Conferência Popular da Glória nº 320
Data: 04/07/1880
Orador: João Manoel Pereira da Silva
Título: Sobre o grande vulto do Padre Antonio Vieira (cont.)
Aviso, íntegra ou resumo: Resumo
Texto na íntegra
“A de domingo 4 do corrente, feita na escola da Glória pelo Sr. Conselheiro João Manoel Pereira da Silva, foi ouvida por S. M. o Imperador e por extraordinário concurso de damas e cavalheiros.
Prosseguindo na história do padre Antonio Vieira, para provar a influência e importância de que gozou na sociedade, governo e política de Portugal, no século XVII, referiu seus conselhos à regente D. Luiza, sua perseguição sob D. Affonso VI, sua prisão e condenação pelo Santo Ofício da Inquisição, e sua liberdade recuperada, quando aquele rei miserável foi deposto do trono pelo irmão, o infante D. Pedro, e mandado preso e degradado para a ilha Terceira. O infante, porém, não se dedicando ao jesuíta, como fizeram seu pai e mãe, D. João IV e D. Luiza, este se desgostou do governo, e foi residir em Roma, onde ganhou extraordinários aplausos pela sua eloquência, pregando em italiano. Por fim, bateu-lhe no coração a saudade da pátria, que ele muito amava, e voltou a Lisboa, munido de um breve que o isentava da jurisdição da Inquisição.
Adoecendo em Lisboa, e não se achando satisfeito com a consideração que entendia dever receber do infante e do seu governo, partiu para a Bahia. Aí se ocupava a limar seus discursos e obras que enviava para Lisboa a imprimir-se, escondendo-se nas solidões da Quinta do Tanque, pertencente ao instituto dos jesuítas, quando novas perseguições suportou com membros de sua família por parte do governador Antonio de Souza Menezes, e foi condenado até a ser castigado pelos jesuítas, o que estes não fizeram por conhecer a inocência e virtudes do padre. De Roma lhe veio a nomeação de superior, e ocupou-se com enviar missões catequizadoras aos sertões, para atrair à sociedade e religião os gentios selvagens.
Acabado o tempo do seu governo, retirou-se de novo para a Quinta do Tanque, quando, por moléstias e depois de cego e surdo, e na idade de 89 anos, se passou para o Colégio da Bahia, onde morreu.
O orador depois de assim explicar as relações e influência do padre Vieira quanto à nacionalidade portuguesa, prometeu em outra conferencia apreciá-lo como orador e escritor, encarando-o sob o ponto de vista de língua e literatura portuguesas, porque na sua opinião o jesuíta Antonio Vieira foi o representante quase exclusivo da civilização do século XVI em Portugal e Brasil, e constitui o vulto principal e mais genuíno da época, cujo sentir, paixões, tendencias, hábitos, abusões e superstições ele reuniu e fotografou inteira e completamente.
Semeou o orador o seu discurso com episódios interessantes e agradáveis, e com leitura de trechos encantadores, devidos ao gênio do padre Vieira, descendo da tribuna no meio de aplausos estrepitosos do auditório.”.
Localização
- Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 05 jul. 1880.Anno 59, n. 185, p. 01. (resumo). Capturado em 24 fev. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/1123
Ficha técnica
- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 320. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 1 abr.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=910
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)