Conferência Popular da Glória nº 374
Data: 22/05/1881
Orador: Affonso Celso Junior
Título: A nova estética
Aviso, íntegra ou resumo: Resumo
Texto na íntegra
“Em presença de S. M. o Imperador, e diante de numeroso auditório onde achavam-se muitas senhoras, realizou ontem o Sr. Dr. Affonso Celso Junior a 374ª destas conferências, discorrendo sobre A Nova Esthética.
O orador começa dizendo que vai estudar em voz alta, dirigindo-se ao auditório com a intimidade e familiar simpatia de quem conversa com numerosos amigos.
Julga que é impossível encerrar em uma única conferência o fim de ideias heterogêneas e de fatores encontrados, que se denomina uma grande síntese e nova estética.
Os povos, como os indivíduos, possuem uma fisionomia, onde se estampam as agitações, os pensamentos íntimos de seu cérebro; e quem observa a fisionomia do mundo atual reconhece que todos os sintomas indicam o diagnóstico de uma renovação.
Entrando no estudo desta renovação, mostra que o movimento atual, como o guerreiro antigo, exclama ao mundo constituído: Cave, adsum, acalentai-vos, estou presente.
Observa que o movimento renovado abrange a filosofia e, pois, abrange a estética, e que toda a filosofia que deixar a arte fora do seu quadro é incompleta.
Cita a respeito as opiniões de grandes filósofos, aceitas como único critério a observar e a que a experiencia, definindo a arte, define a estética.
Demonstra que, sendo a filosofia moderna positiva, a arte e a estética devem ser e são também positivas.
Partindo de um aforismo de Comte, estabelece as bases da estética positiva, que são tradição e espírito civilizador.
Analisando as três escolas ora existentes – calculista, realista e impressionista, prova que esta última é a verdadeira.
Mostra que a estética faz parte da sociologia, completando a hierarquia das ciências.
Julga que a mocidade atual, apesar de inteligente e estudiosa, não tem ainda normas fixas, nem princípios ausentes, vendo o seu espírito enovelado nas dobras de uma única filosofia.
Mostra que no estudo das ciências modernas e experimentais está a salvação.
Diz que neste país o espírito envelhece depressa, criam-se logo cabelos brancos na alma, mas o entusiasmo tudo pode revigorar.
Concluindo, observa que as ideias novas ora de perdem, ora sofrem o ataque da crítica, mas hão de triunfar; acontecendo com elas o mesmo que com o Mazzeppa, de Victor Hugo, que a galopar n’um deserto, seguido de lobos e abutres, caiu por fim, mas para cingir uma coroa de rei.
Em diversos pontos do seu discurso e ao descer a tribuna foi o orador muito aplaudido.”.
Localização
- Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, Anno 60, n. 142, p.1, 23 maio 1881 (resumo). Capturado em 14 mar. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/3237
Ficha técnica
- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 374. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 19 mai.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=979
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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