Conferência Popular da Glória nº 98: mudanças entre as edições
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Edição das 16h59min de 25 de fevereiro de 2026
Data: 15/11/1874
Orador: Joaquim Nabuco
Título: Veneza e arte veneziana.
Aviso, íntegra ou resumo: Resumo
Texto na íntegra
“A quinquagésima primeira conferência de domingo, que foi honrada com a presença de SS. MM. Imperiais. O numeroso auditório enchia completamente o vasto salão. Subiu à tribuna o Sr. Joaquim Nabuco para tratar de Veneza e a arte veneziana.
O orador começou dizendo que ocupava-se com a arte veneziana não por preferi-la à florentina ou à romana, mas por ser a de que guarda mais viva impressão.
Aludindo à Florença, disse que para quem vem de Roma, ela não é senão o berço de uma arte cujos mais perfeitos modelos acham-se no Vaticano.
Ocupou-se largamente com a Renascença e mostrou quanto mais tardia a aparição da pintura veneziana, cujo desenvolvimento estudou desde os Bellinis até Paulo Veronese.
Para mostrar como essa pintura saiu do estado de Veneza no século XVI falou do governo e da vida dessa cidade.
Estudando o caráter dessa pintura fez um paralelo entre a capela Cistina e o palácio dos Doges e descreveu com grande desenvolvimento as duas tendencias contrárias da arte de que esses dois monumentos são a melhor expressão. Pintando a decadência de Veneza, disse que a arte veneziana tinha revivido com Rubens e Delacroix e que se os holandeses se tivessem estabelecido no Recife talvez essa cidade justificasse hoje o seu título de Veneza da América.
Na conclusão do seu discurso o talentoso orador mostrou que um país não precisa de um grande território nem de grande população para viver na história, e aconselhandoO Sr. Dr. Luiz Joaquim Duque-Estrada Teixeira tratou de dois grandes poetas, Dante e Goethe, e mais uma vez revelou os dotes de seu espírito cultivado e os mais sólidos estudos literários.
Não compartilhando a opinião de Mazzini, que entende não se poder estabelecer confronto entre o ilustre poeta florentino do século 14º e o celebre poeta alemão do século 19º, o Sr. Dr. Duque-Estrada Teixeira, que tem de continuar a tratar em outras conferências de tão importante assunto, reservou para outra ocasião a comparação que há de fazer entre as obras de um e outro.
Narrando a vida de Dante apontou as circunstâncias que servem para explicar as suas composições poéticas, uma das quais, A Divina Comédia, abriu brilhantemente o caminho aos poetas e literatos italianos da idade moderna.
O tempo não permitiu se havia ao instruído orador senão o apreciar em largos traços o imortal poema de Dante, mas fê-lo com mão segura, demonstrando cultivada e primorosa crítica literária.
Na mesma tribuna se havia qualificado A Divina Comédia como o poema de vingança. Não a considera a gloriosa e genuína expressão do tempo em que Dante viveu.
O imortal poema do sublime poeta foi valioso auxílio para as obras justamente apreciadas de Miguel Angelo e Raphael.
O auditório aplaudiu vivamente o hábil orador ao terminar seu importante discurso.
Quinta-feira, às 6 horas da tarde, fará o Sr. Dr. Antonio Ferreira Vianna, a decima sétima conferência do instrutivo Curso de Pedagogia, de que se encarregou. Essa conferência será a última do distinto orador no corrente ano”.
Localização
- Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, Anno 53, n. 319, 17 nov. 1874. p.4 (resumo). Capturado em 25 jul. 2025. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_06/9876
Ficha técnica
- Pesquisa: Yolanda Lopes de Melo da Silva, Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 98. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 21 mai.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=687
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)