Conferência Popular da Glória nº 482
Data: 03/08/1884
Orador: Domingos Carlos da Silva
Título: Do cholera-morbus epidêmico: considerações históricas, e profiláticas.
Aviso, íntegra ou resumo: Resumo
Texto na íntegra
“Na presença de S. M. o Imperador e com assistência de numeroso auditório, efetuou-se ontem o Sr. Conselheiro Domingos Carlos da Silva acerca da cholera morbus epidêmico. Em estilo preciso, traçou o histórico da moléstia, estabelecendo as premissas de um sistema profilático, que decorre lógica e naturalmente dos fatos epidêmicos nos diferentes países do globo, e nos diversos tempos, conseguindo ainda firmá-lo sobre a história do cholera-morbus em sua peregrinação pelo Brasil em 1855.
Aconselha as quarentenas como medida invariável e imprescindível, mas extensiva às malas do correio, e principalmente às mercadorias.
Para os passageiros reclama dois lazaretos, em cada um dos portos principais do Império, que tem relações exteriores: um flutuante, estabelecido em um navio convenientemente adaptado ao fim, e outro em uma ilha distante dos centos populosos.
A quarentena para os passageiros deve ser de 3 dias no lazareto flutuante, onde se fará a desinfecção das bagagens, a exposição ao ar e a lavagem das roupas das quarentenas, sendo depois disto demorados eles em observação por 2 dias no lazareto fixo, onde poderão encontrar mais cômodo tratamento. Para este fim lembra nesta corte a ilha da Flores.
A desinfecção das malas se fará no prazo de três dias, abertas e submetidas à seção dos vapores de ácido fênico, o melhor desinfectante para o caso.
A desinfecção das mercadorias deve consumir mais tempo. Durante 12 dias após a descarga, que será feita a boa distância do porto, estacionarão os lanchões neste mesmo lugar, e, sendo abertos os volumes serão expostas às correntezas de ar, submetendo-se à desinfecção mediante o ácido salicílico, de modo que não prejudique as mercadorias.
Reclama a atenção do governo, mostrando a perturbação econômica e financeira de uma epidemia de cholera nas presentes circunstâncias do país. Lembra os graves prejuízos de vidas na epidemia de 1855, que ceifou mais de 103.000 pessoas, da fortuna particular que foi incalculável, e do Estado, que aproximou-se de 3.000 contos, n’uma época em que ninguém ainda poderia cogitar na guerra do Paraguai e da seca do Ceará, cujos exemplos autorizam, na atualidade, um elevado multiplicador para aquela quantia.
O auditório, composto de vários professores da faculdade de medicina, e de grande número de médicos, aplaudiu o orador ao terminar o seu discurso.”.
Localização
- Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, Anno 63, n.216, p.2, 04 agos. 1884 (resumo). Capturado em 28 abr. 2026. Online. Disponível na Internet: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_07/10938
Ficha técnica
- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 482. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 18 mai.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=1093
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)