Conferência Popular da Glória nº 659
Data: 01/10/1899
Orador: Manoel Francisco Correia
Título: O Congresso de Instrução.
Aviso, íntegra ou resumo: Resumo
Texto na íntegra
“Realizou-se ontem a conferência popular n. 659 na Escola Barão do Rio Doce.
Tratando o Conselheiro Correia da Conferência da Paz reunida este ano na Haia, mostrou os seus louvores infinitos, de conformidade com a circular de 30 de dezembro de 1898 do conde de Murawieff, ministro dos negócios estrangeiros do czar, promotor dessa benfazeja reunião, e apontou em seguida, um a um, os resultados colhidos, não suficientes, mas relativamente consideráveis, no que respeita a evitar guerras e a torná-las menos destruidoras e mais humanas. Assinalou especialmente, não só estas palavras proferidas no encerramento da conferência pelo Sr. Beaufort, representante do governo holandês: “A lembrança de vossa visita atual à Holanda será eternamente um ponto luminoso nos anais do país, porque temos a convicção firme de que a vossa permanência aqui abriu um era na história das relações internacionais entre povos civilizados”, como também estas outras, do presidente barão de Staal: “A obra da paz se desenvolverá no porvir; o primeiro passo está dado; o terrenos está semeado para uma futura colheita.”
Esta é também a convicção do orador, que observa: se assim não for, muito estreito será o circuito traçado à perfectibilidade humana.
O Brasil não se fez representar na conferência; mas o orador está persuadido de que se ali estivesse subscreveria, como a Dinamarca, Bélgica, Espanha, México, França, Grécia, Montenegro, Holanda, Pérsia, Romênia, Rússia, Sião, Suécia e Noruega e Bulgária, todas as ideias generosas e humanitárias que foram aventadas.
Tremendo abusar da complacência dos amigos que o honram com sua presença n’estas conferências, o orador busca sempre justificar-se da insistência em mantê-las. Pede por isso licença para terminar com estas palavras da conferência de 8 de março de 1874: “Os brasileiros sabemos que não é lícito morrer para a pátria pela indiferença; que para o serviço do Estado o cidadão só perece quando a luz se lhe apaga nos olhos, quando a laje fria cobre-lhe o sepulcro.”
O orador está enchendo altura; e é este o meio que lhe resta para proceder de acordo com a sua doutrina. Espera por isso desculpa, tanto mais quanto foi forçado a recorrer a este salão hospitaleiro, mas inferior ao expressamente construído para a tribuna das conferências populares, do qual ela se acha privada, e por mais tempo do que fora dado imaginar, mesmo aos que levam em conta as raízes que os interesses criam.
Sendo ontem o primeiro centenário do nascimento do grande brasileiro Evaristo Ferreira da Veiga, o orador, ao começar a conferência, proferiu algumas palavras em glorificação dos relevantes serviços prestados ao Brasil pelo eminente e desinteressado patriota. Ele contribuiu eficazmente, em época agitada, para a integridade da pátria, e nenhum serviço pode ser maior, então como hoje.”.
Localização
- O Paiz, Rio de Janeiro, Anno XVI, n.5482, 9 de outubro de 1899. p.2 (resumo). Capturado em 07 jan. 2026 (online). Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_02/23763
Ficha técnica
- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 659. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 27 jun.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=1274
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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