Conferência Popular da Glória nº 517

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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Data: 25/10/1885

Orador: Luiz Henrique Pereira de Campos

Título: : Instrucção secundaria, Exames de preparatórios, Imperial Collegio de Pedro II, Plano de nova reforma.

Aviso, íntegra ou resumo: Resumo

Texto na íntegra

“Realizou-se no domingo (25), na augusta presença de S. o Imperador, a conferência em que o Sr. Dr. Luiz Henrique Pereira de Campos, oficial da secretaria do império, tratou de instrução secundária, propondo-se indicar várias reformas no tocante a exames de preparatórios e no ensino no imperial colégio de Pedro II.

Depois de um exórdio em que manifestou o seu jubilo por ter cessado o triste crepúsculo em que o país jazia imerso e ao qual estão sucedendo os brilhantes clarões de uma aurora regeneradora, o orador opinou que de pronta reforma carece o sistema porque atualmente se fazem os exames gerais. Grandes males resultam de serem remunerados os examinadores, pois assim se tornam alvo de suspeitas, de que aliás o orador não participa. Melhor fora que tais exames se realizassem perante uma única mesa presidida pelo inspetor geral e com um delegado do governo, como se praticara antigamente no tempo do Sr. Visconde de Jequitinhonha, época em que nem um distúrbio houve que lamentar.

A instrução secundária deve ser, no entender do orador, gratuitamente fornecida pelos poderes públicos, como acontece nos Estados Unidos, o que provou lendo trechos de Hippeau; mas acha que censurável há sido o procedimento dos governos que tem permitido a matrícula gratuita no Externato do Colégio de Pedro II, a meninos cujos pais podem pagar as mensalidades.

Passando a tratar do mesmo colégio, faz sentir que entra em matéria tomado de saudades do tempo em que ouviu a lição dos mestres nesse estabelecimento onde se tem graduado notáveis vultos, dos quais pede vênia para citar Alvares de Azevedo e o Sr. Conselheiro Correia.

A causa da decadência do colégio está nas muitas reformas porque tem passado; e, contudo, vai apresentar uma que dará remédio aos males das precedentes.

Para esse fim, procede a análise de algumas disposições, já revogadas dos regulamentos do colégio desde a sua criação.

Censura o plano de estudos do regulamento de 1838, o qual é para admirar fosse organizado por Bernardo Pereira de Vasconcellos, pois nesse plano fala-se de história, mas não se especializa a do Brasil.

Na reforma de 1842 elogia a supressão do banquete escolar: Primo philosophare, deiade vivere. Dessa medida resultarão incalculáveis benefícios para o ensino, elevando-se consideravelmente o nível dos estudos clássicos.

O regulamento de 1857 foi altamente pernicioso, criando o internato, pois, como prova o orador com outros trechos de Hippeau e do Sr. Ruy Barbosa, não passam os internatos de verdadeiros mistos de claustro e de quartel. Convém, portanto, remover o de Pedro II para fora desta capital.

Nota a falta do estudo da história pátria no regulamento do Sr. Conselheiro Paulino, não sendo, contudo, esse o menor dos vícios que o inquinam.

A reforma do Sr. Conselheiro José Bento, de quem aliás o orador se confessa reverente discípulo, foi a pior de todas, porque aumentou extraordinariamente a despesa com duplicar o pessoal docente.

A do Sr. Conselheiro Leôncio apenas teve de bom a ideia de coagir os professores do colégio a servirem gratuitamente nos exames gerais; no mais foi ato de que, como do decreto de 19 de abril, remorsos devem ter ficado a esse ministro.

Alguma coisa melhor do que o precedente foi a reforma do Sr. Barão Homem de Mello, pois só aumentou quatro lugares no professorado.

Quanto aos substitutos, o orador os acha inúteis pois de momento pode qualquer pessoa idônea reger uma cadeira vaga.

Referindo-se a esta reforma o Sr. Conselheiro Leão Velloso atribuiu-lhe em seu relatório o aumento da frequência no colégio; lamentável confusão foi essa entre frequência e matrícula, coisas que de ordinário não se distinguem bem no Brasil.

Em todas estas reformas, nas quais não foram ouvidos os reitores, determinaram-se inúteis despesas, e, depois de abundar em considerações de ordem econômica, declara o orador que, se fora governo, criaria mais vinte colégios de Pedro II nas capitais das províncias. Dado, porém, que este melhoramento não possa desde já realizar-se, chama a atenção do Sr. Ministro do Império para duas bases essenciais sobre que deve assentar a próxima reforma: 1º, supressão do meio-pensionato, e com a qual se evitará o desperdício da refeição fornecida aos alunos, que só esperam por ela para sair do colégio; e 2º, supressão das matrículas gratuitas, algumas das quais são concedidas a filhos de capitalistas.

Em seguida expõe uma distribuição de matérias, da qual só pudemos apanhar que fica eliminada a geografia, e reduzido a um ano o estudo de inglês.

Terminando, lê um trecho de Thiers, para provar que se deve falar verdade ao país, e a carta em que o S. M. o Imperador recusou uma estátua, mandando que à instrução pública fossem aplicados os dinheiros para aquele fim obtidos. Conclui solicitando para a instrução a continuação de tão valioso patrocínio.

Por escusado, temos acrescentar que o orador foi aplaudido.”.

Localização

- Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, Anno 64, n.300, p.3, 28 out. 1885 (resumo). Capturado em 02 maio 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/13981

Ficha técnica

- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 517. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 20 mai.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=1131

 


Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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