Conferência Popular da Glória nº 362

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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Data: 13/02/1881

Orador: Antonio de Almeida e Oliveira

Título: Instrução pública: unidade de plano na sua reforma

Aviso, íntegra ou resumo: Resumo

Texto na íntegra

“O Sr. Dr. Antonio de Almeida e Oliveira realizou ontem a 362 destas conferências, tratando da unidade de plano na reforma da instrução pública.

O orador começa fazendo uma recapitulação da sua conferência de 16 de janeiro último, mostrando que as escolas de instrução inferior que pediu no seu plano de ensino, apresentado então, são as necessárias para o desenvolvimento do país.

Trata das escolas de profissões que propôs e que não existem somente na Alemanha e na França, mas também na América do Norte e na Inglaterra. Propôs ainda escolas de caráter mais elevado do que as de ofícios, às quais chama profissionais.

Fala da necessidade das escolas normais, industriais, comerciais, agrícolas, de fiação e de tecidos, de engenharia mecânica e outras, mostrando que elas são necessárias.

Para cobrir a estrutura do edifício do ensino, propôs as únicas escolas superiores que julga preferíveis à universidade, que não pode dar ensino geral; essas escolas são: agrícola superior, normal superior, biologia e veterinária, ciências naturais, engenharia civil e engenharia geográfica e hidrográfica; as únicas convenientes, porque todas correspondem às necessidades do país e são adaptáveis às condições das províncias, para as quais o orador as pede.

Essa divisão é a seguinte: escola normal superior, na corte; agrícola superior, em São Paulo; biologia e veterinária, no Rio Grande do Sul e Piauí; ciências naturais, na Bahia e no Paraná; engenharia civil, em Pernambuco; e engenharia geográfica a hidrográfica, no Maranhão e no Rio Grande do Sul.

O orador expõe as razões porque essas escolas melhor se adaptam a cada uma dessas províncias.

Em seguida responde às várias objeções que têm ouvido sobre o seu plano de ensino, mostrando que nenhuma delas procede, e como este plano parecer ser aceito tanto que o decreto de 19 de abril consagra parte dessas ideias.

Tomando em consideração algumas impugnações feitas ao que disse na conferência anterior sobre a universidade, o orador mostra que as universidades são criações do século passado e que só existem no atual, porque tem-se tratado de completar a sua deficiente organização com escolas técnicas de várias naturezas.

Na França, que acabou com as suas universidades agita-se de novo a questão do ensino universitário, contra o qual se pronunciam as faculdades de medicina e de ciências de Paris, tendo esta à sua frente o sábio Pasteur, que diz ser necessário aumentar e não diminuir o contato do povo com os homens de ciência, não sendo todas as ciências susceptíveis de eficaz associação.

Pergunta qual o tipo de organização moderna a que se referem os promotores da universidade e lembra que o Sr. Dr. Duque-Estrada Teixeira falou do tipo alemão e, posteriormente, o Sr. Conselheiro Pertence da universidade de Manchester; tipos que o orador aprecia de demonstra não convierem ao país: o 1º porque não tem caráter profissional; o 2º, porque é apenas um colégio politécnico, onde senão ensina medicina nem direito, bem apresenta exemplo de associação de todas as ciências que aqui se querem reunir.

Lembra que na Inglaterra, em 1837, tendo de se criar uma universidade em Londres, criou-se apenas um corpo de examinadores, isto é, universidade que examina e não ensina.

Por estas e outras considerações que apresenta, o orador entende que ou o espírito moderno é hostil aos estudos universitários, ou então não compreende que espírito moderno é esse de que falam os promotores da universidade.

Conhece dois centros de estudos que lhe inspiram grande simpatia, a universidade industrial de Chicago, de que não se trata, e a pretendia universidade de Íthaca, nos Estados Unidos; mas esta também não pode servir de modelo para a universidade que se pretende criar; parece excelente para os Estados Unidos, que tem outros estabelecimentos de ensino, mas não pode ser acessível aos filhos de todas as nossas províncias nem satisfazer todas as nossas necessidades demais, é uma universidade que ainda está em ensaio.

Se se quer inundar a corte com ciência, e só por exceção oferecê-la aos filhos das províncias que puderem vir aqui recebê-la, é bom o projeto da universidade, mas se se se deseja espalhar todos os conhecimentos e criar todas as profissões, o único meio é criar escolas de instrução cientifica superior e inferior em todo os Império.

Conclui dizendo, com Hipau, que os maravilhosos progressos dos últimos 20 anos efetuados pelos Estados Unidos teriam sido impossíveis se a vida intelectual, em vez de manifestar-se em todos os pontos do país, fosse concentrada unicamente numa cidade.

Na seguinte conferência o orador promete propor a reunião de um congresso de instrução pública para estudar a questão do ensino e dizer o que julgar melhor em sua consciência.

Ao descer da tribuna, o orador é aplaudido e felicitado pelo auditório.”.

Localização

Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 14 fev. 1881, Anno 60, n.45, p.1 (resumo). Capturado em 14 mar. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/2641  

Ficha técnica

- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 362. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 6 mai.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=971

 


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