Conferência Popular da Glória nº 366
Data: 20/03/1881
Orador: Julio Cesar Leal
Título: Materialismo e Espiritualismo
Aviso, íntegra ou resumo: Resumo
Texto na íntegra
“Realizou-se ontem, a 366ª o Sr. Julio Cesar Leal, prosseguindo em suas considerações da anterior conferência sobre o importante assunto: Materialismo e espiritualismo.
Tratando de mostrar a importância filosófica e social da lei dos Três Estados de Auguste Comte, o orador comparou-os à 2ª e 3ª descobertas: atividade prática e atividade política.
Desprezou, por improcedente e anti-filosófico o Kalendário Religioso do mesmo Comte, que tem tanta ou menor importância do que o Kalendário Romano.
Apreciando a escola materialista contemporânea, desenvolveu as teorias mais importantes dessa escola e combateu-as, provando que a força não é uma propriedade da matéria, mas sim o princípio motor de todas as substâncias corpóreas.
Estudando Buchner e Haeckel, mostrou a diferença entre o darwinismo e o materialismo, e admirou-se da pretensão de Haeckel, em pedir, n’um congresso de sábios naturalistas alemães, que as doutrinas darwinistas fossem aceitas nas escolas dos sábios.
Provou, pela filosofia astronômica, que, sendo maiores que a terra, em sua massa, muitos planetas do nosso sistema, os habitantes desses planetas devem achar-se em condições materiais que não podem ser estudadas pelo bisturi dos sábios materialistas modernos; de maneira que se um desses sábios pudesse ser de momento transportado ao solo de um desses planetas, preso a essa matéria pela lei da gravitação, não só não poderia ver (por lhe faltarem órgãos naturais necessários) os habitantes superiores desse mesmo planeta, como também compreenderia de uma vez para sempre a improficuidade da sua ciência e da sua doutrina ante as elevadas grandezas da criação.
Assim, o orador procurou provar que a substancia espiritual, tão procurada e nunca encontrada pelos materialistas, não é, como estes supõem, de natureza diametralmente oposta às substâncias corpóreas, mas sim existência real, corpos rarefeitos ou fluídicos, que escapam completamente ao estudo da ciência; e para prova-lo, mostrou que os materialistas, armados do mesmo fino bisturi, não poderão jamais contar ou apreciar o número de átomos que pode conter um tubo de metal do tamanho da cabeça de um alfinete; ficando assim evidente a improficuidade da ciência materialista ante os próprios seres materiais que queira apreciar.
Sustentando a existência desses seres invisíveis, que não são mais do que os próprios seres materiais desorganizados, conservando a sua própria autonomia ou existência na marcha infinita do progresso humano, que é duplo – moral e intelectual – concluiu, convidando os sábios a prosseguirem em seus estudos e a formarem uma cadeia de união cientifica, mostrando que todos eles, como o orador, aspiram à verdade e que essa – verdade – é Deus, termo de todas as nossas elocubrações.
Ao descer da tribuna foi o orador felicitado pelo auditório que enchia o salão.”.
Localização
Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, Anno 60, n.80, p.1, 21mar. 1881 (resumo). Capturado em 10 mar. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/2853
Ficha técnica
- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 366. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 1 abr.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=967
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)