

Referiu-se detidamente às celebres experiencias de Villemia, Lebert, Metzquer, Colin e outros, concluindo por sustentar a seguinte opinião: que inoculando-se o tubérculo em animais, como coelhos e porquinhos da Índia, no organismo deles desenvolvem-se granulações tuberculosas; sobre isto não há dúvida.

Mas que natureza serão essas granulações? Ou por outra, será o tubérculo provocado igual em natureza e efeitos ao tubérculo espontâneo, que se desenvolve naturalmente?

O orador respondeu pela negativa, mostrando as diferenças de natureza e efeitos, fazendo ver que injetando-se o tubérculo obtém uma moléstia local, uma moléstia que não afeta a economia inteira, como o faz a tuberculose espontânea, moléstia geral por excelência. Há também diferença na natureza porque inoculando-se não já tubérculo, mas outros produtos mórbidos, como o pus de uma pneumonia, de uma hepatite supurada, da peritonite, etc., obtém-se os mesmos resultados, que inoculando-se os de tuberculose.

É, pois, o tubérculo provocado ou inoculado, é muito diverso em natureza e efeitos do espontâneo ou natural; este dá lugar a uma moléstia geral, afetando todo o organismo; aquele a uma moléstia local, sem que a vida do animal perigue.

Sustentando esta opinião terminou o orador a sua conferência, referindo-se a um trabalho do Sr. Dr. Remédios Monteiro, publicado no Progresso Médico.

Ao deixar a tribuna, foi muito aplaudido.”.

Localização

- Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 01 dez. 1879. Anno 58, n. 334, p.3 (resumo). Capturado em 21 fev. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_06/22261  

Ficha técnica

Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 303. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 27 fev.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=890

 


Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)