Conferência Popular da Glória nº 663
Data: 12/11/1899
Orador: Manoel Francisco Correia
Título: Congresso Nacional de Educação.
Aviso, íntegra ou resumo: Resumo
Texto na íntegra
“Realizou-se ontem, na Escola Barão do Rio Doce, a conferência popular n. 663, discorrendo o conselheiro Correia sobre o Congresso Nacional de Educação. Eis o sucinto resumo de seu discurso:
Começou repetindo estas palavras de sua conferência de 30 de janeiro de 1876:
“No meu empenho a favor da manutenção das conferências, há quem tenha querido ver a expressão de um sentimento de ambição pessoal. Será, mas então essa ambição é maior do que se presume: destaca-se da vida presente, e vai além. Abrir-vos-ei o meu coração.
Em redor do tumulto de um homem eminente do nosso século, Robert Peel, os seus concidadãos o qualificavam - o sábio e glorioso conselheiro de um povo livre. E um homem de Estado também ilustre, Guizot, acrescentava - e feliz. Não posso ter semelhante pretensão; fora vã temeridade, senão vaidade infundada. Mas confesso a minha fraqueza: quisera merecer que aqueles que, em dias mais ou menos próximos, passarem junto ao meu túmulo, possam dizer: foi um operário, embora obscuro, da civilização de sua Pátria.”
O operário, apesar das transformações realizadas depois, está na sua tenda. É dela que ainda hoje, ao encetar a instituição das conferências populares o 27º ano de existência, aplaude vivamente a reunião do Congresso Nacional de Educação, graças ao valioso apoio do honrado Sr. ministro dos negócios interiores e à infatigável atividade do promotor e conselheiro Leôncio de Carvalho. É uma maneira altamente digna de comemorar o 4º centenário do descobrimento do Brasil; o que reclama o trabalho preparatório a que se está procedendo. Da tribuna das conferências o orador, no pouco que pode, auxiliará o Congresso, certo de que não verá jamais esmorecer o patriótico zelo de seus distintos membros, cônscios de que, após as absorventes crises políticas por que passamos, convém reerguer o estandarte da instrução popular.
Com esse empenho e secundado as vistas do ilustre ministro quando disse o Congresso vai prestar assinalados serviços à instrução pública do Brasil, o orador insistirá na ideia de serem os Estados nele representados, ou de haver uma sessão especial destinada ao estudo da instrução nos mesmos Estados, cujo relatório será por certo um dos mais apreciados.
Conhecer a verdadeira situação desse importante ramo da administração em nosso país é o ponto primordial a averiguar, para sobre ele assentar o plano dos melhoramentos que gradativamente se irão introduzindo.
A ação do Congresso não deve limitar-se ao Distrito Federal; isso não se coaduna com a denominação de “nacional” que o distingue e o populariza, nem se acomodaria com o propósito do ilustrado promotor conselheiro Leôncio de Carvalho, quando com razão proclama a necessidade de cuidar da educação literária e cívica.
Acredita, pois, o orador, que apenas repete o que está no pensamento diretor do Congresso; e faz várias considerações justificando esse pensamento, que não deve ser posto de lado.”.
Localização
- O Paiz, Rio de Janeiro, Anno XVI, n.5517, 13 nov.1899. p.2 (resumo). Capturado em 07 jan. 2026 (online). Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/178691_02/23979
Ficha técnica
- Pesquisa: Aline de Souza Araújo França, Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca, Yolanda Lopes de Melo da Silva.
- Revisão: Ana Carolina de Azevedo Guedes, Mª Rachel Fróes da Fonseca.
Forma de citação
Conferência Popular da Glória nº 663. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970). Capturado em 27 jun.. 2026. Online. Disponível na internet https://dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/wiki_dicionario/index.php?curid=1277
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1970)
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