Conferência Popular da Glória nº 337.2

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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Data: 12/09/1880

Orador: Francisco Praxedes de Andrade Pertence

Título: Ensino Superior

Aviso, íntegra ou resumo: Resumo

Texto na íntegra

“O orador também explica o atraso do ensino pela pouca duração dos ministros no poder: quando eles começam a compreender o que devem fazer, são dispensados dos cargos que ocupam; e este fato sucede-se a miúdo, de sorte que dos poderes do Estado não é lícito esperar muito.

O orador passa a fazer exposição do estado em que se conservou a cadeira de operações da faculdade d’esta corte, durante o tempo do seu magistério; recorda com tristeza e vergonha a pobreza dos gabinetes, sem ferros, sem aparelhos; fala do anfiteatro pobre, escuro, de pequenas dimensões e de cheiro incomodo.

Tudo isto é deplorável; em qualquer cidade de qualquer país da Europa, um espírito consciencioso acharia o que admirar.

Aqui tudo é incompleto, começando mesmo pelo ensino preparatório.

Hoje, na França estuda-se geografia estratégica, como em nosso país se aprende o A, B, C, para saber ler o português; é verdade, que foi preciso a Alemanha apontar aquele grande país a falta em que se achava, seduzindo o último Napoleão para o Sedan, verdadeira teia de aranha onde caiu a antiga instituição política dos Bonapartes. Nem mesmo com o exemplo tão eloquente, o Brasil procura prevenir-se contra os revezes do futuro.

O orador não quer perder o ensejo para fazer uma declaração; diz que nunca foi o almirante da nau do ensino, como o chamaram.

Até hoje tem sido apenas o tripulante de uma catraia, navegando em águas podres.

Seria o almirante, se fossem coroados de bom êxito as suas tentativas, os seus trabalhos como lente, que, por amor ao ensino, subiu durante muitos anos o morro do Castello, nas horas mais ardentes do dia, acompanhado dos seus alunos para explicar-lhes.

Faz a leitura do trecho de um dos relatórios do ministro da instrução publica da França, e compara os progressos da ciência, a proporção que se desenvolvia a iniciativa do Estado.

Aqui no Brasil, os governos bifaram até o artigo da Constituição que garante a instrução ao povo, porque os governos brasileiros só pensam em ser liberal ou conservador, em estar ou não estar no poder.

Ideias generosas, patriotismo e estímulo a nobres empresas não aparecem. Esta é a verdade; o orador há de dizê-la: incomode a quem incomodar.

Felizmente, ainda se alcança um pouco de instrução n’este país, pelo cuidado das mães de família, que desde muito cedo começam a ensinar aos seus filhos.

O orador faz leitura do relatório de um ministro americano, pelo qual se prova o aumento e progresso dos estudos científicos no estado da Virginia.

Conclui fazendo a leitura de uma proclamação do povo da Noruega pedindo a fundação de um edifício para a universidade.

(Aplausos. Bravos. Muito bem, muito bem. O orador é cumprimentado.).”.

Localização

- Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, anno VI, n.256, p.2, 15 set. 1880. (resumo estendido). Capturado em 04 mar. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/docreader/103730_02/1267

Ficha técnica

- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 337.2. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 16 mar.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=942

 


Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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