Conferência Popular da Glória nº 517: mudanças entre as edições
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<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Depois de um exórdio em que manifestou o seu jubilo por ter cessado o triste crepúsculo em que o país jazia imerso e ao qual estão sucedendo os brilhantes clarões de uma aurora regeneradora, o orador opinou que de pronta reforma carece o sistema porque atualmente se fazem os exames gerais. Grandes males resultam de serem remunerados os examinadores, pois assim se tornam alvo de suspeitas, de que aliás o orador não participa. Melhor fora que tais exames se realizassem perante uma única mesa presidida pelo inspetor geral e com um delegado do governo, como se praticara antigamente no tempo do Sr. Visconde de Jequitinhonha, época em que nem um distúrbio houve que lamentar.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">A instrução secundária deve ser, no entender do orador, gratuitamente fornecida pelos poderes públicos, como acontece nos Estados Unidos, o que provou lendo trechos de Hippeau; mas acha que censurável há sido o procedimento dos governos que tem permitido a matrícula gratuita no Externato do Colégio de Pedro II, a meninos cujos pais podem pagar as mensalidades.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Passando a tratar do mesmo colégio, faz sentir que entra em matéria tomado de saudades do tempo em que ouviu a lição dos mestres nesse estabelecimento onde se tem graduado notáveis vultos, dos quais pede vênia para citar Alvares de Azevedo e o Sr. Conselheiro <u>[[CORREIA, MANOEL FRANCISCO|Correia]]</u>.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">A causa da decadência do colégio está nas muitas reformas porque tem passado; e, contudo, vai apresentar uma que dará remédio aos males das precedentes.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Para esse fim, procede a análise de algumas disposições, já revogadas dos regulamentos do colégio desde a sua criação.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Censura o plano de estudos do regulamento de 1838, o qual é para admirar fosse organizado por Bernardo Pereira de Vasconcellos, pois nesse plano fala-se de história, mas não se especializa a do Brasil.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Na reforma de 1842 elogia a supressão do banquete escolar: ''Primo philosophare, deiade vivere.'' Dessa medida resultarão incalculáveis benefícios para o ensino, elevando-se consideravelmente o nível dos estudos clássicos.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">O regulamento de 1857 foi altamente pernicioso, criando o internato, pois, como prova o orador com outros trechos de Hippeau e do Sr. Ruy Barbosa, não passam os internatos de verdadeiros mistos de claustro e de quartel. Convém, portanto, remover o de Pedro II para fora desta capital.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Nota a falta do estudo da história pátria no regulamento do Sr. Conselheiro Paulino, não sendo, contudo, esse o menor dos vícios que o inquinam.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">A reforma do Sr. Conselheiro José Bento, de quem aliás o orador se confessa reverente discípulo, foi a pior de todas, porque aumentou extraordinariamente a despesa com duplicar o pessoal docente.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">A do Sr. Conselheiro Leôncio apenas teve de bom a ideia de coagir os professores do colégio a servirem gratuitamente nos exames gerais; no mais foi ato de que, como do decreto de 19 de abril, remorsos devem ter ficado a esse ministro.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Alguma coisa melhor do que o precedente foi a reforma do Sr. Barão Homem de Mello, pois só aumentou quatro lugares no professorado.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Quanto aos substitutos, o orador os acha inúteis pois de momento pode qualquer pessoa idônea reger uma cadeira vaga.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Referindo-se a esta reforma o Sr. Conselheiro Leão Velloso atribuiu-lhe em seu relatório o aumento da frequência no colégio; lamentável confusão foi essa entre frequência e matrícula, coisas que de ordinário não se distinguem bem no Brasil.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Em todas estas reformas, nas quais não foram ouvidos os reitores, determinaram-se inúteis despesas, e, depois de abundar em considerações de ordem econômica, declara o orador que, se fora governo, criaria mais vinte colégios de Pedro II nas capitais das províncias. Dado, porém, que este melhoramento não possa desde já realizar-se, chama a atenção do Sr. Ministro do Império para duas bases essenciais sobre que deve assentar a próxima reforma: 1º, supressão do meio-pensionato, e com a qual se evitará o desperdício da refeição fornecida aos alunos, que só esperam por ela para sair do colégio; e 2º, supressão das matrículas gratuitas, algumas das quais são concedidas a filhos de capitalistas.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Em seguida expõe uma distribuição de matérias, da qual só pudemos apanhar que fica eliminada a geografia, e reduzido a um ano o estudo de inglês.</span></span> | |||
<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Terminando, lê um trecho de Thiers, para provar que se deve falar verdade ao país, e a carta em que o S. M. o Imperador recusou uma estátua, mandando que à instrução pública fossem aplicados os dinheiros para aquele fim obtidos. Conclui solicitando para a instrução a continuação de tão valioso patrocínio.</span></span> | |||
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<span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">''- Jornal do Commercio,'' Rio de Janeiro, Anno 64, n. | <span style="font-size:small;"><span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">''- Jornal do Commercio,'' Rio de Janeiro, Anno 64, n.300, p.3, 28 out. 1885 (resumo). Capturado em 02 maio 2026. Online. Disponível na Internet: <u>http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/13981</u></span></span> | ||
=<span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Ficha técnica</span>= | =<span style="font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;">Ficha técnica</span>= | ||
Edição atual tal como às 19h12min de 2 de maio de 2026
Data: 25/10/1885
Orador: Luiz Henrique Pereira de Campos
Título: : Instrucção secundaria, Exames de preparatórios, Imperial Collegio de Pedro II, Plano de nova reforma.
Aviso, íntegra ou resumo: Resumo
Texto na íntegra
“Realizou-se no domingo (25), na augusta presença de S. o Imperador, a conferência em que o Sr. Dr. Luiz Henrique Pereira de Campos, oficial da secretaria do império, tratou de instrução secundária, propondo-se indicar várias reformas no tocante a exames de preparatórios e no ensino no imperial colégio de Pedro II.
Depois de um exórdio em que manifestou o seu jubilo por ter cessado o triste crepúsculo em que o país jazia imerso e ao qual estão sucedendo os brilhantes clarões de uma aurora regeneradora, o orador opinou que de pronta reforma carece o sistema porque atualmente se fazem os exames gerais. Grandes males resultam de serem remunerados os examinadores, pois assim se tornam alvo de suspeitas, de que aliás o orador não participa. Melhor fora que tais exames se realizassem perante uma única mesa presidida pelo inspetor geral e com um delegado do governo, como se praticara antigamente no tempo do Sr. Visconde de Jequitinhonha, época em que nem um distúrbio houve que lamentar.
A instrução secundária deve ser, no entender do orador, gratuitamente fornecida pelos poderes públicos, como acontece nos Estados Unidos, o que provou lendo trechos de Hippeau; mas acha que censurável há sido o procedimento dos governos que tem permitido a matrícula gratuita no Externato do Colégio de Pedro II, a meninos cujos pais podem pagar as mensalidades.
Passando a tratar do mesmo colégio, faz sentir que entra em matéria tomado de saudades do tempo em que ouviu a lição dos mestres nesse estabelecimento onde se tem graduado notáveis vultos, dos quais pede vênia para citar Alvares de Azevedo e o Sr. Conselheiro Correia.
A causa da decadência do colégio está nas muitas reformas porque tem passado; e, contudo, vai apresentar uma que dará remédio aos males das precedentes.
Para esse fim, procede a análise de algumas disposições, já revogadas dos regulamentos do colégio desde a sua criação.
Censura o plano de estudos do regulamento de 1838, o qual é para admirar fosse organizado por Bernardo Pereira de Vasconcellos, pois nesse plano fala-se de história, mas não se especializa a do Brasil.
Na reforma de 1842 elogia a supressão do banquete escolar: Primo philosophare, deiade vivere. Dessa medida resultarão incalculáveis benefícios para o ensino, elevando-se consideravelmente o nível dos estudos clássicos.
O regulamento de 1857 foi altamente pernicioso, criando o internato, pois, como prova o orador com outros trechos de Hippeau e do Sr. Ruy Barbosa, não passam os internatos de verdadeiros mistos de claustro e de quartel. Convém, portanto, remover o de Pedro II para fora desta capital.
Nota a falta do estudo da história pátria no regulamento do Sr. Conselheiro Paulino, não sendo, contudo, esse o menor dos vícios que o inquinam.
A reforma do Sr. Conselheiro José Bento, de quem aliás o orador se confessa reverente discípulo, foi a pior de todas, porque aumentou extraordinariamente a despesa com duplicar o pessoal docente.
A do Sr. Conselheiro Leôncio apenas teve de bom a ideia de coagir os professores do colégio a servirem gratuitamente nos exames gerais; no mais foi ato de que, como do decreto de 19 de abril, remorsos devem ter ficado a esse ministro.
Alguma coisa melhor do que o precedente foi a reforma do Sr. Barão Homem de Mello, pois só aumentou quatro lugares no professorado.
Quanto aos substitutos, o orador os acha inúteis pois de momento pode qualquer pessoa idônea reger uma cadeira vaga.
Referindo-se a esta reforma o Sr. Conselheiro Leão Velloso atribuiu-lhe em seu relatório o aumento da frequência no colégio; lamentável confusão foi essa entre frequência e matrícula, coisas que de ordinário não se distinguem bem no Brasil.
Em todas estas reformas, nas quais não foram ouvidos os reitores, determinaram-se inúteis despesas, e, depois de abundar em considerações de ordem econômica, declara o orador que, se fora governo, criaria mais vinte colégios de Pedro II nas capitais das províncias. Dado, porém, que este melhoramento não possa desde já realizar-se, chama a atenção do Sr. Ministro do Império para duas bases essenciais sobre que deve assentar a próxima reforma: 1º, supressão do meio-pensionato, e com a qual se evitará o desperdício da refeição fornecida aos alunos, que só esperam por ela para sair do colégio; e 2º, supressão das matrículas gratuitas, algumas das quais são concedidas a filhos de capitalistas.
Em seguida expõe uma distribuição de matérias, da qual só pudemos apanhar que fica eliminada a geografia, e reduzido a um ano o estudo de inglês.
Terminando, lê um trecho de Thiers, para provar que se deve falar verdade ao país, e a carta em que o S. M. o Imperador recusou uma estátua, mandando que à instrução pública fossem aplicados os dinheiros para aquele fim obtidos. Conclui solicitando para a instrução a continuação de tão valioso patrocínio.
Por escusado, temos acrescentar que o orador foi aplaudido.”.
Localização
- Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, Anno 64, n.300, p.3, 28 out. 1885 (resumo). Capturado em 02 maio 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/13981
Ficha técnica
- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 517. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 20 mai.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=1131
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)