Conferência Popular da Glória nº 379
Data: 26/06/1881
Orador: José Agostinho dos Reis
Título: Necessidade de uma repartição de estatística no Brasil
Aviso, íntegra ou resumo: Resumo
Texto na íntegra
“Honrada com a presença de S. M. o Imperador e estando presente grande número de pessoas, realizou-se ontem a 379ª destas conferências, ocupando a tribuna o Sr. José Agostinho dos Reis, que tomou por assunto a necessidade de uma repartição de estatística no Brasil.
O orador demonstrou com o exemplo de todos os povos, desde a mais remota antiguidade, ser imprescindível a todos os governos uma repartição de estatística para bem dirigirem as nações; que os elementos estatísticos de um povo são os mais indispensáveis para o estadistas que quiser bem governar; e que só depois de comparadas as condições estatísticas da agricultura, da indústria e do comercio de um país, é que o governo desse país pode apresentar leis sabias, que tenham o cunho prático e sirvam de utilidade aos governados.
Historiou o que tem sido a estatística nos diversos países e a sucessão de congressos estatísticos desde 1853.
Aplicando o exemplo geral ao Brasil e sobretudo à sua lavoura, que é de todas as indústrias a que deve merecer maior atenção dos poderes públicos, perguntou: qual a estatística que existe referente à lavoura; qual a estatística depois da lei de 28 de setembro, sobre o número de braços livres ou escravos que existe no Brasil; qual a estatística sobre os ingênuos, nascidos depois dessa lei; e quais os mapas estatísticos da colonização e das nossas estradas de ferro.
Passando da lavoura à indústria, ao comercio, à higiene pública, o orador mostrou que em todos esses serviços se encontra a dificuldade de decidir questões momentosas por falta de dados estatísticos.
E é nestas condições que se suprimiu a repartição geral de estatística no Brasil, deixando-se o governo sem elementos para bem administrar o país.
Lamentou que o governo imperial suspendesse a execução da lei de estatística dos nascimentos e óbitos, por causa da oposição que o povo então manifestou a essa lei, quando o dever do mesmo governo era demonstrar ao povo a utilidade geral dessa estatística.
Descreveu os trabalhos estatísticos que se tem empreendido no Brasil, fazendo menção especial dos trabalhos executados pelo Sr. Angelo Thomaz do Amaral.
Mostrou a necessidade de dados estatísticos e da sua publicação, distribuídos gratuitamente pelo povo, porque é preciso acostumar o povo a ler e apreciar esses dados.
Concluiu, repetindo as palavras de algumas proposições de sua tese, provando que a repartição geral de estatística fez trabalhos muito valiosos, e que depois da extinção desta repartição está desorganizado semelhante serviço, quando a primeira necessidade que tem o governo brasileiro é da organização perfeita da estatística do Império.
Ao terminar, foi o orador aplaudido pelo auditório.”.
Localização
- Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, Anno 60, n.177, p.1, 27 jun. 1881 (resumo). Capturado em 14 mar. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/3465
Ficha técnica
- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 379. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 19 mai.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=984
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)