Conferência Popular da Glória nº 376

De Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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Data: 05/06/1881

Orador: Affonso Celso Junior

Título: Estética: a poesia

Aviso, íntegra ou resumo: Resumo

Texto na íntegra

“Honrada com a presença de S. M. o Imperador, perante numeroso auditório no qual se notavam o Sr. Ministro da Guerra, muitas senhoras e pessoas gradas, realizou o Dr. Affonso Celso Junior a sua segunda conferência sobre Estética, tomando por assunto a poesia.

Recapitulando o que anteriormente enunciara, disse que, havendo nova filosofia, devia de haver nova estética; que, na sistematização positiva esta ciência encontra o seu lugar hierárquico, fazendo parte da sociologia; que o gênio de Comte assinalou-lhe a base estática tradição e a dinâmica corrente científica; que a arte é humana não obedecendo nem às regras dogmáticas dos clássicos nem as exagerações do realismo, mas só as conclusões simples e verificáveis do naturalismo. Descreveu a luta entre o espírito novo e o velho, mostrando que a tradição, empecilho em todas as manifestações do espírito, encontra seu campo fecundo no domínio da arte, como fundamento da morfologia artística; indicou sucintamente as relações que constituem o objeto da estética, demonstrando que a concepção da humanidade encontra uma linguagem perfeita; completa, acessível a todos, nas manifestações artísticas, cujos fins eram hoje largos e altruístas, que não peiados pelos preconceitos antigos. Descendo à aplicação destes princípios, determinou a hierarquia das artes, dizendo que começava pela poesia por três motivos: 1º por ser a manifestação poética o ramo artístico mais cultivado entre nós; 2º por ser a poesia a mais ampla das artes e mais susceptível, pois, da aplicação das novas fórmulas; 3º por ser a primeira em que se acentuou o movimento reformador.

Analisando largamente os caracteres estéticos da poesia, apontou os lineamentos dos poemas, dos dramas e dos romances modernos.

Combateu a escola pseudo-socialista cujo único objetivo é a destruição, provando que a arte nunca pode ser negativa.

Disse que na Academia de São Paulo estão os genuínos representantes da nova escola, os poetas positivistas e inspirados que só atendem à emoção própria, desdenhando compêndios vazios, independentes, sinceros, ousados. A única fórmula é esta, a de Comte, a de Zola, a de Veron: - Personalidade e verdade. Especificou a natureza da versificação, linguagem especial de um estado mental particular. Determinou a superioridade da poesia sobre todas as outras artes, fazendo sentir que os novos ideais, longe de lhe restringirem, lhe alargam o campo.

Na peroração brilhante, enumerou os serviços da poesia à civilização, refutando a opinião de certos espíritos que lhe negam o prestígio e a força.

Concluiu fazendo um apelo à geração hodierna para que, não seguindo as pegadas dos que consideram a nova escola como a sacerdotisa do torpe, só cantando o repugnante, derramem as suas inspirações, como Madalena o óleo perfumado aos pés de Cristo, às plantas de alguém, cujas belezas são maiores do que as das amantes cantadas pela poesia sentimental, de alguém que é grande, majestosa, sublime e que, entretanto, sofre muito: - a Pátria!

O orador foi vivamente aplaudido tanto durante o seu discurso para ao descer da tribuna.”.

Localização

- Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, Anno 60, n.156, p.1, 06 jun. 1881 (resumo). Capturado em 14 mar. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/3329

Ficha técnica

- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.

- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.

Forma de citação

Conferência Popular da Glória nº 376. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 20 mai.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=981

 


Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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